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Nada Surf - Cine Joia/SP (25.04.12)

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Na última década, o termo “indie rock” virou referência para bandas que surgiram no início do século como Strokes e Franz Ferdinand, o que deu um novo ar para o rock após o período mais conturbado no fim da década de 90. Passado esse boom do “novo rock”, bandas com 10, 15, 20 anos de história praticamente foram colocadas em um mesmo contexto, o que acabou distanciando o talento de muitas do grande público. Uma delas foi o Nada Surf, banda formada em no início da década de 90 e que sempre se manteve na ativa e atravessou uma década dentro do imaginário do público brasileiro após épicas apresentações quase uma década atrás.

Longe da bajulação da mídia e com lançamentos de altíssima qualidade, inclusive o novíssimo e elogiado The Stars Are Indifferent To Astronomy (2012), o Nada Surf veio ao Brasil para corrigir uma espera de anos diante de um público que sempre o teve como uma das bandas seminais de um gênero que se tornou bastante mutável nessa década.

Formado por Matthew Caws, Ira Elliot e Daniel Lorca (que rendeu ao Passagem de Som uma das entrevistas mais legais que já realizamos), o Nada Surf vem se apresentando como um quinteto, o que facilita, em muito, o andamento de suas canções, ainda melhores ao vivo.

Com valores de ingressos realmente justos (o que rende ainda mais elogios às atitudes da Agência Inker em suas atividades esse ano), o resultado não poderia ser outro, casa cheia e euforia coletiva, muito bem justificada nas redes sociais antes da apresentação da banda e no pocket show realizado dois dias antes.

E foi com um bom público que a inspirada banda Selvagens A Procura de Lei subiu ao palco do Cine Joia para apresentar faixas de seu álbum Aprendendo a Mentir (2011). Com uma boa performance e mostrando bastante maturidade, o grupo cearense arrancou aplausos do público que vinha lotando aos poucos o lugar, à medida que o marketing oficial do Nada Surf fazia imenso sucesso na área externa do show.

Pouco mais de 23h e o público paulistano finalmente começou a matar a saudade do show épico realizado pelo Nada Surf no extinto Urbano, quase uma década atrás. Divulgando seu novo álbum, a banda americana fez uma daquelas apresentações que comprovam o quanto a maturidade faz diferença diante de um público mais experiente, que não precisa pular o tempo inteiro para mostrar o quando conhece e admira a sua obra.

Clear Eye Clouded Mind e Waiting for Something, ambas retiradas de The Stars Are Indifferent To Astronomy (2012), mostraram a boa recepção do disco por aqui, que agora ganha edição nacional. Mas foi com Happy Kid, faixa de Let Go (2002), que o show esquentou de vez. O bom som da casa e o apelo do público, mais maduro, contribuiu na performance da banda, que não precisa se fingir como um guitar hero ou interagir 100% do tempo.

Transitando por todos seus álbuns, as boas What Is Your Secret?, deThe Weight Is a Gift (2005), e a nova Teenage Dreams funcionaram bem, assim como em Killian’s Red, de Let Go (2002).

Um dos momentos de maior emoção do show aconteceu em Hyperspace, dedicada a uma fã brasileira da banda, falecida anos antes. Dali em diante ficava claro que o Nada Surf estava realmente disposto a dar mais que o seu comum 100% no palco. Com Whose Authority, primeira faixa de Lucky, 2008, e Jules and Jim, o show entrou em sua fase mais instrospectiva, voltando a ter um dos seus mais emocionantes momentos com Amateur, clássico de The Proximity Effect (2008).

A voz de Matthew Caws é, sem dúvida, um dos maiores trunfos do Nada Surf. Sem apresentar variações quando comparada aos primeiros discos do grupo, a o vocalista mantém intacta a identidade da banda, o que acaba afastando de vez a distância entre sua última passagem pelo país e a nova excursão.

Do novo álbum, When I Was Young e No Snow On The Mountain mostrariam o quanto a recepção de um lançamento da banda com 20 anos de carreira tem força no país. E com parte dos clássicos guardados para o final, o Nada Surf fez o que mais se esperava: emocionar o público.

Em sua reta final, Hi-Speed Soul e Paper Boats, ambas de Let Go (2002), e Treehouse, de seu primeiro álbum, só não tiveram maior empolgação que See These Bones, faixa de Lucky (2008) e responsável pelo encerramento apoteótico da primeira parte do show.

Já o longo bis provavelmente não sairá da cabeça dos fãs da banda por longos anos… clássicos do grupo como Inside Love, Popular (talvez a mais famosa faixa do grupo em terras brasileiras), Always Love e Blankest Year foram responsáveis pela catarse, muitas vezes contida, mas inegavelmente realizada, no retorno do Nada Surf a São Paulo.

Em uma noite onde o público mais maduro e fã de música alternativa teve a oportunidade de finalmente reviver o auge do gênero no país, o Nada Surf fez ainda mais do que se podia imaginar, alterando seu setlist e apagando todo hiato da banda no país.

Julgando pela sua empolgação ao final, não é de se desesperar o adeus de Matthew e sua banda. Dificilmente haverão oito anos entre esse e o próximo show da banda no país, afinal, não é todo dia que a emoção e a história da música realizam um encontro tão intenso quanto na noite de 25 de abril em São Paulo.

A música passa por aqui.

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