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Pulp - Via Funchal/SP (28.11.12)

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O Pulp foi britpop muito antes do britpop realmente surgir e conquistar o mundo com a dobradinha Oasis e Blur na década de 90, mas nunca teve o devido reconhecimento global como banda durante a década de 80. Somente após o boom do gênero e a disputa entre seus conterrâneos, o mítico vocalista Jarvis Cocker realmente colheu os frutos de uma carreira sólida há anos. Veio o hiato na virada do século e o retorno em 2011 para uma turnê que trouxe finalmente a banda de Sheffield ao Brasil pela primeira (e provavelmente única) vez na carreira.

A expectativa pelo show não era das menores. Redes sociais inflamadas e performances cada vez mais empolgantes nas apresentações que antecederam a vinda do Pulp ao Brasil criaram a sensação de que a catarse era só uma questão de tempo, mas nem mesmo o valor mais acessível do ingresso foi capaz de levar um bom público ao Via Funchal, que contou com, no máximo, 30% de sua capacidade. Ainda assim, isso pouco importou quando Jarvis Cocker, Mark Webber (guitarra), Candida Doyle (teclados), Steve Mackey (baixo) e Nick Banks (bateria) subiram ao palco para realizar um dos shows melhores shows de 2012.

Existe um mito em torno da figura emblemática de Jarvis Cocker. Compositor de mão cheia, dono de uma voz marcante e uma performance tão expressiva quando seus clássicos, o vocalista fez do Via Funchal uma verdadeira pista de dança desde o início do show, com a sequência Do You Remember the First Time? e Pink Glove, ambas extraídas do álbum His 'n' Hers (1994).

Inquieto, a entrega de Jarvis Cocker no palco é tamanha que nem mesmo a clássica balada Underwear ou Little Soul, essa extraída do ótimo This is Hardcore (1998), tiram o foco do público no show. Entre discursos, danças e uma interação frenética, o vocalista é seguramente um dos maiores frontman em atividade, digno de comparações com figuras mais lendárias da história da música.

Um dos aspectos mais interessantes do show é a facilidade com que o Pulp modifica seu repertório de uma apresentação para outra, evitando que alguns poucos “mais informados” gritem os nomes das músicas antes da própria banda anunciá-la. Prevista para o fim do show na maioria das apresentações, um dos maiores hits do grupo, Disco 2000, de Different Class (1995), fez o show ganhar aura de “momento histórico”, afinal, entoar um dos refrões mais contagiantes da música inglesa diante do emblemático e iluminado letreiro da banda foi como viver em alguns minutos a realidade que qualquer fã de britpop sonhou na vida. E de Different Class também vieram a divertida Sorted for E's & Wizz e F.E.E.L.I.N.G.C.A.L.L.E.D.L.O.V.E., uma sequência de hits pra ninguém botar defeito.

Com um repertório bem elaborado e que não dava folga para o público, o Pulp transitou por seus álbuns com uma intensidade impressionante, mesmo em sua fase mais introspectiva, quando executou faixas como Acrylic Afternoons, Like a Friend e Babies. Na reta final mais um clássico, This is Hardcore, faixa do homônimo de 1998, acompanhada de Sunrise e Bar Italia, preparando o público para o que pode ser considerado o ponto mais alto do show, com Common People, outro momento tão histórico quanto o legado construído pela banda em sua história.

Com o relógio se aproximando de 2h de show, o fôlego de Jarvis Cocker ainda era maior que grande parte do púbico. Após a breve e tradicional pausa para o bis, outra avalanche de clássicos, com nada menos que Razzmatazz, Live Bed Show e Mis-Shapes, um final apoeótico, mas que ainda reservou para o público brasileiro um segundo bis, com a sugestiva Something Changed, faixa do álbum que mais forceceu músicas ao vasto repertório da banda, Different Class.

O Pulp merecia um público maior para um show tão intenso como o que realizou no Via Funchal. Se no início da apresentação Jarvis Cocker brincava com o público ao afirmar que não era possível “lembrar como foi a primeira vez” por ser a estreia do grupo no país, ficará difícil esquecer o quão especial foi tudo isso após um daqueles shows que podem ter sido só mais um na carreira do Pulp, mas encabeçará a lista das melhores apresentações que cada um dos fãs teve a oportunidade de conferir ao vivo.

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