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Neal Morse Band - Carioca Club (18.06.17)

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Existem artistas capazes de condicionar seu trabalho como uma extensão plena de seus ideais. Neal Morse é um deles. Um dos maiores nomes da cena de rock progressivo pós-90, quando era integrante do Spock´s Beard e referência ao lado do Porcupine Tree, praticamente definiu uma cena que não para de evoluir nos últimos anos.

No Brasil pela primeira vez com a Neal Morse Band (a outra havia sido com o Transatlantic), a constelação de músicos que acompanham o artista americano ainda conta com nada menos que Mike Portnoy (bateria), Randy George (baixo – Transatlantic, Spock’s Beard, Alajon), Bill Hubauer (teclado – Ten Point Ten) e Eric Gillette (guitarra).

Com bom público na noite de 18 de junho, o Carioca Club viu seu palco ser tomado pela história de um peregrino em sua viagem celestial, baseado no livro escrito pelo pastor batista John Bunyan em 1678. Artista que se converteu na virada do século, Neal Morse passou a levar para sua música tudo o que acredita. E o resultado foi conferido com a íntegra do álbum The Similitude of a Dream, executado na íntegra para o público brasileiro.

Disco que transita por uma miscelânea de ritmos que vai muito além do chamado metal progressivo, The Similitude of a Dream é apresentado como uma peça que transita pelo rock, o fusion e até mesmo pelo pop, tudo de forma que sua mensagem possa condizer com a trajetória do peregrino citado por Neal Morse, que desde o início leva ao extremo seu papel de bandleader, interpretando cada verso como um verdadeiro ator de teatro.

Com longas passagens instrumentais, especialmente em sua primeira parte, o show de Neal Morse engrena de vez em City of Destruction, faixa que joga de vez o clima do show para cima. Draw the Line e a ótima Back to the City são outras que se destacam em um repertório onde toda banda funciona como uma engrenagem complexa, mas que no desenrolar do show parece fazer tudo ser simples, graças à amizade de seus integrantes.

O grande trunfo de Neal Morse ao vivo é certamente sua capacidade em dramatizar o conteúdo que deseja apresentar focando seu objetivo central, que é dar muito mais que entretenimento, mas apresentar palavras que possam mudar a vida de seu público.

Mesmo para quem não tem a mínima ideia do que se trata a obra que inspirou The Similitude of a Dream, com o suporte visual em um telão projetado ao fundo do palco e a dramatização de Neal é possível encaixar as peças de forma a perceber quando a história atinge seu auge, especialmente na segunda metade do show. Antes disso, a reta final da primeira parte do show ainda reserva uma sequência de impacto formada pela trinca The Ways of a Fool, So Far Gone e Breath of Angels, músicas que refletem muito bem o lado mais introspectivo do disco. Essa dinâmica prepara bem o terreno para a segunda – e intensa – metade do disco/show.

Slave to Your Mind, um autêntico prog-metal ao melhor estilo Mike Portnoy, abre os trabalhos do segundo set após um intervalo de 10 minutos. E desde então – inspirado pela aventura d´O Peregrino, Neal Morse parece incorporar de vez a jornada cristã pelo qual seu personagem se envereda pelo disco.

Nessa fase do show as próprias letras de The Similitude of a Dream também soam muito mais panfletárias, e mesmo que ignore-se ao máximo o contexto envolvido, a essa altura Neal e sua virtuosa banda já colocaram todo público dentro da história. Com maior participação do jovem Eric Gillette nos vocais, o show de Neal Morse atinge seu ápice rapidamente, especialmente em canções como The Man in the Iron Cage  e The Road Called Home.

O clima de descontração da banda fica ainda mais nítido em Freedom Song, Faixa semiacústica que ao melhor estilo 39, do Queen, embala a banda para uma reta final apoteótica, que ainda tem como destaque do show a sequência The Mask, Confrontation e The Battle,

Mesmo depois de mais de 2h de show e visivelmente emocionado, Neal Morse ainda retornou ao palco para a execução de faixas de seu primeiro álbum solo. Momentum, Author of Confusion e The Call foram responsáveis pelo encerramento do show, seguramente uma experiência única para seus fãs e aventureiros de primeira ocasião.

A música passa por aqui.

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