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Jack Bruce & His Big Blues Band - Teatro Bradesco/SP (24.10.12)

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Em uma semana onde a cidade de São Paulo teve a oportunidade de conferir durante dois dias uma lenda do rock como Robert Plant, outro consagrado nome do gênero realizou sua primeira passagem em solo brasileiro com muito menos euforia do público, porém, com a mesma maestria que o colocou no mesmo patamar que qualquer mito da música. Era Jack Bruce, reconhecido principalmente por seu trabalho como baixista do Cream ao lado de Ginger Baker e Eric Clapton, que se apresentou no luxuoso Teatro Bradesco ao lado de sua Big Blues Band mostrando suas influências, clássicos e sua história de vida.

Diante de um bom público, boa parte vindo de outras cidades já que o baixista se apresentaria na região Sudeste somente no dia 24 e seguiria para Porto Alegre dois dias depois, Jack Bruce subiu ao palco bastante aplaudido em seu tradicional formato “power trio” para a execução de First Time I Met The Blues, faixa de Buddy Guy que era executada na época em que ainda formava The Graham Bond Organisation ao lado de Ginger Baker e John McLaughlin.

De andar frágil, resultado de seríssimos problemas de saúde nos últimos anos (incluindo um transplante de fígado que quase tirou sua vida devido à rejeição do seu corpo), Jack Bruce se move lentamente, mas ao empunhar seu baixo Warwick fretless e se posicionar diante do público, o baixista pouco se diferencia de sua forma áurea, exibindo um poderio vocal marcante e uma técnica que justifica o mito ligado ao seu nome. Foi diante desse cenário que Paddy Milner (piano), Nick Cohen (baixo) e o naipe de metais formado por Winston Rollins, Derek Nash e Paul Newton se juntou ao baterista Frank Tontoh e ao virtuoso guitarrista Tony Remy para um verdadeiro desfile de clássicos.

Sem negar a importância de seus projetos passados, principalmente com o Cream, Jack Bruce ainda consegue sustentar ao longo de quase duas horas uma vitalidade que transforma seu baixo uma verdadeira arma, destilando de forma venenosa grandes linhas de baixo e fazendo com que cada uma delas provoque uma verdadeira explosão dentro de cada um dos presentes.

Do álbum Cities of Heart (1993) veio a ótima Neighbor, Neighbor, mas o primeiro grande momento da noite foi com Politician, faixa do álbum do Cream, Wheels of Fire (1968). Interagindo bastante com o púbico e dando o devido espaço para seus músicos, Jack Bruce transformou o espaço do grande Teatro Bradesco em um show intimista enquanto apresentava clássicos do blues como Spoonful, de Howlin’ Wolf, e Born Under A Bad Sign, de Albert King.

Não foi difícil embarcar na viagem do eterno baixista do Cream, ainda que sua história mostre que o blues seja apenas uma de suas paixões. Com melodias bem desenhadas e alternando entre seu emblemático baixo e um piano, executou a belíssima Theme For An Imaginary Western, do álbum Songs for Taylor (1969), um dos grandes momentos da noite.

Mas foi  durante a reta final do show, com a sequência Deserted Cities of The Heart, ao qual Jack Bruce fez questão de evidenciar como uma de suas canções favoritas, e White Room, ambas do Cream, que veio o ponto mais alto de uma apresentação que beirou a perfeição e merecia um público muito maior que aquele que se encontrava no Teatro Bradesco, que na sequência teve a possibilidade de cantar junto a um mito a épica Sunshine of Your Love, outro hino do Cream.

Sem cerimônias, Jack deixou o palco e após uma longa pausa ainda retornou para mais dois números, o primeiro deles com Mellow Down Easy e, por fim, The Consul At Sunset, faixa de Harmony Row, terceiro álbum solo do baixista, lançado em 1973. E da mesma forma que havia se retirado pela primeira vez, discretamente, Jack Bruce deu números finais a uma das apresentações mais emocionantes de 2012.

Ainda que a passagem do mítico baixista em solo paulista tenha sido bem mais discreta que qualquer outro show de um grande mito do rock, a forma como conduziu sua apresentação, mesmo àqueles que esperavam somente os clássicos do Cream, transformou aquele momento em uma situação única, intimista e emocionante. Além de clássicos e tributos, em cima do banco estava um verdadeiro sobrevivente, uma lição de vida que somente os grandes vencedores podem ser os personagens principais. Longa vida a Jack Bruce!

A música passa por aqui.

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