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The Cure - Arena Anhembi (06.04.13)

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A noite de 6 de abril de 2013 tinha tudo para ser histórica para o público brasileiro, afinal, o retorno do The Cure após quase duas décadas estava repleta de ingredientes para saciar uma verdadeira legião de fãs que nunca desistiu de esperar pelo grupo inglês, mesmo após inúmeras especulações e possíveis confirmações.

E realmente foi inesquecível, uma experiência capaz de agradar, na medida do possível, a gregos e troianos, que viveram todo período pré-apresentação lidando com a mudança repentina do local onde seria realizado, a possibilidade de devolução de ingressos para setores que deixaram de existir no novo formato e a temível instabilidade do mercado de entretenimento brasileiro, aspectos que acabaram sendo ignorados diante de pelo menos 30 mil pessoas presentes na Arena Anhembi.

Banda que nunca foi adepta das pirotecnias e grandes produções, o The Cure sempre teve na presença do vocalista Robert Smith a maior razão para que o público permanecesse com olhos vidrados no palco durante um espetáculo que tinha a promessa de compensar todo período longe dos palcos brasileiros, rompendo a barreira das 3 horas.

E eis que, com pouco menos de vinte minutos de atraso, o mítico Robert Smith subiu ao palco da Arena Anhembi sem cerimônias para começar a escrever mais uma importante página de sua história em território brasileiro. Acompanhado por Jason Cooper (bateria), Roger ´O Donnell (teclados), Simon Gallup (baixo) e Reeves Gabrels (guitarra), o The Cure realizou uma das melhores apresentações dos últimos anos em São Paulo.

Amparado por uma quantidade imensa de clássicos, a banda inglesa iniciou sua extensa apresentação com a dobradinha Open e High, ambas do álbum Wish, lançado em 1992. Com uma banda bem entrosada, o Cure ainda trouxe The End of the World, de 2004, antes de começar a desfilar clássicos que fizeram parte da vida de pelo menos 80% do público presente no Anhembi. O primeiro deles foi Lovesong, faixa do épico Disintegration, último disco da banda durante a década de 80 e um dos que mais forneceram faixas para o setlist do show. Sem dar tempo para respirar, Robert Smith ainda apresentou uma sequência empolgante que trouxe In Between Days, Just Like Heaven, Pictures of You, Lullaby e Fascination Street, um salto no tempo para quem até hoje nunca se cansou de dançar hinos definitivos da banda.

Mas não foi somente de hits que o The Cure voltou a viver sua históra no Brasil, faixas extensas como From the Edge of the Deep Green Sea e seus quase oito minutos reforçaram o entrosamento entre Robert e sua banda, principalmente ao lado do baixista Simon Gallup, revezando bem o papel de protagonista à medida que longos solos eram executados frente a um público que alternava olhares de contemplação e êxtase.

E a capacidade de agradar a gregos e troianos do The Cure foi justificada a partir da segunda metade da apresentação. Com uma sequência capaz de proporcionar uma catarse e sustentada por hits de boa parte de sua carreira, faixas menos conhecidas do grande público deram o tom na fase mais introspectiva do show como Sleep When I'm Dead, do álbum The Head on the Door (1985), Bananafishbones e Shake Dog Shake, ambas de The Top (1984) e One Hundred Years, de Pornography (1982). Destaque para as ótimas A Forest, Friday I’m Love e Mint Car, posicionadas no momento crucial da apresentação e capazes de segurar o público e não dispersar parte de quem correu ao Anhembi em busca das faixas que compõem uma coletânea do The Cure. E foi de Wish, álbum que mais forneceu hits ao set, que Robert Smith deixou o palco pela primeira vez ao executar a longa End.

Sem esboçar muita reação, foi estranho ver os integrantes do grupo saírem e retornarem ao palco sem os famosos gritos de “olê, olê, olê…” tão elogiados pelos artistas internacionais, mas é fato que ao retornar para seu primeiro bis o repertório do Cure seguiu sendo ousado. A trinca extraída do seminal Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me (1987) composta por The Kiss, If Only Tonight We Could Sleep e Fight pode não ter empolgado da forma como deveria, mas reservava a certeza de um novo bis preparado para fazer história.

A breve pausa para o segundo bis do show deu tempo para Robert Smith arrancar aplausos em Dressing Up, de The Top, e finalmente despejar outra avalanche de clássicos diante de um público que via, muito provavelmente pela primeira vez na vida, um show da banda inglesa, assim como uma apresentação que beirava suas 3h de duração.

O golpe final veio com The Lovecats, The Caterpillar, Close to Me, Hot Hot Hot!!!, Let's Go to Bed, Why Can't I Be You?, a obviamente emocionante Boys Don't Cry, além de 10:15 Saturday Night, extraída do primeiro disco da banda, e a divertida versão de Killing an Arab, que deu números finais ao show.

A nova passagem do The Cure pelo Brasil tem tudo pra figurar como um dos shows da vida da maioria dos 30 mil presentes na Arena Anhembi. Após um setlist de 40 músicas e quase 3h30 de show, fica difícil definir um momento único da apresentação, mas independente da preferência – sejam os clássicos ou as faixas menos conhecidas da banda – fica claro que Robert Smith compensou a longa espera dos brasileiros com um show que ficará marcado para todo o público, que já pode começar a torcer para que a banda inglesa não leve tanto tempo para um eventual retorno ao país.

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