All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Previous Next

Natiruts - Clube Atlético Aramaçan (20.04.18)

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Há algum tempo o Passagem de Som e a Revista Som seguem batendo na tecla de que o reggae vive uma certa distopia da realidade do mainstream nacional. Não tem apoio da grande mídia, raramente leva para espaços consagrados shows que arrebatam multidões de 10, 15 mil pessoas e emplaca lançamentos atrás de lançamentos que transformam bandas até então desconhecidas da grande mídia em verdadeiros fenômenos do underground.

Baseado nisso, ter a chance de ver um show do Natiruts é conferir de perto uma histeria que contrasta com o desespero de uma indústria que parece não encontrar uma forma de levar grupos como Mato Seco e Ponto de Equilíbrio para o mesmo lugar onde Paralamas e Capital Inicial estão.

Em turnê de seu novo – e ótimo – álbum, Índigo Cristal, o Natiruts lotou o Aramaçan, tradicional espaço localizado em Santo André, para mostrar sua força em um show que parece ignorar os mais de 20 anos de carreira, colocando lado a lado faixas cantadas em uníssono do início ao fim.

Composto por 9 músicos no palco liderados pelo carismático Alexandre Carlo, o Natiruts ao vivo impressiona. Seja na cenografia inspirada na bela arte do disco, tanto quanto na performance de uma banda que vem ousando musicalmente há anos e atingiu seu ápice em um trabalho que bebe do jazz e do soul, obviamente caindo nas graças do público.

De cara, não me lembro de ter ouvido o primeiro single do disco, Na Positiva, o suficiente nas rádios (ou ao menos ter ouvido uma única vez) para ter caído na voz do povo como foi visto já na introdução do show, uma catarse só elevada pela avalanche de hits do grupo, como O Carcará e a Rosa e Quero ser feliz também, em uma sequência arrebatadora.

Daí em diante o show ganha ares de mítico. Público dançando, cantando praticamente todas as músicas enquanto a banda improvisa sobre os arranjos de jazz de faixas recentes de Índigo Cristal, com destaque para as boas Caminhando eu vou e Eu quero demais, que no álbum conta com a participação de Ed Motta. Tudo amparado por um milimétrico set permeado por outros muitos – e boa muito nisso – hits da banda, incluindo nessa primeira metade outra cartada definitiva, Presente de um beija-flor.

Vertente que sempre teve no social a base de suas composições, o reggae do Natiruts independe de discursos, trazendo em suas composições mensagens que soam como verdadeiros socos no estômago a quem se dispõe a refletir sobre seu trabalho. É daí que faixas como Deixa o menino jogar ganham ao vivo um ar ainda mais apoteótico, embalando a reta final do show.

Embalado pelo público, ainda há espaço para as boas Natiruts reggae power e o hino Liberdade pra dentro da cabeça darem números finais a um show de pouco mais de 1h30. Digno de uma banda que já escreveu seu nome na história, mas que a história parece se recusar a aceitar o tamanho de sua grandeza, o Natiruts vive hoje dias dourados. Um alento em uma época onde a música precisa, mais do que nunca, ser o instrumento de mudança social que o mundo pede.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais