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L7, Soul Asylum, Pin Ups e Deb and the Mentals - Tropical Butantã (02.12.18)

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Faz 25 anos que o L7 pisou no Brasil pela última vez. Donita Spark não, chegou a vir solo ao país, mas não era o L7. Por esse motivo justifica-se desde o início dessa resenha todo o tamanho da expectativa em torno do evento realizado pela Powerline, que contou no último domingo, 2 de dezembro, com L7, os conterrâneos do Soul Asylum, o veteraníssimo Pin Ups e o novo Deb and the Mentals, que tocaram para um Tropical Butantã lotado como há tempos não se via.

Evento que já se desenhava histórico desde o anúncio de sua principal atração, a presença do L7 tinha no domingo a concorrência pesada de Morrissey, que tocou no Espaço das Américas, mas que no fim das contas só mostrou como uma cidade do tamanho de São Paulo é capaz, sim, de receber tantos grandes eventos em um único fim de semana. Com o reforço do Soul Asylum, que foi escalado uma semana antes após o cancelamento do Fábrica Festival, em Sorocaba, a expectativa atingia um nível poucas vezes visto na cidade.

Com casa cheia, a primeira banda que vimos foi o Pin Ups. Depois de uma entrevista incrível realizada com o Passagem de Som, o grupo que foi – e segue sendo – um pilar do movimento guitar nacional mostrou que o tempo só foi generoso com o grupo, que preservou seus fãs e vem abrindo portas enquanto se prepara para um novo álbum em 2019.

Com uma discografia até certo ponto extensa, o grupo hoje formado por Zé Antonio Algodoal (guitarra), Alê Briganti (baixo e vocal), Adriano Cintra (guitarra) e Flavio Cavichioli (bateria) soube como poucos fazer barulho, muito. Cativou o público que já lotava a casa com um repertório que explorou material de álbuns dos anos 90 como Jodie Foster (1993), executando faixas emblemáticas de seu repertório como Going On e TV Set. Em quase uma hora de show fez questão de mostrar que sempre foi uma banda fora da curva e que não faz a menor questão de seguir padrões. Deu gosto de ver, afinal, não é todo dia que você acompanha alguém que cresceu junto com você e embalou sua adolescência em um evento onde ficava clara que todas as motivações eram exatamente as mesmas.

Sem atraso e com casa já cheia, era a vez do Soul Asylum, o grande presente para quem já tinha certeza que estaria diante de uma noite especial. Dono de hits que embalaram a adolescência de muitos dos presentes, a banda liderada pelo vocalista e guitarrista Dave Pirner sempre foi bastante associada ao movimento grunge, mas sua música sempre teve contornos que beberam do folk, desafiando momentaneamente as distorções que tanto marcaram o movimento.

Ao contrário do que se imagina, o Soul Asylum não parou no tempo e veio ao Brasil com disco novo, Change of Fortune, lançado ano passado. O disco sucede o ótimo Delayed Reaction, de 2012, um dos mais divertidos da banda. Ainda assim o que contou na apresentação do Soul Asylum foi sua coleção de hits dispostos no tracklist do seminal Grave Dancers Union, de 1992.

Esbanjando carisma, o show do Soul Asylum é contagiante e pontuado por momentos de pura catarse, a primeira delas logo com Misery, um de seus maiores hits. Desafiando o som baixo, a banda no palco empolga pela vitalidade de seus integrantes, com destaque para a segunda guitarra da banda, de Ryan Smith. O baixista Winston Roye e o experiente baterista Michael Bland – que já tocou com Bowie – completaram o time, que mostrou uma clara satisfação em ver faixas como Somebody to Shove levantaram o público que a essa altura já deixava o Tropical Butantã. Black Gold e, claro, Runaway Train foram outras que garantiram ao Soul Asylum o posto de co-headliner com o legado respeitável que a banda carregava.

Era hora do L7. Era hora de transformar o Tropical em um verdadeiro pandemônio, por isso muita coisa precisa ser dita antes. A primeira delas é que a sacada de trazer uma banda que há tanto tempo não pisava no Brasil foi sim uma das sacadas mais ousadas da Powerline em 2018. Some a isso bandas como Built to Spill, que nem em sonhos caberia no calendário do público local. Chamado um dia de “Ramones de saia”, o L7 é ao vivo a gênese de tudo que transformou bandas como o próprio Ramones e o Motorhead em lendas. É pura atitude e muito, muito barulho. E o público não podia decepcionar, tal qual não decepcionou.

Em uma realidade de celulares e um público cada vez mais em estado catatônico, o L7 incendiou a pista do Tropical Butantã de tal forma que a sensação mais coerente não era de que a banda havia ficado 25 anos sem vir ao país, mas de que o público havia sido transportado 25 anos para seu passado, explodindo com os primeiros acordes de Deathwish, faixa do álbum Smell the Magic, de 1990. Disco que contou com a produção do papa Jack Endino.

A partir daí foram só clássicos. Everglade, Andrew e Monster deram ao público um êxtase digno das grandes bandas do rock. Acompanhadas em uníssono pelo público e explodindo no palco, Donita Spark teve até tempo de um tropeço engraçadíssimo no início do show, sendo amparada pelo roadie e gargalhando no palco, que tinha ainda a carismática Jennifer Finch no baixo, a guitarrista Suzi Gardner e a baterista Demetra Plakas.

Conversando com o público e despejando uma verdadeira avalanche de clássicos de sua carreira, a banda é prova viva de que nem mesmo a distância do país e a ausência de seu repertório afetou sua performance. Mesmo uma faixa mais recente do grupo, I Came Back to Bitch, lançada esse ano, passou em branco.

Fuel My Fire, do álbum Hungry for Stink (1994), One More Thing, do seminal Bricks Are Heavy (1992), e Crackpot Baby, de Slap Happy (1999) foram outras que botaram o Tropical abaixo, literalmente. Com uma mensagem de empoderamento e atitude, o L7 ao vivo pratica uma espécie de crossover entre punk e metal que vai muito além do que se vê, por isso não era surpresa acompanhar headbangers, punks ou indies pulando junto. Como bem disse Donita antes de vir ao Brasil, mesmo com a atitude Riot Grrrl, a música da banda trazia algo agregador, exatamente o que foi visto no palco.

A clássica Shitlist deu números finais a uma apresentação de pouco mais de uma hora, quando o grupo deixou o palco pela primeira vez. Na volta, American Society e o maior clássico do grupo, Pretend We're Dead, coroando um show que chegou ao fim com Fast and Frightening, faixa gravada em 1990 no álbum Smell the Magic. E assim o L7 assim escrevia história novamente no Brasil.

Não é exagero dizer que a apresentação das americanas foi uma das melhores realizadas no Brasil em 2018, e a culpa não é só delas. Some aí a felicidade do público, o certeiro line up do festival, o horário dos shows e o amor pela música e não há como dar errado. Um acerto que ai permanecer em um lugar especial não só dos organizadores da Powerline, mas principalmente de cada fã que saiu do Tropical Butantã exausto como a pouco não se via.

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