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Festival MBoraí - Centro Cultural Rio Verde (31.08.19)

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Existe uma sensação de megalomania quando se pensa na palavra “festival” e tempos atuais. Talvez por dimensionarmos mentalmente com os superlativos Lollapalooza e Rock in Rio, soa errôneo imaginar um evento que contemple algumas poucas centenas de pessoas e transforme sua realização em um marco na vida das pessoas. Foi assim com o Festival MBoraí, que ocupou o ótimo Centro Cultural Rio Verde, na regiões oeste da capital paulista no último sábado, dia 31 de agosto.

No line up, a novíssima Naia Camargo, que em breve lançará seu EP Caetane-se, com releituras do papa da MPB, e o divertidíssimo Samuca e a Selva, além da DJ Carol Navarro, conhecida por seu trabalho com o Supercombo. Artistas escolhidos a dedo para garantir uma noite capaz de mostrar ao público presente que a diferença está nas pequenas coisas.

Realizado em um fim de semana onde São Paulo tinha em seu cardápio uma gama de atrações impressionante, o Festival MBoraí conseguiu levar um bom público na fria madrugada da cidade, que ainda encarava uma virada de tempo que faria o menos acostumado optar por sua cama ao invés da noite fora de casa. Diante disso, não há dúvidas de que a noite começou correta. Em meio muita música brasileira e latinidades, Carol Navarro aqueceu o público até que Naia subisse ao palco para se enveredar pelo sagrado da música brasileira.

Falar sobre o show de Naia, que teve foco nas versões de Caetano, é falar sobre como a MPB atual se desprendeu de um universo do “banquinho e violão” para percussões e sintetizadores. Tudo ainda BEM brasileiro. Demonstrando desenvoltura, a artista nascida em SP surge como aposta, mas com maturidade de veterana. Cantou – além do homenageado de seu EP – nomes que iam de Criolo a Cazuza, garantindo performances que agradaram e empolgaram o público, em especial no encerramento do show, com Água, de Caetano Veloso. É quando cai a ficha de que ficar de olho no trabalho de Naia Camargo não é mais opção.

Já no meio da madrugada, a pausa para a apresentação de Samuca e Selva se deu de forma tão rápida e surpreendente que pegou todo mundo de surpresa. Tal qual a banda de Samuel Samuca se fez quando lançou seu álbum de estreia, o espetacular Madurar, que dá base ao seu show ao lado do interessante “Tudo o que se move é sagrado”, repleto de releituras e convidados.

Sempre presente em São Paulo ao lado de sua Selva, o grupo formado por Samuca soa como um vulcão pronto para explodir. O show tem clima de balada, se envereda por ritmos brasileiros e tem a energia de um show de rock. Como uma versão turbinada de Expresso 2222 de Gilberto Gil, impressiona a vitalidade do vocalista e seu grupo, que garante em seu repertório a certeza de que cada segundo valeu a pena.

Sim, já existem aqueles “clássicos” no repertório. É assim que faixas como Madurar e Detergente, literalmente, incendeiam a pista do show. Outro bom destaque do repertório veio nas versão de O Trem Azul, do Clube da Esquina, que ganhou uma empolgante versão na voz do líder do heterogêneo coletivo.

Ao longo de quase 1h30, Samuca tem convidados – caso do rapper Lage – e muita interação com o público. Tem protesto, mas muito mais que isso, tem uma conexão que vai além de um ou outro nome. Amparado por esse discurso, Pantanal Paraguayo faz com que o show ganhe números finais. E nessa onda mezzo salsa mezzo carnavalesca, o turbilhão musica proporcionado pela Selva faz do evento uma lição de humanidade. O curto bis com Flores Raras, com ainda contou com a presença de Naia no palco, foi o fim perfeito para um evento que exaltou a brasilidade acima de tudo. E o Brasil é verde.

A música passa por aqui.

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