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Iron Maiden - Allianz Parque (26.03.16)

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Escrever sobre uma apresentação do Iron Maiden quase sempre segue um roteiro que envolve as palavras “emoção” e “fanatismo”. Some a isso um ótimo álbum na bagagem, The Book of Souls, lançado em 2015, e teremos os ingredientes suficientes para uma catarse única, certo? Agora adicione a tudo o que foi dito anteriormente o fato do vocalista Bruce Dickinson ter vencido um câncer na língua antes do lançamento do disco. Sim, tudo conspirava para um show especial, com ingressos esgotados e um público eufórico, que garantiu na última noite de 26 de março uma das mais especiais apresentações da banda inglesa no país.

Com abertura do Anthrax, um dos integrantes do Big 4, o público que lotou o Allianz Parque garantiu casa cheia mesmo horas antes da apresentação, elevando a expectativa a algo similar ao da primeira passagem do Iron Maiden pelo Brasil, em 1985.

O relógio marcava pouco mais de 21h quando o riff de Doctor, Doctor, clássico do UFO reverenciado pelo Iron Maiden, desse o alerta de que Bruce, Steve e sua legião de guitarristas tomassem o belíssimo palco montado para a turnê do disco The Book of Souls. E assim tinha início o último show da turnê pela América do Sul.

Sem surpresas e dando pelo menos 50% de seu repertório ao novo álbum, o show do Iron Maiden parecia tardar a embalar. Erro. Desde o início com as novas composições na ponta da língua, faixas como If Eternity Should Fail e Speed of Light levantaram o Allianz até que Children of Damned surgisse no repertório e arrebatasse de forma definitiva aos mais de 40 mil presentes.

Com um palco gigante e repleto de imagens que faziam referência à arte do disco, Bruce corria e incitava o público como sempre fez. Ao seu lado, o trio de guitarristas seguia à risca aos anseios de um público que em sua maioria sabe o que esperar da banda e não apresenta sinais de cansaço disso. Do novo álbum ainda se destacaram faixas como a épica The Red and the Black e Tears of the Clown, mostrando que podem permanecer no set nas próximas turnês.

Mas é com os clássicos que o show do Iron Maiden justifica todo o fanatismo em torno da figura de Eddie. Impossível não se contagiar com a execução de faixas como The Trooper, Hallowed be thy Name ou Fear of the Dark, sempre entoadas a plenos pulmões em qualquer lugar do mundo.

E a magia de cada uma dessas faixas pode ser perceptível em uma geração que, mesmo frente a várias turnês da banda pelo país, está ali pela primeira vez. Renovável como a energia da banda, a audiência do Iron Maiden é seguramente o fio condutor que faz de seus shows algo tão grandioso e incomparável quanto os grandes nomes da história.

Seguindo o script original, Iron Maiden trouxe a cabeça de um Eddie atrás da banda, que funcionou muito bem com o palco preparado para a turnê. No bis, The Number Of The Beast e a surpresa (e descartável) Blood Brothers foram os últimos suspiros de um show que encerrou com a clássica Wasted Years.

Escolhida para dar números finais ao show, a letra de Wasted Years mostra exatamente o sentimento do Iron Maiden no palco a cada turnê. Os versos em que Bruce canta “Não perca seu tempo sempre procurando pelos seus anos perdidos /  Encare... resista  / E entenda que você vive nos anos dourados” nunca fez tanto sentido para uma banda que tem uma ligação íntima com o Brasil.

Mais uma vez o Iron Maiden escreveu no país uma parte importante de sua história. E a julgar pela cara de satisfação – tanto da banda como do público – a expectativa por um novo show nunca vai se esvair ao longo dos próximos anos.

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