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G3 (Satriani/Morse/Petrucci) - Credicard Hall/SP (12.10.12)

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Ao longo da história do rock a figura do guitarrista sempre foi, tanto quanto o vocalista, a parte mais emblemática do gênero, dividindo atenções e criando ao longo dos tempos um novo tipo de super herói, capaz de refletir no instrumento a personalidade de seu portador e de uma banda inteira, enfim, a figura de um guitar hero.

Com a década de 80 surgiram alguns nomes que se tornariam ícones frente a uma geração inteira de novos músicos. Com Joe Satriani e Steve Vai, a alcunha de guitar hero ganhou um novo patamar e, capitaneado por ambos, o projeto de levar 3 dos maiores expoentes da guitarra pelo mundo se tornou um dos eventos mais aguardados por músicos e fãs do gênero, ficando mundialmente conhecido como o projeto G3, que passou pela terceira vez no Brasil na última semana trazendo ao palco do Credicard Hall, além do próprio Satriani, o guitarrista do Dream Theater John Petrucci e Steve Morse, ex-Dixie Dregs e atual Deep Purple.

Se na primeira passagem do projeto pelo país Steve Vai estava presente no line up, caberia agora a John Petrucci (que veio ao país com seu show solo pela segunda vez) suprir a ausência do músico que praticamente se tornou embaixador desse projeto ao lado de Satch (como é conhecido Joe Satriani). Além disso, o guitarrista do Dream Theater teria como “abertura” o lendário Steve Morse, que além de sua carreira ao lado de grandes bandas desenvolve um sólido trabalho com a Steve Morse Band, onde já coleciona mais de dez álbuns lançados. Enfim, estávamos diante do G3 mais eclético da história e com um Credicard Hall com bom público, nitidamente afoito por solos e demonstrações de carisma.

Dividido em 3 sets de pouco menos de uma hora e uma jam com seus três integrantes, o G3 2012 teve seu início na noite fria de sexta com Steve Morse, que subiu ao palco ao lado de outra lenda, o baixista e companheiro de Dixie Dregs Dave La Rue, e o baterista Dru Brets, realizando um show que era considerado uma oportunidade única aos fãs de seu trabalho particular, ainda pouco conhecido no país.

Mais experiente que Satriani e Petrucci, Steve Morse talvez seja o nome que mais rompe com o legado criado no G3. Com um repertório que flerta com o blues, o rock e o woogie boogie, o guitarrista aproveitou para divulgar seu último lançamento solo, Out Standing in Their Field (2009), levando ao palco as eficientes Name Dropping, Baroque 'n Dreams e Rising Power, ambas arrancando boa receptividade do público. Dividindo bem as atenções com La Rue, Steve Morse mostrou a razão de ser considerado um dos maiores nomes da história da guitarra e transitou por gêneros distintos sem abusar de solos e privilegiando a melodia de seus trabalhos pessoais.

As influências sulistas de Morse se fizeram presentes em Vista Grande, faixa extraída do ótimo Southern Steel (1993), e On The Pipe (1984), de seu primeiro álbum solo. Interagindo bastante e alternando bem seu papel de protagonista, Morse ainda teve tempo para mostrar uma versão arrasadora de Cruise Control, faixa do seminal Free Fall (1977), um dos principais álbuns da banda que lhe projetou ao mundo, o Dixie Dregs.

Com aproximadamente 50 minutos de apresentação, Morse fez um show histórico, que reforça ainda mais a admiração do público brasileiro em relação ao seu trabalho, deixando o palco coberto de aplausos e abrindo espaço para outra fera da guitarra, o mundialmente conhecido John Petrucci, consagrado por seu trabalho com o Dream Theater.

O jovem Petrucci ainda era um estudante de guitarra, na década de 80, quando Satriani já lançava seus CDs, indo na contramão de toda indústria musical da época e abrindo caminho para todos os outros “guitar-heroes” que vieram na sequência, inclusive o próprio guitarrista do Dream Theater.

Quando pensamos que o outro “G” é simplesmente um dos heróis de sua juventude, cuja alguma influências técnicas são perceptíveis em sua maneira de tocar e que fez a ponte entre ele e a atual marca de guitarras da qual ele é endorser, podemos imaginar o clima que existe entre esses guitarristas no palco.

Extremamente aplaudido, Mr. Petrucci subiu ao palco do Credicard Hall acompanhado pelo seu companheiro de banda, Mike Mangini, que vestia uma camiseta da banda Brasileira Hangar – do baterista Aquiles Priester, que também era um dos selecionados para as audições da vaga que acabaria ficando com o próprio Mangini – e o baixista “rouba cena” Dave La Rue, que retornou ao palco após a épica apresentação ao lado de Steve Morse.

