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Paul McCartney - Allianz Parque (15.10.17)

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Escrever sobre um show de Paul McCartney não é uma tarefa fácil. Ou talvez seja, tamanha obviedade que é a catarse provocada pelo eterno Beatle a cada passagem recente pelo país. Ainda assim é sempre um desafio exprimir a felicidade de ver um artista dar exatamente aquilo que cada fã sempre sonhou com uma apresentação tão irrepreensível.

No Brasil com a One on One Tour, Paul também celebra os 50 anos do seminal álbum Sgt Peppers Lonely Heart Club Band, o que por si só seria um gancho para gerar uma histeria adicional, mesmo que o setlist pouco mudasse em relação aos seus últimos shows.

Ingressos esgotados, Paul subiu ao palco do Allianz Parque pela segunda vez em sua carreira na noite de 15 de outubro para emocionar. E emocionou. Tanto pelo trabalho solo, que trouxe algumas surpresas como Junior’s Farm e Nineteen Hundred and Eighty-Five, lado B do single de Band on the Run, como pelo próprio repertório dos Beatles, que além dos clássicos teve I’ve Got Felling, do álbum Let It Be.

Em um set de mais de trinta faixas, algumas capazes de extrair lágrimas de pedra como Something, Paul conseguiu se apresentar com uma vitalidade que desafia o tempo, seguramente o grande trunfo de um show que é capaz de mudar uma vida. Durante as quase três horas em que vira de ponta-cabeça a realidade de seu público, o eterno Beatle exerce todos os clichês possíveis. Fala em português, dança, brinca com a batida de seu violão. Tudo com uma inocência que parece nunca ter abandonado sua carreira. E é assim que a magia se faz.

Sem deixar de lado faixas emblemáticas de seu show como Helter Skelter, Live and Let Die e, claro, Let It Be, Paul promove um coro capaz de assustar a qualquer ícone pop contemporâneo. Não se trata apenas de faixas conhecidas de cabo a rabo pelo público, mas de uma condição de devoção que vai muito além da música.

Um capítulo isolado do show, Hey Jude talvez tenha sido o único senão da apresentação. Não, Paul não errou, longe disso. Ainda é de arrepiar ver como uma faixa tão inocente é entoada junto ao piano com tamanha empolgação, mas por outro lado é triste ver que isso possa ser artificializado graças a uma ação realizada por uma marca de cartão de créditos, que distribuiu bexigas com seu logo estampado ao lado do famoso “Na na na”. A imagem de um Beatle no telão merecia mais que praticamente todo espaço preenchido por um logotipo. Nada que comprometa a emoção do público, mas que acabe trazendo a reflexão nesse sentido.

De Sgt Peppers apenas Being for the Benefit of Mr. Kite! e A Day in the Life foram ao set, que deu ênfase a algumas das primeiras composições dos Beatles. Love Me Do e In Spite of All the Danger, ainda dos tempos de The Quarrymen. A consolidação da catarse com a suíte que encerra um dos álbuns mais emblemáticos da carreira do grupo, Abbey Road, com Golden Slumbers, Carry That Weight e The End, dava ao show o tão sonhado fim épico. E não há como se descrever de outra forma.

Por mais que se descreva, nunca será possível exprimir em palavras o turbilhão de emoções que é ver um show de Paul McCartney. Artista que desafia a ampulheta tempo fazendo a magia acontecer por onde passa, o lendário músico inglês segue mostrando que, assim como “não é apenas futebol”, nem sempre ”música é só música”.

A música passa por aqui.

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