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Pop Music Festival: Jennifer Lopez, Kelly Clarkson, Michel Teló... - Anhembi/SP (23.06.12)

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Você pode amar ou odiar a música pop, mas jamais será possível ignorá-la. Uma das maiores provas disso foi a realização da segunda edição do Pop Music Festival, evento realizado pela XYZ Live e que trouxe ao Brasil em 2011 a cantora colombiana Shakira e o produtor Fatboy Slim. Para 2012, a estrela pop Jennifer Lopez e Kelly Clarkson, uma das primeiras vencedoras do American Idol, foram os principais destaques de um line up que contou com o grupo Cobra Starship, o DJ set da socialite Paris Hilton e Michel Teló.

Créditos: Divulgação

Com a Arena Anhembi servindo de casa para sua segunda edição (a primeira havia sido no Morumbi), a aposta no globalizado Michel Teló foi bastante certeira e atraiu bom público desde o início da noite. Subindo ao palco pouco após as 19h – em uma das mais frias noites do ano em São Paulo – o cantor paranaense fez o que já se acostumou a fazer, comandar as multidões.

Amparado pelo mega hit Ai se eu te pego, Michel Teló se mostrou bem maior que o hype criado em sua imagem, mostrando que já possue um repertório consistente para esse tipo de ocasião, interagindo bastante e afastando o frio do público que ainda chegava ao Anhembi. Abrindo com Humilde Residência, passeou pela música caipira de raiz, dominou sua sanfona e teve a humildade de agradecer o público pelo respeito com sua música frente à ícones da música internacional. Com pouco menos de uma hora de show, Michel Teló abriu o bem organizado festival, que trazia intervalos de meia hora entre cada show enquanto exibia vídeos de estrelas pop no telão.

Ainda que contasse com bom público desde seu início, não era difícil conseguir ingressos para o festival por 1/5 do valor nas redondezas. Esse valor reduziria ainda mais conforme a fria noite avançava e logo o espaço chegou ao ápse de sua lotação, ainda durante a apresentação do Cobra Starship.

Outro daqueles fenômenos que dominam as rádios FM de todo país, o Cobra Starship já é velho conhecido dos brasileiros e transita muito mais perto da música eletrônica do que do pop convencional, o que fez a alegria de adolescentes e transformou o espaço em uma espécie de matinê improvisada. A formação repleta de teclados facilita o desenvolvimento do som do grupo, que trouxe hits como a grudenta You Make Me Feel, Hot Mess e You Belong to Me, músicas que definem bem a atual música pop, feita sob medida para uma faixa etária cada vez mais baixa e consumidora.

Como primeira atração internacional da noite, o Cobra Starship cumpriu bem seu papel em pouco mais de uma hora. É inegável que o som do grupo americano se consolidou no país e tem tudo para crescer nos próximos anos.

Por volta de 21h30 o Pop Music Festival teve aquele que pode ser considerado o melhor show do festival. Primeira vencedora do American Idol, Kelly Clarkson fez sua estreia no Brasil após consolidar-se como estrela pop nos Estados Unidos e deixar pra trás o legado criado pelo programa, onde seus vencedores praticamente caíram no ostracismo após vencerem suas edições.

Com uma banda bastante competente e um público que exalava uma euforia surpreendente, Kelly subiu ao palco do festival consagrada e surpresa com tamanha recepção, o que acabou ajudando no desenrolar de seu setlist, que passeou bem por seus cinco álbuns.

Logo de cara, com a trinca Dark Side, Behind These Hazel Eyes e Since U Been Gone, a reciprocidade mútua e uma histeria digna de grandes nomes da música pop impressionava a quem duvidava da qualidade da cantora, que mostrou-se muito à vontade e isenta de efeitos em sua voz, justificando o reconhecimento de seu talento quando venceu o American Idol.

