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Nublus Jazz Fest - SESC Pompeia (08.04.17)

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Um dos festivais mais concorridos do calendário sempre atrativo do SESC, o Nublus Jazz Fest desse ano alcançou seguramente um nível de expectativa nunca visto em suas edições anteriores. Além do lendário grupo inglês Cymande, o saxofonista americano Kamasi Washington dava forma a um evento que esgotou seus ingressos em minutos e tinha em seu line up – a preços acessíveis – a chance de ver no palco o nome mais aclamado do jazz contemporâneo.

Depois de um show arrebatador do poeta e músico Saul Williams, que levou ao palco uma performance intensa fundindo elementos de dubstep e hip hop presentes em seu álbum MartyrLoserKing, lançado em 2016. Repleto de críticas sociais, não são necessários mais que 10, 15 minutos para se sentir absorvido pela performance do artista americano.

O relógio já beirava às 23h quando Kamasi Washington foi finalmente anunciado. Acompanhado de sua banda, a The Next Step, o saxofonista no palco se transforma em uma versão subversiva de big band. Com um trabalho de percussão realizado por três músicos, Robert Miller e Jonathan Pinson na bateria, além de Leon Mobley, o grupo no palco ainda conta com o pai de Kamasi, Rick, na flauta, o trompetista Igmar Thomas, o tecladista Brandon Coleman, o baixista  Kristopher Funn, a vocalista Patrice Quinn e o DJ Kevin Gilliam.

Com o repertório baseado em seu premiado trabalho Epic, lançado em 2015, Kamasi Washington sabe como encaixar as peças de sua enorme banda a ponto de oferecer influências de soul, funk e afrobeat, mesmo que parte do repertório soe artificial em alguns momentos. Munido de tantos recursos, não são poucas as vezes em que o saxofonista foge de seu papel de protagonista e surge como refém da máquina sonora que carrega consigo.

O ponto mais alto do show é sem dúvida quando faixas como Malcolm's Theme e Askim surgem no repertório. É nesse momento que, ao invés de uma big band, Kamasi se torna um quarteto e seus teclados são substituídos pelo piano. Muito mais intensa ao vivo, Final Thought é outra das faixas de Epic que despeja um verdadeiro caminhão de belíssimas melodias, mas peca pelo excessiva presença de sua banda em um trabalho que até certo ponto deveria soar como intimista.

E talvez seja justamente esse o “senão” de Kamasi ao vivo. Amparado por tanta tecnologia, especialmente na variedade de teclados de Brandon Coleman e na presença muitas vezes desnecessária de Kevin Gilliam, o trabalho do saxofonista parece carregar uma urgência que não condiz com a necessidade em boa parte do tempo, especialmente quando parte do corpo de suas músicas surge emulado, como na faixa The Next Step, que ao vivo perde bastante em relação ao trabalho gravado em estúdio.

Ainda que parcialmente arrebatador, é nítido que Kamasi parece não ter atingido o melhor de seu potencial. Provavelmente esse olhar soe conservador sobre seu trabalho ao vivo, mas a sensação que se tem certamente é de que é necessário empurrar o público para trás para mostrar a força das canções. E com a experiência ao lado de nomes como Wayne Shorter e Herbie Hancock, o saxofonista americano deveria saber que nem sempre é necessário ser intenso para arrebatar o público.

A música passa por aqui.

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