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Eddie - SESC Pompeia (03.05.18)

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No fim dos anos 90, naquele bonde que trouxe ao país um dos movimentos mais expressivos da música brasileira nos últimos 25, 30 anos, havia a banda Eddie. Formada em Olinda, o grupo fez o que parecia impensável, misturando ao seu rock elementos regionais como o frevo, o samba e até mesmo a música eletrônica. Era mágico. E ainda é.

Quase três décadas depois, o grupo segue na ativa sem as luzes que brilharam com mais força pela estrada da Nação Zumbi e Mundo Livre, mas isso nunca afastou a banda dos seus princípios iniciais, repletos de referências que passam por uma verdadeira avalanche cultural que transita pelas mais diversas mídias.

Seu novo álbum, Mundo Engano, o oitavo da banda, é uma daquelas aulas de musicalidade que impressionam. Com dois shows no SESC Pompeia, nos últimos dias 3 e 4 de maio, a banda (que pode muito bem ser chamada de big-band pelo tamanho da musicalidade que carrega) trouxe a SP seu esquadrão formado por Fábio Trummer (Guitarras e Voz), Alexandre Urêa (Percussão e Voz), Andret Oliveira (Trompetes, Teclados e Samplers), Rob Meira (Baixo) e Kiko Meira (Bateria).

Assistir um show da banda Eddie já era uma experiência intrigante para o velho conceito de rock nos anos 90 e ainda hoje coloca em xeque o que o senso comum aplica sob o gênero. Guitarras nervosas? Refrães impactantes? Não. A música do Eddie caminha por segurança por melodias que agregam à guitarra de Fábio trompetes, sintetizadores e muita, muita cultura popular.

Faixas de seu novo álbum como A Correnteza, Dobra Esquina e Brooklin são algumas das que melhor funcionam em um show que vai além do novo disco e caminha por toda a carreira da banda. Mas não é só música. Nunca foi. Cada verso executado pela banda pernambucana conta com muito mais que música, vide Quebrou, Saiu e Foi Só, clássico do grupo e que entrou no álbum Morte e Vida (2015), disco inteiro inspirado na obra literária do escritor João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina (1955).

E foi um grande passeio pela obra da banda. Destaque para Desequilíbrio, faixa presente no álbum Carnaval no Inferno (2008), que sempre é responsável por um público empolgado e que já perdeu de vista onde começa e termina o rock do Eddie.

Em quase duas horas de show, que – óbvio – acabou com muito frevo, o Eddie mostrou sua relevância em tempos atuais em um show politizado e rico, na maior essência da palavra. Nunca é tarde, mas é sempre bom lembrar que não importa o tempo que passe, certas músicas nunca saem de moda. Não se tratam de movimentos, no caso do manguebeat, mas de uma paixão pela música e cultura de um país que sempre pecou por esquecer sua própria riqueza.

A música passa por aqui.

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