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Refavela40 - SESC Pinheiros (07.09.17)

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Existem discos na música brasileira cujo a importância vai muito além dos 50, 60 minutos gravados, da capa ou até do cenário em que foram lançados. São discos que se tornam atemporais em um nível tão profundo que 30, 40 anos depois de seu lançamento ainda são capazes de emocionar e se tornarem uma trilha para tudo o que cerca a realidade de quem não teve a oportunidade de conferir como tudo aconteceu na época em que saiu do estúdio de gravação. Um desses discos é Refavela, de Gilberto Gil.

Lançado há quatro décadas, Refavela completou 40 anos em 2017 e segue atual, pronfundo e extremamente necessário. Bem Gil, um dos filhos de Gilberto, sacou isso e idealizou o espetáculo que traz, além do repertório do disco, um apanhado de canções que cercaram seu nascimento na década de 70, além de um time estrelado por nomes como Céu, Moreno Veloso e Maíra Freitas, além, claro, da grande estrela da festa, Gilberto Gil.

Realizado em três dias no SESC Pinheiros (fomos no primeiro deles, dia 7 de setembro), o espetáculo Refavela40 emociona. A força com que faixas como Ilê Ayê e Aqui Agora surgem, ainda sem seu protagonista, é algo tão arrebatador que se torna impossível mensurar o choque que a obra de Gil provocou em um período de ditadura e preconceito racial, infelizmente ainda em voga nos tempos atuais.

Em interpretações intensas e de uma riqueza musical que aproxima o Brasil da África, o repertório do disco vai ganhando vida cercado por tudo o que acabou influenciado sua criação, o que faz com que faixas gravadas e não incluídas no lançamento original acabem fazendo parte do setlist, que ainda inclui algumas das paixões de Gil, como Bob Marley, que tem duas faixas do álbum Exodus executadas no show, Jamming e a faixa-título do disco.

Essa aproximação do reggae e do afrobeat com os ritmos puramente brasileiros resulta em um trabalho que impressiona. Faixas como Balafon e a já clássica Samba do Avião, ambas presentes no disco original, caminham lado a lado como se Rio de Janeiro e o deserto do Saara fossem divididos apenas por uma linha tênue.

A entrada de Gil, já na reta do show, agiganta a apresentação de uma tal forma que se torna impossível não se emocionar. A vitalidade ao som de Patuscada de Gandhi, a reprise de Refavela e Ilê Ayê, além do bis com Three Little Birds e Sítio do Pica Pau Amarelo, além de muitas histórias, dá ao show um aspecto tão intimista que confirma a proximidade de Gil com seu público. Do orgulho de seu povo e da capacidade de fazer a vida parecer mais simples, ao menos durante as duas horas que preenchem a celebração do álbum Refavela.

Show que agora corre o país, Refavela40 tem livro e disco, camiseta e um caderno especial para compreender tudo o que foi dito acima. É mais que informação, mas a celebração de algo que se recusa a envelhecer.

A música passa por aqui.

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