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Lô Borges - SESC Vila Mariana (16.01.17)

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Existem coisas tão sagradas na música brasileira que não deveriam ser reviradas. Uma delas é tudo o que envolve o Clube da Esquina, movimento musical brasileiro surgido na década de 1960 em Belo Horizonte com jovens músicos como Milton Nascimento, Lô Borges e muitos outros.

Tudo o que envolve esses primeiros anos da década de 70 muitas vezes acabou não sendo totalmente compreendido e até mesmo sendo considerado um fracasso, mas que hoje encontra em uma nova geração a compreensão necessária para que artistas que naquela época estavam muito, muito a frente do seu tempo.

O famoso “disco do tênis”, primeiro trabalho solo de Lô Borges, é um desses discos. Projetado para ser executado ao vivo em três noites no SESC Vila Mariana, em São Paulo entre os dias 13 e 15 de janeiro, o show esgotou ingressos rapidamente e nutriu uma expectativa do público que há tempos não se via.

E acompanhado de um sexteto liderado pelo talentoso Pablo Castro, o que parecia impossível ganhou vida com uma naturalidade impressionante. Vale ressaltar que isso aconteceu também graças aos projetos que o músico vem desempenhando, dedicado-se justamente a realizar reconstituições de álbuns clássicos nota a nota. Além de Lô e Pablo, completavam o time Guilherme De Marco (violão, guitarra e vocal), Dan Oliveira (violão, guitarra, percussão e vocal), Alê Fonseca (teclados), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocal) e D’Artganan Oliveira (bateria, percussão e vocal).

Em faixas como O Caçador, Canção Postal e Você Fica Melhor Assim já fica nítido a razão de seu primeiro trabalho solo ter sido empreendido na época do lançamento, no início da década de 70. São arranjos complexos e melodias que vão de encontro ao rock progressivo que se estabeleceu na virada da década. Ainda que a voz de Lô esteja por cima de um instrumental tão ousado, fica difícil fazer um vínculo direto com os clássicos do Clube da Esquina, lançados anteriormente.

Recriado arranjo a arranjo, Fio da Navalha, Não Se Apague Essa Noite e a lindíssima Eu Sou Como Você É  foram destaques na primeira metade do show, que ainda contou com uma enxurrada de clássicos do Clube da Esquina, um presente de oportunidade única proporcionada por uma banda digna de da grandeza história que esse momento estabeleceu na cultura brasileira.

Trem Azul, Saídas e Bandeiras, Tudo Que Você Podia Ser, Paisagem na Janela e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo deram forma a um show que já tinha tudo para ser histórico, mas que foi muito, muito além disso. Com cada arranjo executado com uma perfeição absoluta, ficou difícil controlar lembranças e reverenciar cada faixa como um gesto de gratidão. Foi como ganhar na loteria duas vezes.

E Lô Borges saiu do palco como devia, abençoado por sua história e pelo público que sabe que certas coisas nunca vão cair no esquecimento.

A música passa por aqui.

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