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A Ao vivo

Robben Ford - Club A (26.07.14)

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Não há artista sem público e vice-versa. Ingrediente fundamental para a realização de um espetáculo, fica difícil imaginar que a ausência de calor humano frente a uma boa música possa salvar qualquer um dos lados de um desastre musical, mas mesmo assim não foi o que se viu na exclusiva apresentação do guitarrista americano Robben Ford dentro do refinado Club A, localizado na Zona Sul de São Paulo.

Com um excelente álbum na bagagem, o ótimo A Day in Nashville, o guitarrista trouxe ao Brasil um repertório pouco inspirado, mas que acabou funcionando bem diante de um público despretencioso e que acabou tendo na presença de um dos maiores guitarristas da história apenas um couvert de luxo enquanto degustava seu jantar à luz de velas.

Robben Ford, que nada tem a ver com a péssima escolha dos organizadores para apresentar seu trabalho, subiu ao palco pontualmente às 23h para mostrar o porquê de ter sido levado à banda de Miles Davis, Joni Mitchell e George Harrison, abrindo a apresentação sem muita cerimônia com a ótima Lovin Cup, cover da lendária Paul Butterfield Blues Band. Sem firulas e falando pouco, o guitarrista americano mostrou serenidade suficiente para mostrar porque não se importa em caminhar na contramão de uma geração que associa técnica com velocidade, executando as boas All Over Again, de seu projeto Renegade Creation com Michael Landau, e Oasis, faixa extraída do álbum Tiger Walk, de 1997.

Parecendo tímido, Robben Ford se limitou a agradecer a presença do selecionado público e ignorar o fato de apenas uma lateral da improvisada pista dar o real sentido a uma apresentação que se desenhava como irretocável. Earthquake, do álbum Soul on Ten (2009), deu maior dinamismo ao show enquanto o guitarrista dividia bem as atenções no palco com o baixista Brian Allen e o baterista Wes Little.

A reverência ao bluesman Freddie King não demorou a acontecer, quando Cannonball Shuffle ganhou o palco do Club A e acabou rendendo um dos momentos mais emocionantes da noite. Afiado como seu ídolo, Robben Ford deixou claro que sua técnica é inerente a qualquer estilo musical, transitando entre o jazz e o blues com uma facilidade acima da média. Do novo álbum apenas Cut You Loose e Midnight Comes Too Soon surgiram no set, que poderia ter explorado melhor o álbum, muito bem recebido em todo mundo.

A curta apresentação (aproximadamente 1h10) ainda trouxe aos fãs faixas o cover de Paul Simon em There'll Never Be Another You, do álbum Truth (2007), em uma versão longa e inspirada, momento em que Robben Ford pareceu finalmente abandonar o caminho adotado durante toda a apresentação, que ainda contou com a poderosa trinca formada pelas belíssimas Supernatural, Oh Virginia e Start It Up, de 1992, época em que se apresentava com a Blue Line Band.

Com a mesma timidez com que subiu ao palco o guitarrista o deixou pela última vez. Sem o calor de uma apresentação que tecnicamente impressionou tanto quanto a ausência de vibração de uma das principais partes envolvidas em um espetáculo, Robben Ford fez o que era necessário para justificar a exigência que seu currículo eternamente vai lhe cobrar. Ter na carreira tantos nomes grandes não é um fardo para um guitarrista reconhecido por sua simplicidade, elemento que acabou comprometendo o resultado final de uma apresentação que tinha tudo para ser ainda mais histórica.

A música passa por aqui.

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