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Crosby, Stills & Nash - Via Funchal/SP (10.05.12)

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Diz a lenda que, quando estamos próximos da morte, detalhes de toda nossa vida saltam a frente dos olhos em um milésimo de segundo. No caso de um show do trio Crosby, Stills & Nash, a analogia é permitida, afinal, o que o público paulista conferiu na noite do dia 10 de maio no Via Funchal, ao longo de quase 3 horas, a verdadeira história da música.

Tratar essa turnê do trio americano como uma das mais importantes do ano não é exagero. Na estrada há mais de 40 anos, ter a oportunidade de conferir uma turnê de um dos maiores nomes da história da música merecia um público muito maior do que a média lotação do via Funchal.

Sem atraso e com público empolgado, David Crosby e sua marcante barba branca surgiram no palco ao lado de Graham Nash e Stephen Stills para uma versão eletrificada de Carry on / Question, uma das músicas mais famosas do grupo e retirada do álbum Déjà Vu (1970). Bem entrosado e acompanhado de um quinteto, a música do trio ganha ainda mais força ao vivo, mas nem de longe espanta aquela atmosfera intimista de seus álbuns.

Dividindo o show em dois atos de pouco mais de uma hora e um intervalo de 15 minutos, os clássicos do grupo não foram ignorados, especialmente aqueles retirados do seminal álbum Crosby, Stills & Nash (1969). Em sua primeira parte, o trio trouxe faixas como Marrakesh Express, Wooden Ship e a bela Long Time Gone, em um dos momentos mais emocionantes de toda apresentação.

Isoladamente, as vozes de David Crosby e Graham Nash ainda se mantém em um nível altíssimo, já Stephen Stills parece ter sentido mais a ação do tempo, mas existe uma magia quando as vozes de seus integrantes se juntam, ultrapassando a barreira do tempo e soando fieis às gravações originais. Isso fica claro em faixas como Southern Cross (Daylight Again, 1982) e em Déjà Vu, faixa do álbum homônimo de 1970.

Pela primeira parte do show ainda houve espaço para faixas particulares de David Crosby, com The Lee Shore, e Stephen Stills, Military Madness. Mas um dos maiores destaques foi, sem dúvida, a execução de Bluebird, clássico do Buffalo Springfield e que ganhou na guitarra de Stephen Stills solos de empolgar qualquer amante de música.

Tão simples quanto seu início, a segunda parte do show segue o mesmo padrão do início. São clássicos muito bem distribuídos, longas jams e um entrosamento que fez do grande Via Funchal uma verdadeira sala de estar, tamanho o clima intimista com o qual o trio conduz sua apresentação.

Do cover de Bob Dylan, em Girl From The North Country, passando pela homenagem ao Rio de Janeiro em Jesus in Rio, clássicos como Guinnevere e Cathedral (CSN, 1972) empolgaram tanto quanto o esforço dos músicos em interagir em português.

A reta final, com Graham Nash no teclado, trouxe mais dois grandes clássicos do grupo, Our House e Almost Cut My Hair, ambas retiradas dos dois primeiros álbuns do trio, que saiu ovacionado do palco após Love the One You're With, música de Stephen Stills, que se mostra em plena forma com sua guitarra.

Para o primeiro bis, nada menos que For What It's Worth, do Buffalo Springfield, e Teach Your Children, uma das mais emocionantes músicas do trio. Mas a festa não estava completa, ovacionado pelo público e retribuindo de forma intensa todas as manifestações, Suite: Judy Blue Eyes, primeira faixa do primeiro álbum do Crosby, Stills & Nash, deu números finais ao show.

O relógio já havia passado da meia-noite há um bom tempo, mas ninguém se importava, com um repertório bem desenhado e uma qualidade ímpar, a apresentação do Crosby, Stills & Nash em São Paulo foi tão histórica quanto o mito em torno de seu nome, que atravessa décadas intocável e cativa de forma irrepreensível o público por onde passa.

A música passa por aqui.

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