All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Previous Next

Orishas - Tropical Butantã (01.12.17)

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Não foi amplamente divulgada em meio a um calendário tão intenso como desse segundo semestre, por isso não se culpe se não sabia da realização do show. Ainda assim a procura foi tanta que, mesmo com ingressos em valor acima da média, a turnê de reunião do trio cubano Orishas levou ao Tropical Butantã praticamente a capacidade da casa, algo perto de 2500 pessoas na última sexta-feira, 1 de dezembro.

Criado na virada do século, o Orishas por Ruzzo Medina, Yotuel Romero e Roldan Gonzalez, o trio sempre teve potencial para ser uma espécie de Beastie Boys latino. Intenso, louva sua cultura e sabe fazer uma música dançante o suficiente para agradar até mesmo quem não é um dos maiores fãs de hip hop. Com quatro álbuns, sendo último deles o bom Cosita Buena (2008), o trio voltou nos últimos anos para o lançamento de algumas faixas e embarcou novamente em turnê, mostrando sua força mesmo após o sumiço do mainstream.

Transformada em show/balada, a apresentação do Orishas em São Paulo levou ao Tropical Butantã um público bastante heterogêneo. Dos fãs mais ávidos até uma parcela de desavisados interessados no boom do Zouk no país, o mais importante foi ver casa cheia para o trio, que subiu ao palco pouco após às 23h30, depois de uma tenebrosa discotecagem que incluiu até mesmo versões de faixas de axé em ritmo reggaeton.

No palco o Orishas faz jus aos dois Grammys obtidos pela banda ao longo de sua carreira. Com uma variação nos vocais e um show bastante orgânico, logo de cara botou o Tropical Butantã para pular ao som de Represent, um de seus maiores hits. Atrevido, que também veio logo de cara, garantiram a euforia. Hay Un Son, que entrou na primeira coletânea da banda, foi outra que empolgou, em um início arrebatador.

Como um trio de hip hop com influências latinas e louvor pela cultura cubana, o Orishas é seguramente um dos nomes mais interessantes desse século. O grande problema surge quando a banda tenta levar além do necessário essa ideia de “influência”, confundindo com a questão de oportunismo que permeia os novos singles do grupo, algo perceptível em Bembe, uma fusão de hip hop com reggaeton fraca e lançada esse ano para embalar a turnê. E essa tônica segue por todas as faixas lançadas pelo trio recentemente, tal qual Eveyday, explorando muito mais o boom de Despacito do que as mazelas do mundo.

Salvo esses poucos momentos, além da desnecessária 7 Nations, uma versão caribenha de Seven Nation Army, do White Stripes, o show do Orishas beira a perfeição. Quando faixas como 537 Cuba, El Kilo e Machete surgem no repertório, impressiona como o som do grupo, algo incomum para qualquer coisa cantada em espanhol no Brasil, chegou forte por aqui. Considerando que foram faixas lançadas há pelo menos dez anos, o trabalho do Orishas conseguiu se fincar a bandeira aqui, o que garante uma verdadeira catarse ao vivo.

Com um show potente, mas que alterna altos e baixos devido ao contraste de seu repertório mais antigo com os novos singles, o saldo da turnê que celebra a reunião do Orishas é mais do que positivo. Diante de um público que parece contrastar com parte de suas letras, o trio cubano parece ter percebido a onda que precisa surfar daqui por diante, o que não necessariamente pode ser bom para quem bebe tanto de algo tão seminal quanto o legado do Buena Vista Social Club. Mas isso é história para um outro momento... por hora fica a certeza do trio ter realizado um dos shows mais intensos do ano em São Paulo. E isso é algo que nenhum novo single poderá apagar.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais