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Gang of Four - SESC Pompeia (23.11.18)

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Uma noite em 77.

Não, não tem nada a ver com o lendário Festival de Música Popular Brasileira, realizado em 67, mas com a sensação que muitos dos presentes tiveram na última sexta-feira, 23 de novembro, durante a apresentação do lendário grupo inglês Gang of Four no SESC Pompeia.

Somente com Andy Gill da formação original, o Gang of Four teve pouca sorte quando comparado a uma parcela significativa das bandas punks que escreveram um capítulo especial na música durante o ano em que lançou seu primeiro álbum, Entertainment!, quatro décadas atrás. Ainda assim manteve sua assinatura, escreveu seus clássicos e por isso esgotou rapidamente os dois shows em SP. Além de Andy, completavam o time o performático vocalista John Sterry, do baixista Thomas McNeice e do baterista Tobias Humble.

Palco escuro, iluminação baixa, casa cheia e fãs em sua maioria mais velhos que boa parte do line up da banda posicionavam-se abaixo de um legado de quarenta anos nas costas. Não ia ser fácil e parecia estranho. Com uma diferença tão grande de idade, era impossível olhar para o palco e não ter uma sensação de estranhamento diante de um nome tão clássico da história do rock.

Vale ressaltar nomes como The Guess Who e Yardbirds, que muito possivelmente também encontraram problemas nesse sentido, mas só dessa forma a vitalidade do Gang of Four não poderia ser perdido. E não foi.

Nos primeiros acordes de Anthrax (a última de Entertainment!) havia atitude, mas parecia não ter a pegada que parte do público esperava. Com um guitarrista provocativo, o Gang of Four mostrava que o fato de pertencer ao seleto grupo de 77 não o colocava no mesmo ritmo de bandas como Ramones ou Sex Pistols. Era diferente, como se a banda tivesse sido encaixada no grupo de forma descontextualizada. Ao vivo, o Gang of Four soa pós-punk, e dali entende-se porque nomes como REM e U2 beberam tanto do som da banda.

Em uma primeira metade mais arrastada, a banda não empolgou tanto como se imaginava, mas trouxe bons momentos. Paralysed, do álbum Solid Gold, e I Parade Myself, de Shrinkwrapped, roubaram a cena, mas foi a partir de Lucky, faixa do EP, Complicit, lançado em 2015, que o SESC Pompeia explodiu de vez.

Maior hit da banda, Damaged Goods surgiu no meio do set para literalmente incendiar uma plateia que parecia finalmente ter a perfeita noção daquilo que estava no palco. Uma verdadeira lenda do punk mundial. Foi assim que faixas como Do As I Say, I Love a Man in a Uniform e Why Theory? trouxeram o público pra perto, com destaque para a própria performance de Gill e do vocalista John Sterry, que parecia ter sido removido dos anos 70 por uma máquina do tempo como uma mistura de Ian Curtis e David Byrne.

Na reta final, dedicada a Entertainment!, At Home He's a Tourist, Return the Gift, Ether e I Found That Essence Rare ainda fizeram a alegria do público, dignificando um show que fez jus ao legado de uma banda que sempre esteve a frente de seu tempo.

Talvez não tenha sido exatamente uma noite como em 77. Talvez um pouco mais a frente. Em tempos onde a velocidade parece ser sinônimo de punk rock, Andy Gill deu outra aula. Mostrou que sua música sempre foi questionadora o suficiente para causar estranhamento, mas também para garantir seu lugar ao lado das grandes lendas de uma vertente que nunca vai morrer.

A música passa por aqui.

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