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Dream Theater - Espaço das Américas (04.10.14)

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Pensar no chamado metal progressivo sem pensar em Dream Theater seria como pensar em futebol sem citar o Brasil como referência. Dono de álbuns que definiram o gênero e até hoje mantém um nível acima da média ao lado de qualquer banda que se aventure por uma vertente tão complexa, a banda americana conseguiu ao longo dos anos um respaldo tão grande do público que fica difícil imaginar qual o próximo passo da banda liderada pelo guitarrista John Petrucci e do vocalista James LaBrie, responsáveis por assumir o fardo após a saída do mítico baterista Mike Portnoy.

Em turnê pelo Brasil de seu 12º álbum, o homônimo Dream Theater, de 2013, o grupo americano trouxe ao país uma de suas melhores produções para realizar sua maior passagem em terras tupiniquins, com sete shows agendados. Em São Paulo, o grupo subiu ao palco do Espaço das Américas na noite de 4 de outubro para novamente se consagrar diante de um público eufórico e que cada vez mais se distancia da aura de “músicos que assistem músicos”, uma recíproca que o Dream Theater vem conseguindo anular a cada passagem pelo país.

Com um setlist que intercalou bem alguns clássicos da banda extraídos do seminal Awake (1994) e Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory (1999), a banda subiu ao palco pontualmente às 21h para uma viagem de mais de 3h repleta de solos e uma dinâmica pouco vista em sua história, o que foi preponderante para um andamento que pouco condiz com o tipo de som que realiza.

Diferente das turnês que realizou no Brasil, desde a entrada do competente baterista Mike Mangini, a banda vem mantendo seus setlists engessados, diferente da fase em que Portnoy elaborava cada lista de músicas de acordo com as cidades em que o grupo excursionava, um fator que, considerando a complexidade do som da banda, acabava por extenuar seus integrantes e gerar uma performance distante do que se viu no Espaço das Américas.

Com a abertura concentrada em álbuns mais recentes do grupo, a “acessível” The Enemy Inside, primeiro single de seu último álbum, trazia uma banda dinâmica e com John Petrucci agindo cada vez mais como um guitar hero e não um professor de música, elemento que contagiou rapidamente o público, que por sua vez acompanhou  James LaBrie durante toda faixa de abertura.

Com jogo ganho desde o início e um show dividido em dois atos, sendo um deles baseado em um de seus álbuns mais clássicos, foi possível testar a recepção do público com os últimos lançamentos da banda, caso de The Shattered Fortress, do ótimo Black Clouds & Silver Linings (2008), e a belíssima sequência formada por On the Backs of Angels, do último álbum de Portnoy ao lado da banda, A Dramatic Turn of Events (2011), e Looking Glass, também do último álbum da banda, que ainda trouxe a veloz e impressionante Enigma Machine na primeira parte do set.

Com faixas novas sendo executadas e um público eufórico, o Dream Theater conseguiu em sua primeira metade do show, que ainda contaria com Along for the Ride e Breaking All Illusions, quebrar alguns mitos envolvendo sua imagem. Não, não trata-se de um show parado. Também não se trata de solos intermináveis onde apenas músicos podem desfrutar com toda excelência do espetáculo. E sim, o Dream Theater conseguiu construir uma carreira capaz de fazer com que uma música complexa possa soar acessível e seus últimos lançamentos tenham uma recepção tão calorosa quanto seus clássicos, tratados como verdadeiros hinos a partir da segunda parte do show.

No palco para executar faixas de um de seus álbuns mais emblemáticos, Awake, o Dream Theater não mediu esforços para dar ao público o que ele mais queria e garantiu uma interação maior que de costume enquanto transitava por clássicos como a suíte formada por The Mirror, Lie, Lifting Shadows Off a Dream, Scarred e Space-Dye Vest, garantindo o ponto mais alto do show, que ainda ganhou em sua segunda metade a longa Illumination Theory, faixa que define bem os objetivos do Dream Theater em seu último álbum e transita por praticamente todas as suas influências, abrindo caminho para que a banda deixasse o palco pela primeira vez ovacionado pelo público após pelo menos 2h30 de show.

Ao retornar para o bis, a maior banda de metal progressivo do mundo se aventurou por aquele que é considerado pelo público seu maior álbum e executou parte do repertório de Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, garantindo um final apoteótico e capaz de surpreender até mesmos àqueles que relutaram até o último minuto encarar um show da banda. Com as instrumentais Overture 1928 e The Dance of Eternity , além da explosiva Strange Déjà Vu e a emocionante Finally Free, o Dream Theater realizou um de seus melhores shows em terras brasileiras e mostrou que vive hoje, após tantos estereótipos lhe serem atribuidos e turbulências permearem os últimos anos de sua história, um momento de paz que reflete diretamente em sua performance no palco.

Com uma formação que parece tão sólida quanto o som do grupo, resta ao público aguardar mais um lançamento e turnê pelo país, roteiro certo na história da banda, que construiu ao longo de mais de duas décadas uma ligação íntima com o público brasileiro.

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