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Robert Plant & The Sensational Space Shifters - Espaço das Américas/SP (23.10.12)

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O mundo é cercado por lendas, algumas fantasiosas e outras capazes de lotar uma grande casa de shows como o Espaço das Américas por duas noites consecutivas, mesmo sem lançar um disco de inéditas desde 2010.

Tamanha euforia é justificável, pois não se trata de um show comum, afinal, não estamos falando de um personagem comum, são cinco prêmios Grammy, milhões de discos vendidos, arenas lotadas ao redor do mundo e uma porção das histórias insólitas do mundo do rock, algumas envolvendo garotas nuas e um peixe gigante. Lembram das lendas? Algumas dizem que tratava-se de um pequeno tubarão.

Aos 64 anos Sir Robert Anthony Plant soube envelhecer, continuou sendo relevante, conquistou alguns enquanto continuava a viagem iniciada ainda nos tempos de Led Zeppelin, associando texturas e influências para gerar uma união entre a cultura ocidental e oriental.

O palco simples traz uma faixa com seu rosto jovem, carregado de cores psicodélicas. A bateria não está sobre um praticável, estrutura que sustenta e eleva o instrumento, e todos estão no mesmo patamar. Nesse clima, com vinte minutos de atraso, uma voz ecoa pelo espaço das américas introduzindo o curriculum impecável de um dos vocalistas mais influentes da história do rock. Robert Plant surgia no palco do Espaço das Américas.

O show teve inicio com Tin Pan Valley, do seu álbum solo Mighty Rearranger (2005). A canção possui climas interessantes e uma melodia vinda dos teclados que remetem a filmes de ficção cientifica, mas do meio para o fim a canção ganha o peso das guitarras distorcidas e a plateia cresce junto na mesma hora. Com o fim da primeira música, e uma plateia heterogênea em êxtase, Sir Robert Plant, em agradecimento, junta suas mãos e ergue aos céus. Quantas plateias empolgadas ele já encarou ao longo dos anos? Ou realmente os fãs brasileiros estão entre os mais entusiasmados do planeta ou estamos diante de um dos músicos mais gratos pelo o que a música lhe proporcionou.

O tempo trouxe uma maturidade absurda ao vocalista inglês. Ainda que a sua voz mantenha intacta as características que todos aprendemos a gostar, basta um "oh yeah” para que Robert Plant tenha a plateia nas mãos, jamais se enveredando por caminhos que possa colocar em xeque sua apresentação segura. O impiedoso e absoluto senhor da vida, o tempo, pode ter nos privado de seus tons mais agudos e seus característicos falsetes, mas sua voz natural ainda encanta.

Cada pedido de palmas é um pedido atendido e assim a musica oriental vai se fundindo com o rock e o blues. Guitarra, baixo, bateria e teclado harmonizam com instrumentos de percussão e outros instrumentos exóticos como um violino e um banjo africanos, e é exatamente desse último que o riff de Black Dog vai se materializando. Ainda que a plateia tenha cantado em alto e bom som, a roupagem de  world music, a linha mestra das composições de Robert Plant a muitos anos, parece ter causado algum incômodo, assim como na noite anterior.

De forma geral, a apresentação de Plant não é unanimidade entre a maioria que vestia camisetas pretas com o logo de sua antiga banda, algumas passagens longas e instrumentais chegam a cansar uma parte da plateia, mas quando sua voz interrompe a sessão instrumental, não há quem não se emocione.

Ramble On, do Led Zeppelin II, executada de maneira bem próxima de sua versão original, arrancou sorrisos de todos os integrantes da The Sensational Space Shifters, tamanha foi a empolgação da plateia. Curiosamente essa música nunca tinha sido tocada ao vivo em sua integra nos shows do Led Zeppelin até bem pouco tempo atrás. Parte dela foi tocada durante a execução de Babe I’m Gonna Leave You em 1969 em um show em Toronto. Somente em 10 de Dezembro de 2007, na apresentação da Led Zeppelin Reunion na arena O2, em Londres, é que os fãs puderam ouvir a melodia contagiante desta canção pela primeira vez. Whole Lotta Love, do mesmo disco, incendiou de vez até mesmo os fãs mais críticos e encaminhou a apresentação para o seu fim.

O bis traz duas músicas do Led Zeppelin IV, de 1971, que somente nos EUA vendeu mais de 23 milhões de cópias até hoje. Going to California, bem fiel a sua versão original, foi bem recebida por todos. Alguns filmavam, casais de meia idade se abraçavam, enquanto alguns pais olhavam orgulhosos para seus filhos, certos de terem feito a passagem de seu bom gosto musical aos seus descendentes. Com o fim iminente ainda houve tempo para conversar com a plateia e dizer que a próxima música traria o swing do reino unido para um país que tem muito swing.

Avisando que seria tocada uma música dançante, a derradeira canção da noite foi Rock and Roll. O teste do tempo mostrou que trata-se de uma música poderosa, ainda que sua banda não seja tipicamente um grupo de Hard Rock. A plateia “dividiu” os vocais desse clássico que deve ter sacudido até mesmo o pessoal que trabalha no bar da casa. Era o fim de 90 minutos de muita musicalidade, carisma, presença de palco e a típica educação britânica. Robert Plant deixou o palco não sem antes desejar boa sorte com a Copa do Mundo, que será realizada no país em 2014.

A música passa por aqui.

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