All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Lollapalooza Brasil - Autódromo de Interlagos (13.03.16)

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

O segundo dia de Lollapalooza trouxe a São Paulo não só uma variedade maior de bandas, mas uma frente fria que se acentuou na noite do sábado e deu as caras com maior intensidade no fim do domingo.

Com um line up que tinha como destaque o ex-guitarrista do Oasis, Noel Gallagher, a cantora Florence and the Machine e o DJ Zedd, o evento trazia um público ainda em clima de ressaca da noite anterior, tardando a ocupar toda a extensão do Autódromo.

Diferente do primeiro dia, o Palco Axe tinha seu som extremamente mais alto desde o início do dia. Quando demos início à cobertura tínhamos o guitarrista dos Strokes, Albert Hammond Jr, realizando uma apresentação poderosa e bastante precisa.

Com três álbuns solo lançados, baseou parte do seu setlist no bom Momentary Masters, lançado em 2015. Visivelmente mais empolgado que a plateia, não explorou o repertório dos Strokes e realizou um show bastante preciso. Com um público que desconhecia seu trabalho solo, mostrou boa vitalidade nas boas  Rude Customer e In Transit, faixas que funcionam muito bem ao vivo.

Em praticamente uma hora o guitarrista dos Strokes mostrou que pode sim se virar sem sua banda, uma incógnita no mundo da música atualmente.

Era hora de conferir uma das apresentações mais aguardadas do evento, com o Alabama Shakes no Palco Onix. Uma verdadeira viagem para um público que logo cedo começou sua peregrinação pelo Autódromo. Com uma bagagem muito maior que em sua primeira turnê pelo país, a banda da vocalista e guitarrista Brittany Howard voltou disposta a não cometer os primeiros erros de sua primeira apresentação no país, mas não foi exatamente isso o que aconteceu.

É inegável que a música do Alabama Shakes é agradável e bem tocada, mas também é nítida uma certa imaturidade de sua bandleader em conduzir uma apresentação serena como sua música. Mais empolgada que o público, Brittany faz caras e bocas e por vezes soa deslocada no palco, o que afeta o desenrolar de faixas que deveriam ser o fim de tarde perfeito no Lollapalooza. Rise to the Sun e Hang Loose são bons exemplos disso.

Somente mais ao final é possível ver a empolgação do público se recuperar graças a alguns dos principais hits do grupo, caso de Hold On. Ainda que não decepcione, fica claro que o grupo americano tem muito, mas muito mais a oferecer do que aquilo que foi visto na ediçãoo 2016 do Lollapalooza.

Uma das principais atrações do dia, Noel Gallagher e seu High Flying Birds saciaram aos fãs do Oasis em um show onde a vitalidade e qualidade da banda do guitarrista sobrepujaram o desconhecido repertório de sua carreira solo. Com dois discos lançados, o último deles o bom Chasing Yesterday, o guitarrista fez questão de pontuar sua apresentação com clássicos de sua ex-banda, impedindo o público de dispersar. Champagne Supernova foi a primeira de 3 clássicos, que ainda teria Wonderwall e Don't Look Back In Anger com seu final apoteótico.

Fora isso, Noel viu o contemplativo público ouvir a faixas que nada devem ao seu trabalho com o Oasis, mas que como é comum em shows de ex-integrantes de bandas famosas, acabaram sendo ignoradas.

Já com a noite em vista, o Lollapalooza viu uma de suas principais atrações arrebatar praticamente todo o público do festival. No Palco Onix, o Jack Ü contou com uma lotação que só fora superada durante a apresentação da noite.

Com Diplo e Skrillex a frente do projeto, o Jack Ü realizou uma apresentação grandiosa, mas dotada de uma certa falta de senso crítico. Se por um lado os telões impressionassem a cada um dos presentes no extenso morro onde o palco se situa, por outro tínhamos um repertório escasso de hits grandes como o projeto. Mas isso não importava, ao menos para o público presente, que chegou a conferir trechos de faixas de Wesley Safadão e nomes em evidência do funk atual com a mesma euforia das faixas do disco de estreia do projeto.

Mesmo tratando-se de um projeto de música eletrônica, o Jack Ü não faz dançar como fez o Jungle, solitário no palco Axe. Com um público diminuto, mas visivelmente empolgado, o grupo inglês fez os presentes dançarem com estilo, principalmente por basear seu repertório em seu álbum de estreia, lançado em 2014. Não é difícil dizer que o Jungle foi a grande surpresa desse segundo dia, principalmente ao encarar de frente o mega projeto de Diplo e Skrillex

Com três headliners de ótimo nível dispostos em três palcos, não foi fácil escolher qual nome encerraria a edição 2016 do Lollapalooza. Palco Skol com Florence and the Machine, Zedd no Palco Trident e Planet Hemp, que substituiu Snoop Dogg no Palco Axe.

Escolhemos o Palco Skol para conferir a apresentação de Florence Welch e sua refinada banda diante de um público que lotou a área destinada para a apresentação. Ainda maior que em sua última turnê pelo país, chega a impressionar o tamanho da devoção conquistada pela ruiva, que no palco funciona como uma espécie de entidade diante de um conto de fadas.

Com um repertório que praticamente não toca nas rádios brasileiras, Florence comprovou o grande sucesso de seu último disco, How Big, How Blue, How Beautiful (2015) teve no Brasil. Ainda que um certo exagero na performance possa comprometer o andamento no show, chega a impressionar o dinamismo com o qual a artista inglesa faz seu show render.

Da belíssima What the Water Gave Me, passando por um de seus hits, Shake It Out, impressiona como o show cresce em vibração, mesmo nas baladas. Essa tônica foi sentida durante toda a apresentação, de quase 1h30. Destaque para as boas No Light, No Light e, claro, Dog Days Are Over, facilmente o grande momento desse segundo dia de festival.

Enquanto isso, no Palco Trident, Zedd fez o que Kaskade não conseguiu fazer no dia anterior. Ao melhor estilo “David Guetta” despejou uma quantidade infindável de hits enquanto contava com a presença de Skrillex nas pick-ups. Com palco cheio e uma vibração acima da média, encerrou o surpreendente palco com chave de ouro, mostrando que a música eletrônica se faz necessária em um festival como o Lollapalooza.

Ainda antes de encerrar a noite, foi possível ver o Planet Hemp encerrando uma apresentação potente e absurdamente alta, capaz de fazer o séquito público de Marcelo D2 e cia esquecerem que Snoop Dogg era quem deveria estar ali naquela noite.

Encerrando pontualmente às 22h, o Lollapalooza 2016 novamente surpreendeu aos mais críticos. Ainda que a ausência de bandas de rock tradicionais incomode uma parcela significativa do público, se torna inegável que dentro dessa “miscelânea” toda existe uma engrenagem que roda perfeitamente e agrada a todos os públicos.

Com uma estrutura que melhora a cada ano, cada vez mais o Lollapalooza consegue o feito de proporcionar uma experiência especial ao seu crítico público. Com novidades e shows que não cansam de surpreender, o evento criado por Perry Farrell pode até não ter a força de outrora, mas segue firme e forme apresentando tendências.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais