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U2 - Morumbi (19.10.17)

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U2 no Brasil é sempre algo repleto de superlativos. Histeria por ingressos, telões gigantes, luzes e muitos, muitos hits. Uma combinação que sempre fez da banda uma das mais queridas pelo público brasileiro desde 1998, quando trouxe a já gigante Pop Mart ao país em sua primeira passagem.

 

Celebrando três décadas de seu álbum comercialmente mais bem-sucedido, o U2 aterrissou no Brasil para quatro apresentações no sempre inacessível e desconfortável Morumbi, onde apresentaria, além da íntegra do álbum em questão, uma avalanche de clássicos que marcaram sua carreira.

 

Com suporte de nada menos que Noel Gallagher, que realizou sua apresentação com o público chegando em vias de desespero ao Morumbi, o U2 subiu ao palco pouco após as 21h sem cerimônias. De uma forma tão tímida e impressionantemente real que pouco lembrou suas megalomaníacas passagens pelo Brasil nas turnês Vertigo e 360º.

 

Separado em três partes, os shows da The Joshua Tree Tour trazem hits engatilhados na sequência e a execução na íntegra do disco, além de duas sequências finais de três músicas. Trata-se do show mais “musical” do U2 em anos. E a ausência de telões, com a banda centralizada na rampa a frente do palco tocando Sunday Bloody Sunday, New Years Day, Bad e Pride já era por si só algo memorável.

 

Quando o telão da banda se acende pela primeira vez e os acordes de Where the streets have no name ecoam pelo estádio, o U2 repassa um de seus momentos mais felizes na carreira. Em plena ascensão após uma sequência de lançamentos de impacto alavancados pelo álbum War, o grupo dominou o mundo a partir de seu maior mercado. Permaneceu nos Estados Unidos e foi influenciado pela música negra, algo que reflete-se de forma mais nítida no disco Rattle and Hum, e se consolidou como uma banda gigante, depois em The Joshua Tree.

 

Um dos trabalhos mais politizados da carreira do U2, o disco teve ao menos 3 singles de impacto mundial. Além da citada acima, I´m still haven´t found what i´m lokking for e With or Without You engatam outra sequência de impacto, mas é a partir de Bullet the Blue Sky que o U2 volta a ser o U2 que os fãs da década de 80 se apaixonaram de forma definitiva.

 

Assim como em um show dos Stones, quando a banda toca Midnight Rambler com seus integrantes próximos uns aos outros, o U2 faz da sequência iniciada por Running to stand still uma espécie de imersão por sua essência, um momento épico pela grandiosidade da banda e solenemente ignorada por seu atual público.

 

A beleza de faixas como Red Hill Mining Town e In God´s Country, duas das melhores do disco, mostram como a música Americana (a vertente musical, não a nacionalidade) foi tão forte sobre o U2 na época. Se aproximando de um swing rock tão consagrado nos Estados Unidos, o grupo irlandês se mostra enraizado à cultura americana de uma forma sólida, aproveitando para ironizar Trump em um vídeo antes de Exit, já na reta final do disco.

 

Quando a belíssima Mothers of the Disappeared se encerra com crianças posicionadas no telão, a sensação no estádio é de muito mais alívio que catarse, dado o fato de que The Joshua Tree nunca foi verdadeiramente popular no país. E celebrar sua execução foi uma escolha ousada da banda, especialmente pela possibilidade de fazer um show aos seus moldes e ignorando parte da megalomania que a acompanha desde a Zoo Tour.

 

A volta com faixas mais recentes do grupo como Beautiful Day, Elevation e Vertigo coroa essa ideia de que o público do U2 soa tão diferente quanto as fases da carreira da banda. Momento mais empolgante do show, a trinca praticamente fundamenta a ideia de rejuvenescimento do público, ainda que o desinteresse seja a maior causa do hiato causado pela execução de The Joshua Tree.

 

O último bis, com a nova The Little Things That Give You Away, e a sequência extraída do incrível Achtung Baby, com Ultraviolet e One, encerram uma apresentação impecável, seguramente a melhor do grupo no Brasil desde a Pop Mart Tour, ainda que isso fique restrito a quem teve a chance de ver o grupo na época.

 

O U2 se tornou gigante e isso é algo que sempre vai perseguir uma banda que luta para não perder o fio de sua existência. Por isso assistir a The Joshua Tree Tour é tão importante. Esqueça o lindo telão que está atrás da banda. Ali na frente estão os quatro caras e seus instrumentos mostrando que não esqueceram de onde vieram.

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