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Reggae Live Station - Espaço das Américas (14.11.18)

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O reggae não é um gênero musical, mas um estado de espírito.

É isso que o público que compareceu em grande volume ao Espaço das Américas, em São Paulo, concluiu após a extensa edição do Reggae Live Station, evento que trouxe ao palco nomes expressivos como Groundation, Dezarie e o lendário grupo inglês Steel Pulse, além dos brasileiros do Cidade Verde Sounds.

Véspera de feriado, muito calor na cidade (algo que já mudou enquanto escrevemos essa resenha) e valores acessíveis para um festival que prometia desde seu anúncio, dois meses atrás. Disposto a atravessar a noite com muito reggae, o Reggae Live Station ousou logo de cara por sua escalação, contando com o Groundation, uma das bandas mais aguardadas, sendo a primeira apresentação internacional da noite, às 22h30. Isso garantiu casa cheia durante toda a noite, embora tenha encurtado o show do grupo americano.

Infelizmente, em virtude do horário (era dia útil e, infelizmente, não vivemos do site), não vimos o Cidade Verde Sounds, erro que será reparado em breve. Por isso o Groundation foi a primeira banda da noite, subindo ao palco com 30 minutos de atraso do horário programado, às 23h.

No palco, o Groundation é realmente um furacão de boas energias. Liderado pelo carismático vocalista Harrison Stafford, o grupo americano lançou recentemente o espetacular The Next Generation, mais uma obra de arte dentro de uma discografia que não cansa de evoluir e romper com os padrões do reggae. São influências de blues e jazz em faixas que exaltam positividade e alto nível técnico. Não a toa, mesmo sem um aparato de mídia para divulgar seu mais recente trabalho no país, a banda funciona com todas as letras na boca do público, que transformou o Espaço dos Américas em uma verdadeira balada.

No repertório, encurtado em virtude da posição da banda no line up, faixas dos álbuns Hebron Gate (2002), We Free Again, lançado em 2004, e do colorido A Miracle, de 2014, além, claro das boas Warrior Blues, New Life e outras de The Next Generation, que caiu na graças do público em 2018. Não a toa, a banda deixou o palco ovacionada, como não poderia deixar de ser em um dos países que mais estreitaram o laço com o Groundation.

Foram necessários quase 40 minutos para que Dezarie assumisse sua posição no palco. Nascida Ilhas Virgens Americanas, seu trabalho era uma incógnita diante da empolgação do público pós-Groundation. Com uma música mais cadenciada, Dezarie apresenta uma música que exige uma imersão maior, tal qual um mantra, para que funcione. Tinha tudo pra dar errado, mas foi exatamente o contrário que aconteceu em um dos shows mais emocionantes da noite.

Engatando seu principal sucesso, Love in your Meditation, logo na segunda faixa do show, a cantora das Ilhas Virgens transborda carisma e boas energias em faixas longas que mantiveram a vibe do festival no mais alto nível. Com quase duas décadas de carreira, houve espaço para faixas de seus cinco álbuns, com destaque para Zion, de Fya (2001), e Gracious Mama Africa, do disco homônimo de 2003. Mesmo para quem já teve a chance de ver Dezarie ao vivo, como esse que escreve essa resenha, não há como negar que era um show especial.

Na mais alta vibe, o Reggae Station invadiu madrugada pronto para receber o lendário Steel Pulse, banda que hoje poderia muito bem ser considerada um Rolling Stones do Reggae, graças às performances do vocalista David Hinds e do tecladista Selwyn Brown.

Mesmo com 1h de espera e um público mais disperso, o Steel Pulse chegou como um furacão no palco para fechar a edição 2018 do Reggae Live Station. Engatando um hit atrás de outro, o grupo inglês saciou a uma verdadeira legião de guerreiros que esperaram até pouco mais de 3h da manhã para conferir uma autêntica lenda do reggae, que nessa altura mostrava-se muito mais um estado de espírito, conforme antecipou essa resenha.

Ver o Steel Pulse é uma experiência muito única. Quatro décadas após sua fundação, assusta a vitalidade da banda no palco, além da qualidade de seus integrantes. Com uma sequência arrebatadora formada por Find It...Quick!, Worth His Weight in Gold e Chant a Psalm, o jogo estava ganho. Com faixas extraídas de seus dois discos mais populares, True Democracy (1982) e Earth Crisis (1984), a festa seguia após o show penetrante de Dezarie. Politizado, o som do Steel Pulse tem o poder de qualquer hino de Bob Marley, saciando a quem se mostrava devoto do gênero há tanto tempo. Bodyguard e Klu Klux Klan, executadas na sequência, levaram o show a um novo patamar, que abriu espaço para jams, especialmente em Drug Squad, uma das melhores do show.

Dispensável dizer o tamanho do êxtase aos primeiros acordes de Steppin´ Out, hino maior do grupo inglês e cantado em uníssono pelo público. Com um bis que ainda trouxe a versão dos ingleses para Franklin´s Tower, do Grateful Dead, a banda se despediu com mais três clássicos da carreira, Roller Skate, Soldier e Taxi Driver, quando o relógio já pontuava quase 4h30 da manhã.

Foi uma grande noite, digna do que se esperava de um line up tão pontual. Que venha 2019 com mais um evento tão acessível (perto dos valores cobrados em outros festivais) e line ups tão certeiros como a edição dessa quarta-feira. Está mais que provado que o reggae e o Brasil tem uma ligação íntima alheia a qualquer tendência. Por isso todos ganham!

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