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Ratos de Porão / Surra - SESC Pompeia (02.08.19)

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Vivemos uma época em que somos obrigados a celebrar/lamentar o passado. E pensar nisso no que diz respeito ao álbum Brasil, lançado em 1989 pelo Ratos de Porão é algo meio paradoxal. Trata-se de um clássico, claro, mas infelizmente ainda atual. E foi com base nele que o SESC Pompeia esgotou ingressos durante dois dias para receber a seminal banda punk paulistana, além do novíssimo Surra, um daqueles grupos que merecem a nossa atenção e que se mostra mais do que preparado para segurar o bastão no que se refere à renovação dessa cena crossover.

Tudo é rápido e intenso. Urgente. Com duas bandas e um repertório que os separa por três décadas, somados os shows de Ratos e Surra não ultrapassaram duas horas, mas a mensagem certamente vai ultrapassar muitos anos.

Formado por Leeo Mesquita (Vocal/Guitarra), Guilherme Elias (Baixo/Vocal) e Victor Miranda (Bateria), a banda lançou recentemente o ótimo Escorrendo pelo Ralo, esbanjando uma sintonia com a realidade em cada letra que corresponde exatamente ao discurso de Brasil, o clássico do Ratos de Porão apresentado naquele dia. E foi ele quem serviu de base para o show, de pouco mais de 30 minutos. Já consolidado no underground, o Surra já conta uma discografia e base de fãs importante para sua sequência, extremamente positiva. Com sua fusão de trash punk, a banda santista é a bola da vez. Guarde esse nome.

Já o show do Ratos de Porão é previsível, no melhor sentido da palavra. A famosa desgraceira promovida por João Gordo e sua banda é algo que, mesmo visto tantas vezes, ainda impressiona. Impressiona porque não envelhece, assim como seu discurso.

Ainda que contenha hits em seu tracklist, caso de Beber até morrer, que tocou até na MTV, o que faz de Brasil especial é o seu contexto, escancarando o pior de um país que não deixa o disco soar nostálgico.

Sobrou para autoridades, sobrou até para Neymar, mas sobrar não é a palavra correta. Nos poucos momentos em que discursou, Gordo mostrou o lado profético do disco e a importância de ser resistência.

Assim como foi dito no início, foi rápido e devastador. Mas mais do que isso, foi profundo, reafirmando a condição da música como agente de mudança. E se você saiu desse show sem refletir sobre tudo o que aconteceu, acredite, há algo muito errado com você.

A música passa por aqui.

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