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Buddy Guy - Via Funchal/SP (12.05.12)

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Uma das maiores lendas da história do blues, Buddy Guy é velho conhecido do público brasileiro. No auge de seus 75 anos, o guitarrista que praticamente define a cena de Chicago segue na ativa como um verdadeiro adolescente que acabou de descobrir a guitarra, excursionando mundo afora e apresentando o gênero para novas gerações.

Com ingressos esgotados muito antes de sua apresentação, a expectativa do público e a noite fria de sábado se tornaram o ambiente perfeito para Buddy, que subiu ao palco sem atraso e realizou uma apresentação que emocionou a velha geração tanto quanto constatou que o blues segue conquistando o público mais jovem, tudo isso bem refletido na faixa etária do público da casa.

O guitarrista da Louisiana deu o pontapé inicial de seu show com Nobody Understands Me But My Guitar, faixa que aparece pela primeira vez em seu box Can't Quit The Blues (2006). Abusando dos solos e com o público na mão desde seu início, Buddy Guy faz do imenso palco do Via Funchal o quintal de sua casa, convidando todo público a interagir com sua música. Faz caretas, conversa –  muitas vezes sem o microfone – e mostra uma banda bastante entrosada.

Assim como em outras oportunidades, Buddy Guy faz questão de lembrar suas influências e resgatar a raiz do blues. Sempre preocupado com a perda de identidade do gênero, o guitarrista costuma afirmar que pouco a pouco o blues vem desaparecendo e trabalha para mantê-lo vivo. Dessa paixão surgem clássicos de Muddy Waters, Hoochie Coochie Man e Shes Nineteen, a sempre bem-recebida Boom Boom de John Lee Hooker e Down Don Bother Me de Albert Collins. Tudo muito bem explicado e arrancando aplausos a cada nome proferido.

Ao longo de pouco mais de 1h30, Buddy Guy trouxe ao palco faixas de seu último lançamento, Living Proof (2010). Let The Door Knob Hit Ya impressiona, mas a emoção surge com 74 Years Young, faixa que celebra sua vitalidade ao longo de mais de sete décadas de vida. Em sua letra, Buddy define sua paixão pelos palcos cantando com orgulho “I’m 74 years young, there ain’t nothing, i haven’t done“.

Em sua reta final, o show ainda traria outra sequência de covers e sua tradicional caminhada pelo público, uma situação que só prova o tamanho da humildade de um artista que sabe o quanto é importante estar próximo ao público para que ele se apaixone pela sua música. Nesse caso, I Just Want To Make Love to You era a trilha perfeita para isso.

Com uma versão de Voodoo Child, de Jimi Hendrix, e Sunshine of Your Love, do Cream, Buddy já dava sinais do fim de sua apresentação, quando brincava com a guitarra enquanto o público se aglomerava em frente ao palco em busca de algum autógrafo ou paleta do guitarrista.

O sucesso de mais uma passagem de Buddy Guy por São Paulo é incontestável. Diante de um público eufórico e visivelmente emocionado, o guitarrista sabe que cumpriu sua missão e fez com que o blues se mantivesse vivo dentro de cada um dos presentes. Um dos últimos representantes da velha guarda ao lado de BB King (e outros grandes nomes que constituem o segundo escalão do blues), o guitarrista sabe que cada nota desferida de sua guitarra também é um grito de socorro para que o público mantenha o legado do blues vivo, e julgando pela empolgação e comoção registrada, Buddy pode ficar tranquilo porque ele vive forte dentro de cada um.

A música passa por aqui.

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