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Robert Plant & The Sensational Space Shifters - Espaço das Américas/SP (22.10.12)

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Poucos nomes no mundo da música são tão sagrados como o de Robert Plant, o eterno vocalista do Led Zeppelin. Dono de uma das vozes mais marcantes – e de algumas das histórias mais insólitas do showbusiness – o vocalista inglês soube como poucos superar a idade e o legado construído com sua ex-banda para evoluir como músico.

Com sua maior turnê em solo brasileiro em toda carreira, Sir Robert Plant se apresentou em São Paulo por duas vezes ao lado do The Sensational Space Shifters, grupo que traz em sua estrutura um formato distante do quarteto inglês, com Juldeh Camara (violino aficano de uma corda, Banjo Africano, percussão e vocais), Justin Adams (guitarra, bendir e vocais), John Baggott (teclados), Liam “Skin” Tyson (guitarra e vocais), Dave Smith (bateria e percussão) e Billy Fuller (guitarra e vocais), ou seja, não era uma turnê do Led Zeppelin, mas uma celebração à música com uma das vozes mais emblemáticas da história.

 

Com ingressos esgotados, Plant subiu ao palco do Espaço das Américas como um verdadeiro gigante (conforme e referência elaborada pelo jornalista Mick Wall em sua biografia do Led Zeppelin) e diante de um público afoito pelos clássicos de sua ex-banda, carregados de expectativa pelo formato como seriam executados.

 

Com experiência pelo rock, o country, bluegrass e o blues, Plant faz com o Space Shifters uma verdadeira miscelânea sonora inimaginável para o ouvinte menos atento a sua carreira. Preservando o legado de sua ex-banda e prestando homenagens a outros grandes nomes do blues e do folk como Howlin’ Wolf, Bukka White e Tim Buckley, a verdadeira viagem proporcionada pelas atuais apresentações do músico inglês talvez se aproximem da mais completa perfeição, exceto para aqueles que ainda tinham a esperança de conferir um show do Led Zeppelin em seu formato original naquela noite.

 

A surpreendente abertura com Tin Pan Valley e Another Tribe, faixas extraídas do projeto solo Mighty ReArranger (2005), foram o pontapé inicial de uma verdadeira viagem pela carreira de Robert Plant, que fazia sua voz explodir como um trovão enquanto sua banda parecia manipular a música como um verdadeiro grupo de alquimistas.

 

Mas o público queria Led Zeppelin. E foi com uma versão remodelada de Friends que o Espaço das Américas pulsou de verdade pela primeira vez. Paixão de Plant, o blues foi o caminho escolhido pelo vocalista para homenagear alguns de seus heróis, como Howlin’ Wolf, em uma versão impecável de Spoonful e na ótima Song to the Siren, do mítico Tim Buckley, ainda que ambas tenham passado praticamente em branco para a maior parte do público.

 

Black Dog, Bron-Y-Aur Stomp e Gallows Pole, clássicos absolutos do Led Zeppelin, dividiram opiniões em suas novas roupagens, ainda que tenham arrancado muitos aplausos. O misto de estranhamento e admiração diante de um repertório que explorou somente um dos álbuns solo de Plant (The Enchanter, de Mighty ReArranger, também seria tocada) e alguns poucos covers só foi dissipado na reta final do show, quando Ramble On e Whole Lotta Love levantaram novamente o público com versões mais palpáveis a boa parte dos fãs do grupo inglês.

 

Diante da catarse, o bis não foi diferente e trouxe a belíssima Going to California, além de uma explosiva versão de Rock and Roll, no momento mais Led Zeppelin de um show de Robert Plant. Era o ponto final de uma apresentação irrepreensível e surpreendente, ainda que parte do público tenha ignorado parte do repertório, como a versão de Fixin' to Die, de Bukka White, ou lamentado a ausência de alguns dos muitos clássicos da banda inglesa durante as quase duas horas que o vocalista permaneceu no palco.

Robert Plant fez uma apresentação histórica para qualquer um dos presentes no Espaço das Américas, seja pelos fãs do Led Zeppelin, que ganharam uma nova chance de entoar alguns dos maiores hinos do rock frente à voz de seu vocalista original, ou para aqueles que saíram de casa pensando simplesmente em ouvir música com um dos maiores representantes de sua história.

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