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Pearl Jam - Morumbi (14.11.15)

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Beatles, Stones, Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd... Pearl Jam. Oriunda da cena grunge da década de 90, a banda liderada pelo vocalista Eddie Vedder soube como poucas romper a barreira do tempo para se manter relevante, portanto, nada mais justo que colocar a lendária banda de Seattle ao lado das principais bandas da história.

No Brasil pela quarta vez, o Pearl Jam realizou na noite de 14 de novembro mais uma apresentação na capital paulista com ingressos praticamente esgotados no distante estádio do Morumbi. Com o mundo ainda em estado de choque pelos recentes atentados em Paris, o Pearl Jam subiu ao palco com apenas dez minutos de atraso disposto a mostrar que a música pode mudar o mundo para realizar um dos melhores shows de 2015.

Com um setlist mutável a cada apresentação, era impossível prever o que Eddie Vedder e sua trupe haviam preparado para o público paulista. Exatamente por isso cada show do grupo americano parece ser uma experiência única, imprevisível e que dificilmente carrega alguma dose de frustração. Com um desenho da Torre Eiffel anexado ao bumbo da bateria de Matt Cameron, a banda deu início a uma longa viagem por seu repertório abusando do clima introspectivo, abrindo com  a bela Long Road, fruto de sua colaboração com o canadense Neil Young.

Of the Girl, do álbum Binaural e Love Boat Captain, de Riot Act, encerraram a primeira trinca do show dando espaço para sua primeira explosão, quando o riff marcante de Do the Evolution mostrou que a partida já estava ganha com menos de 20 minutos de show.

A partir daí, alternando muito bem seu repertório, faixas do irregular Lightning Bolt, que dá tema à turnê da banda, ganharam espaço sem incomodar quem foi ao show somente por seus principais hits. Além da faixa-título do álbum, Getaway e Mind Your Manners também deram as caras no repertório, que manteve o público empolgado com as sempre boas Hail Hail e Corduroy, além de Even Flow, responsável pela primeira catarse do show.

Tanto quanto a feliz escolha de um setlist extenso e cheio de surpresas, o que faz (e sempre fez) a diferença na história do Pearl Jam é a forma com a qual cada membro da banda se doa no palco, uma característica marcante em grandes nomes da história do rock. Mesmo que tímido a frente de seu pedestal, Eddie Vedder pula, gira e grita como se estivesse em um pequeno club de Seattle, fazendo com que mesmo aqueles que viajaram para acompanhar a turnê tenham a cada show a mesma vibração de uma banda em início de carreira.

Arranhando um português, Eddie brincou com os problemas técnicos em Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town para colocar o show em sua (primeira) reta final, despejando sobre o Morumbi uma verdadeira avalanche de clássicos da banda como  Given to Fly, Jeremy, Better Man (acompanhada de um verdadeiro temporal, minuciosamente preparado para o momento em que a música ganha força, e nada menos que Rearviewmirror.

Tivesse encerrado ali e a apresentação do Pearl Jam já seria um dos grandes destaques do ano, mas ainda estava reservado para o público um verdadeiro turbilhão de sentimentos, que nasceu embalado pela bela versão de Imagine, de John Lennon. Sirens, outra de Lightning Bolt, e Whipping, do subestimado Vitalogy, abriram caminho para I am Mine, de Riot Act, e as pesadas Blood e Porch, clássicos dos primeiros álbuns do Pearl Jam, Vs e Ten, respectivamente.

Próximo de romper as 3h de apresentação, o incansável Pearl Jam deu início a mais uma sequência arrebatadora, que teve início com a tímida Comatose para depois tirar de vez as dúvidas de quem ainda duvida do poder de fogo de seu arsenal de hits. Com State of Love and Trust, Black, Alive, o clássico cover Rockin' in the Free World de Neil Young e Yellow Ledbetter dar números finais a uma apresentação irrepreensível, que ainda teve como bônus nada menos que All Along the Watchtower, de Dylan, tocada com a agressividade e peso de sua versão mais famosa, feita pelas mãos de Jimi Hendrix.

Com um set de mais de 30 faixas, covers pontuais e a capacidade de dosar seu peso e melodia para um público de mais de 60 mil pessoas, o Pearl Jam mostrou porque é considerada a maior banda da cena pop rock oriunda da década de 90. Dedicado a dar o melhor de si a cada faixa executada, a motivação da banda americana justifica qualquer sufoco que o público encontrou para chegar ao sempre distante Morumbi.

Para aqueles que tiveram a chance de ver a banda pela primeira vez, a sensação de “show da vida” certamente perpetuará por muitos anos. Já para aqueles que acompanharam a banda em todas as turnês pelo país, fica difícil definir qual show se tornou a melhor experiência ao vivo, afinal, depois de uma década após sua primeira apresentação no país, fica difícil achar que o tempo passou para o Pearl Jam.

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