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John McLauhglin - Teatro Bradesco (29.03.16)

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Um dos maiores gênios das seis cordas, John McLaughlin sempre carregou em torno de sua técnica e feeling uma quantidade imensurável de elogios. Considerado um daqueles nomes inquestionáveis na história da música, o guitarrista americano retornou ao Brasil para a divulgação de seu mais recente álbum, o ótimo Black Light, lançado em 2015.

Ao lado de uma banda que reúne em torno de si muito mais que bons músicos, John McLaughlin subiu ao palco do luxuoso Teatro Bradesco no último dia 29 de março disposto a repassar sua carreira, mas foi bem além disso. Em um show de mais de duas horas, o lendário guitarrista apresentou ao público um nível tão alto de musicalidade que deixa claro que o mundo da música ainda é um território largamente inexplorado para nós.

Acompanhado pelo baixista camaronês Étienne M'Bappé, o baterista indiano Mark Mondesir e o tecladista/baterista inglês Gary Husband, apresentou faixas que contemplaram as mais diversas parcerias de sua extensa carreira. Mas como não poderia deixar de ser, deu foco especial para seu último trabalho, que em nada se distancia do legado construído ao lado de nomes como Santana, Miles Davis e tantos outros que dispensam apresentações.

Contando com a versatilidade de músicos que transitam não só pelo rock e o jazz, vertentes que mais marcaram sua carreira, mas pelo funk, a música indiana, o blues e até a música flamenca, John justificou a aura de mito em torno de sua figura. Abrindo espaço para sua banda, fez faixas de Black Light ganharem vida como uma precisão descomunal. Destaque para as ótimas Kiki e El Hombre Que Sabia, onde fez questão de relembrar o amigo Paco de Lucia com uma serenidade tocante.

Conversando bastante, John age com seus ídolos e ex-parceiros com a mesma devoção que vê seu público reagir diante de sua presença. Essa sintonia engrandece ainda mais a obra de artistas como Pharoah Sanders, lembrado na espetacular Light at the Edge of the World, e o sempre lendário Ravi Shankar, em Panditji, uma das mais belas faixas do show.

Sem oscilar ao longo de mais de duas horas, McLaughlin construiu um repertório que nem de perto peca pela morosidade. Intenso do início ao fim, trabalha – e vê seus músicos trabalharem – em um ritmo quase alucinante, o que dá dinamismo para uma apresentação irrepreensível e intensa, um verdadeiro passeio por uma das mais belas histórias do mundo da música. E é justamente por isso que a mágica funciona.

Se hoje em dia é comum pensar em músicos buscando novas influências, no caso de Mclaughlin isso está um degrau muito acima, já que referências tão distantes do grande público como o flamenco e a música indiana estão absorvidos de forma clara em sua música. Dessa forma se torna impossível prever o próximo andamento, a próxima virada. Com músicos do calibre do 4th Dimension, o show do guitarrista americano soa seguro e afiado, muito afiado.

Ao retornar para o bis com a clássica You Know, You Know, clássico absoluto do esquadrão da Mahavishnu Orchestra, McLaughlin coroa uma apresentação que dificilmente sairá da memória do pequeno público que lutou contra o vasto calendário da cidade de São Paulo para presenciar um dos melhores shows de sua vida.

Mas tanto quanto um show, a apresentação do guitarrista americano é também uma aula sobre sentimentos. Sobre técnica e gratidão. John McLaughlin conquistou o público com muita técnica, mas nada disso seria alcançado se cada uma delas não carregasse uma dose tão intensa de sua paixão pela música.

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