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Steve Vai - Citibank Hall (08.12.13)

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Considerado um dos maiores guitarristas da história, Steve Vai finalmente trouxe a São Paulo um show que não estivesse atrelado ao grandioso projeto G3 ou que fosse em um espaço minúsculo como o Bourbon Street, como na última vez que desembarcou por aqui. Em turnê de divulgação do elogiado The Story of Light, o guitarrista americano novamente mostrou ao vivo os motivos que o levaram a acompanhar alguns dos grandes nomes da história do rock com um show digno da expectativa criada pelo bom público que compareceu ao Citibank Hall (antigo Credicard Hall) na noite de 8 de dezembro.

Embora cercado de boas referências, todos os ingredientes para uma casa vazia estavam lá. Excesso de shows no mesmo período, local afastado e grande demais, domingo à noite e etc. Porém outra evidência saltava aos olhos e talvez justificasse o bom público, já que nos corredores os fãs comparavam este show com o de 2000, outros com o de 1997, mostrando que sua plateia prestigia seu show não importa quantas vezes ele venha ao país. Os pais, alguns presentes na primeira apresentação em 1995, hoje levam seus filhos aos shows e assim por diante.

 

Outra curiosidade é que certamente uma das maiores lembranças para boa parte dos fãs era de mais de dez anos atrás, quando o guitarrista brincava com a plateia narrando uma conversa entre um homem, fã do guitarrista, e sua namorada. O homem tentava convencer a garota a ir com ele ao show. A resposta dela era o trocadilho "Steve quem? Eu quero ir no show do Rick Martin!". Na sequência, Vai usava efeitos do seu arsenal de pedais para emular uma voz feminina, que dizia: "Ah sim, aquele guitarrista do Whitesnake."

Como um guitarrista que prima pela perfeição, Vai subiu ao palco ao lado de uma banda de “apoio” (explico as aspas adiante) afiadíssima, com músicos que acompanham o guitar hero há mais de uma década e que sabem que, no mínimo, tudo tem que sair perfeito, tão perfeito que Vai deixa o palco para que sua equipe corrija sua pedaleira e o show possa seguir, minutos depois, da maneira que um show de um dos mais perfeccionistas guitarristas da história deve ser.

E também vale videnciar que o público merece um destaque isolado, pois desde o início com a dobradinha Racing The World e Velorum, ambas do álbum que dá nome a turnê, The Story of Light, "cantou" linha por linha e suspirou com os harmônicos artificiais e palhetadas de precisão cirúrgica. Uma a uma as músicas vão mostrando toda a teatralidade e experimentalismo desenvolvidos durante os anos em que integrou a banda de Frank Zappa, assim como o domínio de palco aprendido nas extensas turnês pelas arenas e estádios do mundo todo com Whitesnake e David Lee Roth.

Os pontos altos da noite ficaram por conta da emocionante Tender Surrender e a sequência vinda do álbum Passion and Warfare, composta por Answers e The Animal, além do momento em que sua guitarra sussurra e faz uma prece, como o título sugere, em Whispering a Prayer. Parafraseando parte do nome da tour, a luz, sob forma de holofote, faz com que Vai literalmente insira dentro de seu jogo os seus parceiros de palco. O show é dele, no entanto há espaço para que seu segundo guitarrista execute uma canção acústica, The Trillium's Launch, como avisa que o CD solo deste está à venda na loja de merchandising.

Solos de baixo e bateria na sequência mostram que Vai não é apenas um dos grandes nomes da guitarra de todos os tempos, mas também um dos egos mais generosos do show businnes. Perto do fim, dois fãs são convidados pra ajudar a escrever uma música em tempo real com Steve Vai pedindo que contribuam com algumas ideias e que esta seja tão boa quanto a que ele deu a Joe Satriani, guitar hero e ex-professor de Steve na eterna música do comercial de cigarro Free, a clássica Always with me, Always with you. Claro que se trata de uma brincadeira, como tantas outras que são feitas por esse showman das 6 e 7 cordas, que fez questão de dar ao público seu clássico maior, For the Love of God, que encanta e emociona qualquer um que tenha o mínimo de sensibilidade, seja fã de música instrumental ou não.

Após pouco mais de 3 horas de show, Fire Garden Suite IV - Taurus Bulba dá contornos finais a mais uma memorável apresentação do Doutor em música pelo (MI) Musicians Institute. Faltando pouco para o fim do último movimento desta composição, Steve olha para a plateia e diz: “mais uma nota”, e quando essa ecoa pela casa seguida de aplausos, um sorriso de satisfação fica evidente no rosto do músico, que agradece por todos os anos em que a plateia brasileira esteve ao seu lado, e pergunta: “Vocês estão bem?", sendo respondido um uníssono com um sonoro "Yes!", em inglês mesmo. “Então meu trabalho está concluído”, completa o emocionante fim.

Ao realizar na noite de 8 de dezembro um show ainda mais grandioso do que aquele realizado durante a turnê do álbum The Ultra Zone, Steve Vai certamente fincou seu nome em qualquer lista com os melhores shows do ano, deixando aberta a possibilidade de um breve retorno ao país, afinal, está mais do que provado que seu público pode esperar cinco, dez e até quinze anos, mas merece bem menos tempo que isso.

A música passa por aqui.

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