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Liberation Festival - Espaço das Américas (25.06.17)

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Em um ano recheado de shows e festivais como Rock in Rio e SP Trip, provavelmente o Liberation Festival não soe com a proporção que devia, afinal, direcionado a um público mais específico (o que já é um milagre hoje em dia), mas é inegável que tudo que aconteceu na noite de 25 de junho no Espaço das Américas deve e sempre será lembrado como algo histórico e tão grande quando o know-how do line up que tinha em seu posto mais alto o lendário King Diamond, artista que não vinha ao Brasil há praticamente duas décadas.

Contando com um público que veio de todas as partes da América do Sul (seria essa a única passagem de King Diamond pelo continente), o Liberation Festival contou com um line certeiro e de enorme impacto. Os ingleses do Carcass, a banda americana Lamb of God, o grupo alemão Heaven Shall Burn e os brasileiros do Test completaram o time que deu sinal verde à maratona de shows no meio da tarde do último domingo.

Uma curiosidade sobre o line up foi justamente a banda Test, que depois de realizar seu show dentro da casa com um público que ainda chegava, levou seus instrumentos para o lado externo e se apresentou novamente, agora para aqueles que não conseguiram ingressos para o festival. Uma atitude, no mínimo, ousada.

O Heaven Shall Burn, primeira banda internacional do line up, veio ao Brasil pela segunda vez na carreira disposto a mostrar sua feliz fusão entre death metal melódico e metalcore, uma avalanche sonora que foi bem recebida para um público que pouco conhecia do grupo, que já tem duas décadas de história. Com faixas de seu último álbum, Wanderer, o Heaven Shall Burn apresentou um set de pouco menos de dez músicas, mas que engatou uma sequência poderosa como The Loss of Fury e Bring the War Home, ambas do último disco, e Counterweight e Black Tears, essa última um cover de uma banda clássica nos últimos anos, o Edge of Sanity.

A partir desse momento o que se viu foi o real sucesso da curadoria do festival. Com uma fila de merchandising lotada, público das três próximas bandas do evento rivalizavam posição para ter acesso ao material exclusivo do festival. Apenas a posição de da banda em relação à pista acabou confundindo muita gente que desejava ir ao banheiro, mas de qualquer forma impressionou demais a paciência que cada fã disponibilizava para conseguir alguma lembrança naquele dia.

Terceira banda do line up, o Carcass subiu ao palco como uma verdadeira instituição da cena death/grind mundial. Apoiada por seu já tradicional background, inspirado na capa de seu último álbum, Surgical Steel, a banda de Jeff Walker fez um show irrepreensível e assustadoramente técnico.

Com poucas pausas e um repertório onde se tornava impossível diferenciar o início da carreira da banda, com faixas de álbuns seminais como Reek of Putrefaction e Heartwork, com seu último trabalho, o Carcass agiu como um verdadeiro headliners diante de um público que, em sua maioria, não esperava menos da banda. Daí tamanha devoção.

Mesmo sem nenhum mosh-pit na lotada pista do Espaço das Américas, o Carcass fez com que o público que beirava as 6 mil pessoas balançasse a cabeça com uma intensidade quase irracional, deixando o palco ovacionada por um público que esperou anos para ver a banda com um sistema de som tão redondo quanto o apresentado no Liberation Festival.

Penúltima banda da noite, o Lamb of God pareceu deslocado inicialmente, mas mostrou porque é uma das principais bandas da cena extrema na atualidade. Diferente do Carcass, o grupo americano conta com um frontman que sabe muito bem conduzir a fusão de groove metal com metalcore da banda.

Com sete álbuns lançados, sendo último deles VII: Sturm und Drang, de 2015, o Lamb of God foi seguramente o grupo que levou mais público ao festival – ao lado de King Diamond – e fez questão de mostrar sua satisfação ao longo de um set de pouco mais de 1h. No repertório, o grupo americano trouxe faixas mais clássicas como Redneck e Hourglass, além das novas Still Echoes e Engage the Fear Machine.

Era a vez de King Diamond. Um dos maiores nomes da história do heavy metal trazendo seu principal álbum com uma estrutura que, quando revelada, por si garantia a certeza de um show inesquecível. Respeitando os horários programados, King mostrou todo seu poderio vocal a partir das 22h15, quando botou em catarse o público com Welcome Home, faixa do álbum Them.

Com o álbum Abigail, que completou seus 30 anos, pronto na manga, King Diamond passeou por clássicos absolutos de sua carreira disposto a escrever no país sua página mais bonita. Com a voz em excelente qualidade e diante de um público vibrante, realizou uma apresentação onde a cenografia conseguiu prender seu público 100% do tempo vidrado no palco, apresentando faixas como Eye of the Witch, de The Eye, e provavelmente aquele que é seu clássico maior, Halloween, além de faixas de sua outra banda, o Mercyful Fate, com as emblemáticas Melissa e Come to the Sabbath.

Quando Funeral, primeira faixa de Abigail comenacionals poucos capazes de trazer ao Brasil e colocar no mesmo lugar nomes que passaram anos sem pisar em solo brasileiro. t coçou a ser executada, o teatro de King Diamond foi muito além da cenografia e contou com a personagem central da história pontuando seu enorme palco.

Com uma sequência arrebatadora, Arrived, Mansion of Darkness, The Family Ghost, The Possession e Abigail proporcionaram certamente uma avalanche de emoções capaz de transformar o teatro de King Diamond no lugar mais importante de suas vidas. O fim com Black Horsemen colocou um pingo final sem cerimônias, tal qual um verdadeiro espetáculo teatral onde é impossível pensar em um improviso final.

Definitivamente não se trata de um show comum. Influenciado notoriamente por artistas como Alice Cooper e Arthur Brown (que por sinal se apresentam juntos no Rock in Rio esse ano), King Diamond tem em sua voz uma versatilidade onde sintetiza ícones como David Byron (não a toa o show começa com faixas do Uriah Heep), Ian Gillan e Ronnie James Dio. Tudo nítido e cristalino, feito para gerar uma catarse completa.

Em sua primeira edição, o Liberation Festival escreveu uma história capaz de ser imortalizada por headbangers com um line up pontual, se posicionando ao lado de eventos como o Overload Fest como um dos poucos capazes de trazer ao Brasil e colocar no mesmo lugar nomes que passaram anos sem pisar em solo nacional.

A música passa por aqui.

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