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Summer Break Festival - Campo de Marte (07.12.13)

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Cinco atrações, pouco mais de nove horas de festival e a expectativa de captar em um único evento a atmosfera de um dia de verão. Guiado por esses objetivos, São Paulo recebeu no último dia 07 de dezembro a primeira edição do Summer Break Festival, evento organizado pela Time For Fun e que contou com a participação das bandas Nem Liminha Ouviu, SOJA, O Rappa e Incubus, além da Dave Matthews Band, que teve como responsabilidade encerrar a maratona musical realizada no Campo de Marte, em São Paulo.

Se nas semanas que antecederam a realização do evento diversos fatores pareciam assombrar sua realização, principalmente em virtude de um possível encalhe de ingressos, o que se viu desde o início da tarde indicava que o Campo de Marte seria ocupado rapidamente. Contando com boa estrutura na venda de alimentos, sanitários e, principalmente, ações de marketing que davam a possibilidade de entreter o público entre os shows, o Summer Break Festival fez jus ao sol escaldante que brilhava em sua maior intensidade para a abertura de suas atividades, com a banda Nem Liminha Ouviu.

Veterana na cena underground de São Paulo, o grupo liderado pelo vocalista Tatola, que também é locutor da 89 Rádio Rock, realizou um bom trabalho de warm up para um público que ainda chegava ao Campo de Marte. Com repertório próprio e um pé na veia rockeira da década de 80, o Nem Liminha Ouviu arrancou aplausos e abriu caminho para uma das bandas mais aguardadas do festival, o SOJA, seguramente um dos maiores expoentes do reggae contemporâneo.

Foram necessários pouco mais de 30 minutos para que a banda americana subisse ao palco diante de um público fiel e que fez questão de chegar cedo para acompanhar o show. Liderada pelo vocalista Jacob Hemphill, o SOJA (sigla de Soldiers of Jah Army) realiza um reggae com pitadas pop bastante fácil de ser assimilado e que funciona muito bem ao vivo. Engatando hit atrás de hit, contou com boa participação do público em toda extensão do show, que ultrapassou a marca de uma hora com facilidade.

Dona de uma discografia que compreende cinco álbuns de estúdio, o SOJA abusou de faixas de seu último lançamento, Strength to Survive, lançado em 2012, e empolgou como um bom veterano em um gênero que cada vez mais foge de seu estereótipo original e se renova com uma cena que não para de crescer nos Estados Unidos. Faixas como To Whom It May Concern e Everything Changes foram responsáveis por alguns dos melhores momentos do show, que evolui de forma considerável a cada nova execução, fazendo com que a banda deixasse o palco ovacionada pelo público.

Junto com a apresentação do SOJA o sol também resolveu dar trégua ao público que já ocupava praticamente todo espaço do Campo de Marte e chegava ao menos a 20, 25 mil pessoas naquele momento. Mesmo com longos intervalos entre os shows, o Summer Break funcionou de forma organizada e a maior parte dos shows começou antes de horário estipulado.

Talvez o grande nome da música brasileira na atualidade, O Rappa subiu ao palco respaldado por seu excelente novo álbum, Não Tem Fim…, que serviu de base para um repertório sólido, mas que novamente não funcionou ao vivo e que segue dando a tônica da carreira da banda carioca, excelente em estúdio, mas que pouco empolga ao vivo.

Nem mesmo faixas excepcionais como Reza a Vela, Auto-Reverse e Lado B, Lado A foram capazes de qualificar a performance da banda, que parece ser engolida por longos improvisos e covers desnecessários, como na longa Zóio de Lula, em homenagem ao Charlie Brown Jr. De forma discreta, Falcão e sua banda encerraram sua participação no festival sem comprometer seu andamento e com um show curto, que mal ultrapassou uma hora, mas do qual esperava-se muito mais.

Penúltima atração, o Incubus era a nome que mais se distanciava do line up proposto pelo Summer Break Festival. Consagrada na cena alternativa, a banda do vocalista Brandon Boyd justificou o atraso na apresentação com um setlist feito sob medida para os fãs do grupo, devidamente trajados, aproveitarem uma sequência poderosa de hits que alcançaram boa projeção nas rádios do país, caso das faixas Megalomaniac e Are You In?.

Com uma iluminação diferenciada do restante do festival, o Incubus foi um ponto fora da curva que funcionou dentro de um contexto totalmente desfarovável ao seu tipo de música. Sem um disco de inéditas desde 2011, quando lançou If Not Now, When?, o grupo americano focou seu repertório em hits extraídos do álbum Light Grenades, de 2009, conseguindo boa resposta em faixas como Dig, Anna Molly e Love Hurts.

Sem muita conversa, o Incubus deixou o palco do Summer Break com a certeza de ter realizado um grande trabalho, abrindo espaço para a consagrada Dave Matthews Band, que seria responsável pelo encerramento da maratona musical.

Foram apenas dez minutos de atraso para que Dave Matthews e seu verdadeiro arsenal musical tomasse conta do palco do festival para executar o melhor show da noite. Abrindo com Don't Drink the Water, um de seus maiores hits, não foi necessário muito esforço para que o talentoso grupo ganhasse rapidamente o público.

Com um set mais dançante e baseado em hits do que em outras passagens pelo país, o grupo americano transitou por toda sua extensa carreira com um show mais fácil que o habitual, justamente por trazer para o público faixas que tiveram boa recepção nas rádios brasileiras, caso da sequência What Would You Say e The Space Between, algumas das mais aplaudidas do show.

Engatando faixas e abrindo espaço para que cada um de seus músicos mostrassem o tamanho de sua técnica, a Dave Matthews Band se mostrou um dos grupos mais sólidos da atualidade pela versatilidade proporcionada em seu set, que rompeu a marca de duas horas sem dificuldade e caminhou para um fim de noite irrepreensível. Rooftop e Warehouse, duas das mais festejadas pelo público, formaram outra sequência de impacto no show, que teve seu encerramento marcado pela ótima Ants Marching.

Longo, dançante e feito sob medida tanto para fãs como para aqueles que não conheciam a banda, o show da Dave Matthews Band impressiona pela técnica apresentada por músicos como o guitarrista Tim Reynolds, o violinista Boyd Tinsley e a cozinha formada pelo baixista Stefan Lessard e o baterista Carter Beauford. De forma isolada cada músico prima pela perfeição, mas como em uma big band de jazz não rouba a atenção de seu vocalista, um verdadeiro regente de um repertório tão vasto.

Foi com Two Step, uma viagem de mais de dez minutos, que Dave Matthews deixou o palco pela última vez após pelo menos 3 horas de show, realizando um dos grandes shows do ano e consolidando a banda como uma das mais versáteis da atualidade, ainda que seu som não seja fácil o suficiente para ser inserido com força nas rádios do país.

O saldo do Summer Break Festival foi mais do que positivo, principalmente quando considerado o fantasma que parecia assombrar a organização do evento. Mais do que uma sequência de mais de 10 horas de shows, o evento serviu para mostrar que públicos diferentes são o ingrediente perfeito para um grande festival.

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