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The Flower Kings - Carioca Club (16.11.18)

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Como se mede o amor pela música? O que é o amor pela música? Ao se ver a primeira apresentação dos suecos do The Flower Kings no Brasil após duas décadas fica fácil responder a essa pergunta.

Encaixado em um tumultuado calendário, no meio de um feriado (o maior do ano depois do carnaval), ficava difícil competir com a carência do público em ter tantos dias para descansar e viajar. Diante disso, a presença do Flower Kings no Carioca Club no último dia 16 de novembro pode não ter arrastado o público merecido para a banda, mas com certeza aqueceu a todos que estiveram a frente de um dos shows impressionante em todos os aspectos.

Não é “forçação” de barra, muito longe disso. Ver o The Flower Kings é também ver um dos últimos nomes do rock progressivo a construir uma carreira alheia à influência do heavy metal no gênero ao longo dos últimos anos. Oriundo da mesma geração de nomes como Porcupine Tree e Spock´s Beard, os suecos tem como principal mente o guitarrista e vocalista Roine Stolt, além de um caminhão de ótimos músicos e um carisma que justifica o fanatismo por seus fãs frente ao seu vasto catálogo, repleto de álbuns duplos.

Disposto a apagar o hiato longe do Brasil, Roine subiu ao palco do Carioca Club ao lado do parceiro e guitarrista/vocalista Hasse Frosberg, o baixista Jonas Reingold, o tecladista Zach Kamins e o baterista italiano Mirko Demaio pronto para resgatar clássicos do grupo sem a menor preocupação com o seu vindouro disco, Manifesto of an Alchemist, que seria lançado 5 dias depois do show no país.

Sendo assim, não houve cerimônias. Abusando do talento de seus músicos, engatou uma sequência arrebatadora que explorou o repertório de álbuns lançados entre 1994 e 2002, o que incluiu faixas como Stardust We Are, responsável pelo encerramento da primeira parte do show, Last Minute on Earth, do álbum Rainmaker, de 2001, e The Truth Will Set You Free, do disco Unfold the Future, lançado em 2002.

Executando toda a extensão de longas faixas, o show do The Flower Kings é simples e complexo. Simples por fazer com que um trabalho tão detalhado aconteça seja executado de uma forma tão palatável ao público que em nenhum momento estruturas tão complexas parecem incomodar. Existe uma dose de carisma, como se viu em faixas como In the Eyes of the World, outra do disco Stardust We Are, que coloca a banda em um outro patamar muito maior que o técnico.

Conversando bastante entre cada um dos épicos da banda, Roine se comporta como um verdadeiro artista, disposto a fazer com que seu público – ali dedicado ao trabalho do grupo – entenda aquilo que parece já saber e justifique seu encanto por uma música complexa e alheia ao universo pop. É quando a mágica acontece.

Dessa forma foram duas horas de (boa) música e muitas, muitas estruturas inacessíveis ao homem comum, mas ainda assim palatáveis para ele. É baseado na simplicidade que o Flower Kings construiu sua história. Não precisando ser simples, mas parecendo ser. Ou você acha que Owner of a Lonely Heart do Yes é uma fácil de ser tocada?

Graças a esse tipo de cultura e da paixão pela música, grupos como o Flower Kings são possíveis. E mesmo que dessa vez não tenha contado com um público do tamanho de sua história, a paixão da banda em pouco reduzirá a devoção pelo público brasileiro, afinal, viajar milhares de quilômetros para ver alguém cantar sua música e se emocionar a frente de seus olhos justifica qualquer resposta oriunda do início desse texto sobre o amor pela música.

A música passa por aqui.

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