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Dream Theater - Credicard Hall/SP (26.08.12)

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Em um domingo com uma temperatura agradável, o Credicard Hall recebeu um excelente público para a sexta passagem do Dream Theater, maior expoente da história do metal progressivo, em São Paulo. Com duas semanas anteriores ao show somente os ingressos para pista comum estavam disponíveis, o que já denunciava a verdadeira relação da banda com o seus fãs brasileiros. Mesmo sem músicas executadas em rádios ou videoclipes figurando na programação televisiva, cada passagem da banda americana abrange cada vez mais cidades e atrai um público cada vez maior. E o motivo? Vamos ao show.

Já passava das 22:15 quando Dream is Collapsing de Hans Zimmer, trilha sonora do filme A Origem, invade o PA de um Credicard Hall com uma fila ainda grande para fora da casa. Do lado de dentro, uma animação com os integrantes da banda toma conta frente aos três cubos que servem de telões, centralizados na parte superior do palco. Os cubos são dispostos com três lados voltados para plateia, formando um efeito que possibilitou múltiplas opções de projeção. Enquanto o cubo esquerdo destaca um integrante da banda, ao centro temos imagens que ilustram a música executada e no terceiro um plano geral do palco. As imagens vão sendo alternadas mostrando que um show do quinteto de Nova York é um espetáculo para ser visto e ouvido com detalhes.

Bridges in the Sky dá início ao show. Presente no último álbum de estúdio, e o primeiro a contar com Mike Mangini na bateria, a faixa mostra um Dream Theater empolgado como nunca e preciso como sempre. Foram necessários apenas os pouco mais de onze minutos da canção para que o mais novo membro da família deixasse seu cartão de visitas, mostrando-se totalmente integrado à banda e apto a dar continuidade ao legado iniciado pelas mãos e baquetas do já lendário “baterista da barba azul”, Mike Portnoy.

Saudades de ambos os lados desfeitas e todos devidamente apresentados é a vez de 6:00, do excelente álbum Awake (1994), ser executada e empolgar de vez os presentes. Aliás, justiça seja feita ao vocalista James LaBrie. Todas as músicas do segundo registro da banda mostram o vocalista cantando no limite e explorando toda a sua extensão vocal – que vai de um sussurro à notas muito altas – e mesmo 18 anos após o seu lançamento e já no fim de uma turnê longa, a execução dessa música foi perfeita, assim como todas as músicas que vieram a seguir. Após os sérios problema de saúde vocal que lhe custaram muitas críticas por muitos anos, não é nenhum exagero dizer que LaBrie, prestes a completar 50 anos, é facilmente um dos melhores vocalistas “ao vivo” da atualidade, principalmente quando levamos em consideração a dificuldade do material da banda e a maneira que certas linhas vocais são alteradas ao vivo, sempre buscando uma constante melhora e, consequentemente, criando uma execução muitas vezes mais difícil que a versão de estúdio.

The Dark Eternal Night fez a alegria dos fãs do material mais pesado da banda e colocou o público pra pular. A imagem dos telões utilizavam um filtro em preto e branco que envelhecia o que era projetado, intercalando momentos de cada músico com cenas clássicas de filmes de terror. Tudo o que um fã da banda gosta esteve presente no setlist, que abrangeu diferentes fases e climas, virtuosismo, precisão cirúrgica e solos individuais.

O primeiro deles veio logo após a execução de Lost Not Forgotten, do álbum A Dramatic Turn of Events (2011), que destacou efetivamente o baterista Mike Mangini, afinal, o que esperar de um ex-professor da Berklee College of Music, considerada a maior faculdade independente de música do mundo? O baterista em questão prendeu a atenção de todos, a começar pelo seu imenso e inusitado kit de bateria, que conta com 4 bumbos e uma série de peças e pratos localizados acima de sua cabeça. Para substituir o antigo baterista e membro fundador da banda, ser um músico completo é apenas um requisito básico, é preciso dar show e foi o que ele fez. A certo ponto do solo ele se dá ao luxo de comer uma banana com uma das mãos enquanto rufa os tambores com a outra. Um espetáculo à parte.

 

A Fortune in Lies, retirada do primeiro registro da banda, When Dream and Day Unite (1989), quando ainda contava com Charlie Dominici como vocalista, reforçou o ecletismo temporal e musical da noite e precedeu o momento intimista com a dobradinha The Silent Man, uma das suas baladas mais conhecidas, e Beneath the Surface. O público fez a sua parte e cantou junto. A satisfação era visível no semblante de John Petrucci, que juntamente com o concentrado e excelente baixista John Myung formou há quase 30 anos a célula principal e indissolúvel da banda.

Na sequência é executada a poderosa Outcry, que é uma síntese da assinatura da banda. Riffs pesados costurados por belas melodias, passagens virtuosas e quebras de tempo complexas. Ao fim desta música a banda se retira do palco para o solo de teclado de Jordan Ruddes. É difícil encontrar adjetivos para um músico que alia uma apurada técnica de piano clássico á medida que é um defensor da constante evolução tecnológica, desenvolvendo pesquisa para companhias de instrumentos musicais e tocando em tablets ao longo do show. Ao fim do solo o elogio de LaBrie reforça o porquê de ter um músico como ele na banda, que em suas palavras é um presente do instrumento, o teclado, além de um presente para nós todos. Neste momento encenam o pagamento em dinheiro de um para o outro justificando tamanho elogio. Sim, além do cuidado áudio e visual foi ensaiado um momento cômico para o show.

Com a reta final do show encaminhada, após uma jam entre Rudess e Petrucci que serve de base para o solo de guitarra, um pouco menos empolgante comparado aos outros números individuais, a balada Spirit Carries On colocou o público para cantar com seus celulares iluminando um pouco mais o Credicard Hall.

Única música presente do álbum Scenes From a Memory (1999), que recentemente foi eleito melhor disco de rock progressivo de todos os tempos pela revista Rolling Stone america, a faixa é um exemplo claro de uma banda que aborda, sem preconceitos e de maneira corajosa, além da habilidade muito acima da média de seus músicos, um caldeirão de inúmeras possibilidades rítmicas e melódicas.

A longa, e candidata a novo “clássico”, Breaking All Illusions, à exemplo de outras nem sempre executadas, porém preferidas de 9 entre 10 fãs como Learning to Live e A Change of Seasons, deu números finais ao show com um saldo extremamente positivo.

Mas para fechar com chave de ouro, a banda retornou para o bis com outro clássico absoluto de sua carreira, Metropolis Part 1: The Miracle and the Sleeper, cantada em uníssono pelos devotos da banda e retirada do álbum que não só lançou o Dream Theater para o mundo como redefiniu os rumos de todo um nicho de música desde então, o seminal Images and Words (1992).

Após quase três horas de show o “Dream Team” do metal progressivo fechou mais um capítulo memorável na cidade de São Paulo. Como acontece desde 1997, o público se despede torcendo para que uma nova turnê passe pelo Brasil. Até lá será possível rever toda a competência singular do Dream Theater em um DVD/Bluray gravado dias antes na Argentina e que deve sair até o início do próximo ano. A turnê se encerra dia 01/09 no primeiro show da história do grupo em Brasília.

A música passa por aqui.

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