Damage Control, a primeira do set, deixou claro que esta seria a parte mais pesada da noite. Toda a assinatura desenvolvida ao longo dos anos estava lá. Peso, melodia, alta velocidade e precisão. Foram várias trocas de guitarra ao longo do set, quase uma por música, alternando guitarras de seis e sete cordas e diferentes afinações.

Pausa pra falar com a plateia e dizer que a pouco mais de um mês ele esteve ali com sua banda, ao perguntar quantos estiveram presentes nesta oportunidade a resposta veio em um bom número de mãos levantadas, o que comprova nitidamente a popularidade do Dream Theater e de seu trabalho no país.

O setlist do show esteve focado nas canções de seu álbum solo, Supended Animation, lançado em 2005 e cuja motivação é o próprio G3, uma vez que ele foi lançado pouco antes de sua segunda passagem por este projeto, em 2005, na época em que o trio era completado por Steve Vai.

Além das músicas de seu único álbum solo, o guitarrista apresentou músicas inéditas, tocadas apenas nesta passagem do trio pelo país. Pesadas e modernas, mas sem abrir mão de melodias cativantes e densas, o set do show de Petrucci pareceu mais curto, fruto da extensão de suas músicas, mas nada que incomodasse uma plateia formada em sua maioria por guitarristas, entre profissionais e aspirantes.

Glasgow Kiss encerrou os quase 50 minutos de show da mesma maneira que começou, com a plateia sem piscar para não perder nenhuma nota deste incrível músico, que cada vez mais ocupa seu espaço na cena, seja por seu físico cada vez mais avantajado, fruto de seu interesse pelo fisiculturismo, e, principalmente, por sua forma cada vez mais apurada de compor e tocar guitarra.

Era a vez do dono da festa, Joe Satriani, subir ao palco e trazer para o público algo que poucos guitarristas conseguiram ao longo do tempo: criar hits. Apoiado pelo baixista Allen Whitman e Mike Keneally no teclado, o carequinha mais famoso das seis cordas se portou como um verdadeiro rockstar desde o início da apresentação, que teve início com Ice 9 e Satch Boogie, ambas do álbum Surfing with the Alien (1987).

Esbanjando simpatia, Satch interagiu, fez caretas e executou com toda perfeição possível faixas que o público conhecia do início ao fim. Com um set mais curto que aquele executado em suas turnês solo no país, era necessário manter a empolgação e para isso a escolha feliz do repertório acabou sendo primordial. Com Flying In A Blue Dream e Crystal Planet, discos que marcaram a sua melhor fase, só com a clássica Always With Me, Always With You foi capaz de fazer com que o público passasse da euforia para a contemplação, logo interrompida pela avalanche sonora em Crowd Chant, a mais atual do setlist, extraída de Super Colossal (2004), e Surfing With The Alien, dando números finais ao set do guitarrista e iniciando a apoteóse de mais um G3 em terras brasileiras.

Com os três guitarristas no palco e em clima de fim de festa, a aguardada jam e três clássicos conhecidos por todo público foi a cereja do bolo após três horas de um verdadeiro desfile das seis cordas. You Really Got Me do The Kinks, White Room do Cream e Rockin' In The Free World de Neil Young foram os escolhidos da vez.

Com performances irrepreensíveis e milhares de notas a mais que suas versões originais, toda qualidade de cada guitarrista foi mais uma vez evidenciada novamente diante de um público já cansado após a maratona de quase 3h30, mas plenamente satisfeito.

Dentre as três performances, ficou nítido que ser um “Guitar Hero” não significa realizar solos na velocidade da luz, mas saber encaixar cada nota em seu devido lugar. Em sua nova passagem pelo país, com um line up bastante eclético, o público soube compreender as qualidades de cada músico a ponto de ambos saírem consagrados, diferente da turnê em que Robert Fripp acabou sendo ignorado pelo público brasileiro e nunca mais retornou ao país.

Existem vários motivos que fazem do G3 2012 histórico. A consagração de Satriani, a presença de Petrucci e sua desenvoltura fora do Dream Theater, a serenidade de Steve Morse e a possibilidade de ver parte do Dixie Dregs no palco são alguns deles, mas sempre haverá um novo motivo para acompanhar uma apresentação onde um mesmo instrumento consegue ser tão diferente e explorado a ponto de abrir novas possibilidades para novas gerações, se tornando uma verdadeira aula de música.

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