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Sónar SP: Kraftwerk, Chromeo, Little Dragon, Clara Sverner e mais... - Anhembi/SP (11.05.12)

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Um dos festivais mais aguardados de 2012, a segunda edição do Sónar SP aconteceu no último fim de semana durante os dias 11 e 12 de maio no Palácio Anhembi, um conjunto de instalações que comportariam três palcos e atrações que transitavam pela música eletrônica, o hip hop e até mesmo o rock, muito bem representado nas pesadas guitarras de grupos com o Mogwai.

Entre os destaques da programação estava os alemães do Kraftwerk, que foram escalados de última hora após o cancelamento da cantora islandesa Bjork. Para esse show, o grupo trouxe ao país uma nova experiência sonoro-visual com o show Kraftwerk Live 3D, somente realizado no Museu de Artes de Nova York. Cut Chemist, Criolo, Justice, Austra, Little Dragon, Cee Lo Green e a pianista Clara Sverner foram alguns dos nomes que mais chamaram a escalação do evento.

Com o show Kraftwerk Live 3D, o quarteto alemão foi uma das atrações mais aguardadas do festival - Créditos: Divulgação
O show do quarteto alemão Kraftwerk foi uma das atrações mais aguardadas do Sónar SP - Créditos: Divulgação

Em sua primeira noite, o Sónar teria como destaques o quarteto alemão, as bandas Little Dragon e Austra, a pianista Clara Sverner, o duo Chromeo e mais um encontro entre os veteranos DJ Marky e Patife, responsáveis diretos pela difusão da música eletrônica no país.

Mas não tardou para os problemas começarem. Com a necessidade de se retirar os ingressos na bilheteria do festival, uma fila imensa foi formada e o lento atendimento comprometeu a presença do público durante o show do Kraftwerk, que era a primeira grande atração da noite. Boa parte dos fãs do grupo não conseguiram chegar em tempo para conferir o início da apresentação, atrasada em quase meia hora.

Passada toda dificuldade para o ingresso ao Sónar SP, era difícil encontrar mapas indicando os palcos do evento, o que fez com que muita gente perdesse tempo no deslocamento, principalmente no auge de presença de público no evento, em torno de 01h da manhã.

Mas o que realmente importava para 90% do público era a música. Com atrações bem diversificadas, a organização do Sónar teve boas ideias para um público que pouco se interessou. Diante da ausência de artistas de mainstream, o que se viu durante a maior parte da noite foram palcos vazios e um público disperso em grande parte dos shows. A estrutura do palco principal também comprometeu a apresentação 3D do Kraftwerk. A fraca acústica e a presença de duas pilastras no meio da pista quebraram completamente o encanto de um dos shows mais interessantes do planeta.

Depois de James Blake realizar um questionável DJ Set, o palco foi preparado para o Kraftwerk e concentrou praticamente 80% do público do evento. Enquanto isso, Cut Chemist desfilava scratchs e mostrava por que é um dos maiores produtores do planeta. No Sónar Club, a pianista Clara Sverner tocava para menos de 50 pessoas em um dos shows que mais respeitavam a ideologia do festival, aliando a música clássica com a tecnologia em projeções sincronizadas com o piano, graças ao excelente trabalho de Muti Randolph, filho da pianista.

A grande atração da noite estava no Sónar Club. Com a promessa de um espetáculo 3D – a elogiar a distribuição de óculos na entrada do evento, o Kraftwerk pouco mudou desde suas duas últimas turnês, com um repertório pautado em seus clássicos, mas com suas projeções recriadas para a exibição no MoMA de Nova York. Com um telão bastante inferior às expectativas, pelo menos 70% do público não conseguiu encontrar o aguardado 3D do show. A presença de colunas e a posição do telão muito ao fundo do palco contribuiram demais para esse problema.

O repertório trouxe músicas que dispensam apresentação, clássicos como Robots e Man Machine, retiradas do álbum de 1978; Radioactivity, do homônimo de 1975; além de Numbers e Computer World, ambas de 1981, justificaram o tamanho do legado criado pelo Kraftwerk na história da música, ainda seria executadas faixas do álbum Tour de France (2002) e Trans Europe Express (1977). A lamentar a ausência de The Model, um dos grandes hits do grupo no país, mas que precisou ser retirada do setlist devido à duração da apresentação.

Com um espetáculo conceitual, a interação entre banda e público nunca existiu nos shows do Kraftwerk e isso não era novidade, mas talvez pela experiência de um festival e a presença de DJs no evento, o show do grupo alemão acabou sendo engolido pelo nível de dispersão do público que, talvez frustrado pela dificuldade em se assistir o show pela quantidade de conversas, ignorou a importância do que estava acontecendo.

Pelo lado do Kraftwerk, a perfeição e sincronismo que consagraram o grupo de Ralf Hutter mantiveram o nível das outras passagens pelo país e impressiona o quanto a influência dos alemães é sentida hoje. Caso o silêncio e a estrutura contribuíssem, havia sido um show digno de fazer o mais frio fã do grupo se emocionar. Provavelmente será lembrado como um grande espetáculo e foi a oportunidade de vários fãs terem contato com o grupo pela primeira vez, mas para quem acompanhou as épicas apresentações realizadas no Free Jazz de 1998 e o Tim Festival de 2006, a experiência pouco acrescentou.

Terminado o Kraftwerk, a verdadeira debandada de público (tanto para fora do festival como para outros palcos) acabou impedindo que boa parcela dos interessados conferisse a apresentação do Little Dragon no Sónar Club. Nesse período intermediário, o rapper Criolo realizou uma grande apresentação no mesmo local e justificou a expectativa criada em torno de seu trabalho.

Do outro lado, Hudson Mohawke, responsável por tocar após os alemães no palco principal do festival, encontrou menos de 500 pessoas no local e o clima de fim de festa acabou dominando boa parte do público, que acabou indo embora. Somente para a apresentação da dupla Chromeo houve o retorno de boa parcela dos presentes, mas bastante aquém do aguardado.

A apresentação do Chromeo foi, de longe, uma das melhores de todo festival. Formada por David Macklovitch (Dave 1) e Patrick Gemayel (P-Thugg), a dupla canadense/americana transita com perfeição pela música eletrônica e o rock, fazendo uma apresentação que agrada ambos os públicos e cativa até mesmo quem não os conhecia.

O repertório do show, que abriu com a dançante Fancy Footwork, passou pelos três álbuns do grupo e empolgou. A sequência Bonafied Lovin', Don't Turn The Lights On e You're So Gangsta foi responsável pela parte mais animada do show, que manteve o público interessado na dupla durante toda sua duração.

Com DJ Marky e Patife trazendo clássicos do Drum n Bass no Sónar Village após uma boa apresentação do DJ Zegon, novamente o palco principal do evento foi esvaziado, dessa vez de forma definitva após a irregular apresentação do produtor Skream. Do outro lado do evento, o Austra ainda colhia os cacos por ter que rivalizar com o Chromeo e somente em alguns momentos a banda da cantora Katie Stelmanis conseguiu empolgar.

Ainda houveram apresentações de nomes como Gui Boratto e Super Guachin, já contando com pouco público. A primeira noite do Sónar SP se encerrou discreta e comprometida por algumas falhas de estrutura, principalmente na entrada do evento e na sinalização, mas a acertou em cheio com algumas atrações como o próprio Kraftwerk, Chromeo, Criolo, Cut Chemist, Clara Sverner e Little Dragon, que fizeram bons shows mesmo com um público bastante disperso.

A música passa por aqui.

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