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Marillion - HSBC Brasil/SP (11.10.12)

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Foram 15 anos e pelo menos oito lançamentos de estúdio desde que o Marillion pisou em solo brasileiro pela última vez. Um pecado que poderia ser imperdoável para uma banda que tem quase toda sua discografia lançada no país e está ciente do fanatismo que o público local tem pelo seu trabalho. Portanto, compensar a ausência e repassar sua carreira era uma questão de honra para a banda de Steve Hogarth e Steve Rothery em sua nova turnê pelo país.

Nem mesmo a véspera de feriado e a noite chuvosa da capital paulista foram suficientes para afastar do HSBC Brasil o fiel público do Marillion, que trouxe ao Brasil a turnê do recém-lançado Sounds That Can't Be Made, disco que já vem rendendo inúmeros elogios à banda no exterior e ainda não tem previsão de lançamento no país. Em entrevista que o Passagem de Som realizou com o baixista Pete Trewavas nos últimos dias, havia a promessa de uma mudança no setlist a fim de compensar esse hiato do grupo no país, algo que se comprovaria no palco naquele que pode ser considerado o momento de maior comunhão da banda com público brasileiro desde a ação dos fãs que resultou em uma passagem da banda pelo país, décadas atrás.

 

Sem muito atraso e sem se apoiar em produções mirabolantes, os integrantes do Marillion subiram ao palco do HSBC Brasil com Splintering Heart, faixa extraída do segundo trabalho de Hogarth a frente do Marillion, Holidays in Eden (1991). Com o guitarrista Steve Rothery, o tecladista Mark Kelly, o baixista Pete Trewavas e o baterista Ian Mosley posicionados no palco, Hogarth surgiu na parte oposta da casa em meio ao público. Bem inspirado e interpretando cada estrofe com muito vigor, o vocalista justificou o fato de ser considerado tão importante para a história da banda quanto Fish foi em sua fase inicial.

 

Já no palco, ao lado do restante da banda, veio a primeira surpresa do setlist, Slainthe Mhath, do seminal Clutching at Straws (1987). Era o que a banda precisava para ter a plateia na mão. Bastante comunicativo, Hogarth fez tudo o que os fãs da banda esperavam e passou a explorar os principais álbuns e hits do grupo no país, caso das radiofônicas Beautiful e Kayleigh, ambas esquecidas nos últimos repertórios da banda e que resultaram em grande comoção do público.

 

De Sounds That Can't Be Made, além da belíssima faixa-título, vieram Power e The Sky Above the Rain, músicas que tem tudo para cair na graça do público em um futuro próximo. Com solos bem desenhados, Steve Rothery dividiu bem as atenções com Hogarth e, juntos, parecem ter encontrado a fórmula para que a magia do rock progressivo do Marillion tenha evoluído e siga caminhando com segurança diante de um público tão devoto da banda.

 

Amparado pela boa estrutura da casa e um público pontual, que sabia bem o que esperar da banda, faixas como Real Tears For Sale, de Happiness Is the Road (2008), e Afraid Of Sunlight, do homônimo de 1995, empolgaram, mas foi com as músicas do ótimo Marbles (2004) que o show ganhou em empolgação. You're Gone, Fantastic Place e Neverland, que encerrou a primeira parte do show, trouxe novamente o êxtase ao público, que acompanhou e cantou cada trecho da música ao lado de Steve Hogarth.

 

Nos braços do público a banda deixou o palco do HSBC Brasil pela primeira vez e retornou para um curto e eficiente bis com outra faixa de Marbles, The Invisible Man, e a clássica Sugar Mice – também de Clutching at Straws (1987), que foi cantada em grande parte pelo público, emocionando até mesmo os integrantes da banda, que provavelmente se perguntavam o motivo de ter demorado tanto para proporcionar tal momento.

 


Faltaram clássicos? Sim. Mas seria impossível repassar 15 anos e tantos bons lançamentos em uma única noite. O Marillion acertou no setlist e trouxe para o Brasil os melhores trabalhos de álbuns em que Hogarth já estava na banda, assim como o fato de presentar o público com os clássicos da fase Fish, quebrando definitivamente o hiato da banda e pagando sua “dívida” com o público brasileiro.

Expoente do movimento intitulado neoprogressivo, o Marillion soube como poucos se adaptar ao tempo e manteve intacta sua integridade ao longo das últimas duas décadas, agora o público brasileiro torce (e espera que a banda também se sensibilize) em não fazer com que seja necessário um período tão grande para acompanhá-los de perto novamente.

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