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Titãs - Espaço das Américas/SP (06.10.12)

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Uma noite memorável não só para os fãs dos Titãs, mas para toda a história do rock nacional, tão questionado nos últimos anos. Uma noite onde nem mesmo o vasto e concorrido calendário de shows foi capaz de afugentar um grande público do reformado Espaço das Américas, naquele que pode ser considerado um dos grandes marcos do rock no país, o show de comemoração de 30 anos dos Titãs.

Em show especial de 30 anos de banda, Titãs se reunião com formação clássica - Créditos: Divulgação
Em show especial de 30 anos de banda, Titãs se reunião com formação clássica - Créditos: Divulgação

Casa cheia, o retorno pontual da formação clássica da banda e uma verdadeira avalanche de hits eram o ingrediente perfeito para uma verdadeira comunhão entre o público e os Titãs, que subiu ao palco pontualmente às 22h30 com as clássicas Diversão e AA UU, faixas que já denunciaram o imprevisível setlist, que fugiria do apresentado durante a turnê de comemoração do álbum Cabeça Dinossauro (1986).

Sempre muito bem acompanhados pelo público, a formação atual dos Titãs, com      Branco Mello (vocal e baixo), Paulo Miklos (vocal, guitarra), Sérgio Britto (vocal, teclado e baixo) e Tony Bellotto (guitarra), além do bom baterista Marcelo Fabre, segura bem o ritmo do show, que deu ênfase nos últimos álbuns do grupo e obteve boa recepção, principalmente diante de uma geração que não teve a oportunidade de acompanhar seus primeiros lançamentos.

O cover de Aluga-se (de Raul Seixas), o sucesso Pra Dizer Adeus, a recente A Melhor Banda De Todos Os Tempos e a polêmica Vossa Excelência foram alguns dos momentos que mais empolgaram o público à medida que frustrava parcialmente quem esperava um resgate maior da carreira da banda. E com a épica Bichos Escrotos a primeira parte do show chegava ao fim, dando espaço ao aguardado momento em que a formação clássica dos Titãs subiria ao palco do Espaço das Américas.

Foram aproximadamente dez minutos de espera e nenhuma entrada triunfal ou cheia de efeitos especiais. Quando Paulo Miklos, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto ganharam a companhia de Arnaldo Antunes, Nando Reis e Charles Gavin, poucas vezes o público brasileiro agiu com tamanha emoção como quando a banda se posicionou sorridente e abraçada a sua frente. Entre lágrimas e efusivas manifestações, ficava claro que não seria necessário nenhum set especial, aquela cena por si só já havia se transformado em algo histórico.

Na sequência inicial de clássicos como Comida e Família era latente o quanto Arnaldo Antunes era importante na banda. Verdadeiro pulmão do grupo, o vocalista deu tudo o que o público precisava, cantou com absoluta vontade em meio a seus hipnóticos saltos e performances emblemáticas. Nando e Gavin não fizeram diferente, uma das cozinhas mais respeitadas do rock brasileiro, ambos mostraram que o entrosamento de outrora nunca desapareceu de suas carreiras.

Foi também nessa fase do show que o lado polêmico e politizado dos Titãs surgiu com mais ênfase, Polícia, Igreja e Estado e Violência foram alguns dos clássicos que mais empolgaram, só sendo superados para alguns dos maiores hits do grupo, como Marvin, Cabeça Dinossauro e Lugar Nenhum e Flores. Hits previsíveis, que estariam certamente em qualquer show da banda, mas executados de uma forma que soaram únicos pela ocasião.

Para o primeiro bis, Homem Primata e um dos primeiros hits do grupo paulista, Sonífera Ilha. Já para o momento derradeiro, a surpresa do repertório, Porrada, e a execução de Bichos Escrotos pela segunda vez no show, encerrando com chave de ouro um momento histórico da música brasileira.

Ao repetir no setlist a faixa extraída do álbum Cabeça Dinossauro, comparada à execução na primeira parte do show, ficou claro o que aconteceu com os Titãs nos últimos anos. O desfalque de Nando, Gavin e Arnaldo (além de Marcelo Fromer, falecido em um acidente em 2001), não significava somente a perda de alguns integrantes, mas também a perda de parte de sua credibilidade diante de um legado tão grande. Ainda que a formação atual tenha uma competência incrível, a engrenagem do grupo se fazia através da presença de seus músicos, como um passe de mágica ou uma engrenagem onde cada movimento dá sentido a um novo fato.

Nessa noite os Titãs foram mais que os Titãs, havia algo maior que a própria música do grupo. A capacidade de mostrar que certos momentos não envelhecem nos faz pensar que algumas coisas nunca deveriam acabar, assim como diz o título do filme biográfico da banda, a única coisa que qualquer um dos presentes no Espaço das Américas conseguiu pensar nessa noite é que “a vida até parece uma festa”.

A música passa por aqui.

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