Seguindo o padrão de tempo dos primeiros shows, Kelly foi do pop à música eletrônica sem abandonar aquele sotaque do Texas que lhe tornou tão especial na música americana. Cheia de hits na manga, viu um público que, pela primeira vez, interagiu com tamanha intensidade que a surpreendeu ao fim do show, que trouxe no bis seu primeiro hit, Because Of You, a nova Stronger e My Life Would Suck Without You, todas na ponta da língua do público.

Grande estrela da noite, palco seria todo dela, Jennifer Lopez, que tinha nas mãos um público afoito por hits e inclinado a ignorar toda aura criada sobre o processo de execução de um show recheado de coreografias e “menos musical” do que a catarse provocada por Kelly Clarkson. O relógio chegava perto de 23h30 quando os dançarinos de J-Lo se posicionaram frente ao palco e deram início a uma apresentação com uma produção de dar inveja a qualquer musical da Broadway.

Assistir uma apresentação de Jennifer Lopez é um colírio muito maior para os olhos do que para os ouvidos. Não trata-se de uma questão de qualidade, afinal, seus hits já marcaram época e seguem impressionando em vendagens, mas o excesso praticado em alguns momentos faz da cantora uma mulher inacessível e distante devido à concentração com que executa suas coreografias, o que acaba esfriando o ímpeto do público.

A dobradinha inicial com Get Right e Love Don't Cost a Thing foram a prova de que o público atenderia prontamente a qualquer um dos seus pedidos, mas foi com sua parceria com Lil Wayne em I'm Into You que o show teve seu primeiro ponto alto. A partir daí, a passagem pelo hip hop, a música eletrônica (que infelizmente impediu a natural execução de um de seus primeiros hits, Waiting for Tonight) e o multimídia, com vídeos que serviam de passagem para troca de figurinos, acabaram dispersando parcialmente o público.

Inegavelmente talentosa e dona de uma voz poderosa, Jennifer Lopez exagera em alguns momentos com o uso de overdubs e acaba comprometendo o  show, que funciona muito mais como um espetáculo do que uma apresentação ao vivo, principalmente em virtude de momentos como em Goin’ In, quando a produção e coreografia extrapolam o bom senso, ainda mais diante de um público pronto para interagir com a cantora.

Com pouco mais de 15 músicas, a apresentação de 1h30 de J-Lo se encerrou como um verdadeiro show, quando executou o hit Papi e On the Floor, naquele que pode ter sido o momento mais apoteótico do festival, com uma plateia agindo como plateia e a cantora agindo como uma verdadeira diva pop.

O bis solitário com Dance Again não mudou aquilo que já havia sido comprovado, Jennifer Lopez é uma estrela da música pop e se mantém distante do público o suficiente para que se torne virtualmente intocável. Musicalmente falando, ver seu show é um exercício para os olhos e, caso ignore-se essa questão dos overdubs e excessos, ele realiza sua tarefa com extrema competência, e foi com ess sensação que J-Lo deixou o palco pela segunda vez, ovacionada pelo público.

Em uma madrugada onde a temperatura baixa parecia ser mais presente que o público, o Pop Music Festival 2012 surpreendeu com a presença de Paris Hilton, que realizou um DJ Set para uma quantidade considerável de presentes, que esperaram por quase 40 minutos até sua entrada. Com a ajuda do top DJ Afrojack na montagem de set, a polêmica e carismática loirinha trouxe a nata do pop atual com David Guetta, Avicci, Calvin Harris e nomes que podem muito bem servir de guia para a próxima edição do evento, em 2013.

O relógio já havia passado há tempos das 02h da madrugada quando Paris encerrou seu set. Após uma maratona de mais de 7 horas, o resultado final do Pop Music é positivo. Trouxe bom público, atrações que agradaram e hits que estão na ponta da língua de todos os presentes. Questionável, ou não, a música pop cumpriu nessa noite o seu objetivo e o Pop Music Festival segue consolidado como um dos grandes festivais do país, principalmente por se limitar a atuar dentro de uma vertente que não pode ser ignorada, a música pop.

A música passa por aqui.

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