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Ian McCulloch - SESC Pinheiros/SP (15.04.12)

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Uma das bandas mais queridas do público brasileiro, o Echo & the Bunnymen não realiza uma turnê pelo país desde 2009, quando realizou um grande show no Credicard Hall em novembro. Mas com seus projetos particulares, o vocalista Ian McCulloch proporcionou um verdadeiro revival de sua carreira com duas apresentações realizadas no SESC Pinheiros/SP durante os dias 14 e 15 de abril.

Em turnê de seu quarto álbum solo, Pro Patria Mori, ainda não lançado oficialmente e resultado de um processo de crowdfunding, o vocalista do Echo & the Bunnymen veio ao país acompanhado de um tecladista e um guitarrista, além de um nobre quarteto de cordas, que transformou arranjos que marcaram a história da banda em algo ainda mais bonito, surpreendendo qualquer um que acreditasse se tratar de uma apresentação acústica, similar àquelas realizadas na virada do século em São Paulo.

Com ingressos esgotados, Ian subiu ao palco do SESC Pinheiros já consagrado pela apresentação da noite anterior, onde rivalizava com ao menos quatro grandes shows internacionais na cidade, mas que pouco influiram na procura pelos ingressos, esgotados muito antes do fim da data do show. Caminhando entre faixas de sua carreira solo, como as faixas-título Slidling e Candleland – todas permeadas por arranjos muito bem orquestrados – o vocalista do Echo & the Bunnymen só não causou maior histeria quando comparado aos clássicos de sua banda.

Logo no início do set, Rescue, do álbum Crocodiles (1980), e Bring on the Dancing Horses (1985), um de seus singles de maior sucesso, ganharam uma nova roupagem, digna de emocionar o maior fã do grupo. De sua carreira solo surgiriam Proud to Fall e Pro Patria Mori, muito bem recebidas, mas que ainda precisam de um período para se fixar na cabeça dos fãs, afoitos por clássicos de sua banda.

Conversando bastante, e até fazendo piadas, Ian sabe como poucos conduzir uma apresentação em caráter mais intimista do que o confortável auditório do SESC poderia proporcionar, mas nem por isso deixou de executar o que todo público esperava. Fool Like Us, retirada do melancólico What Are You Going to Do with Your Life? (1999) agradou, mas foi com Zimbo (1982) que a apresentação engrenou novamente.

Usando e abusando dos diálogos, era nítido que a voz de Ian já não soava mais como em seu início, o que acabou ficando cada vez mais nítido com o decorrer do show. Em faixas como The Flickering Wall, de seu primeiro álbum solo, Candleland (1985), já era visível um esforço maior para manter os tons mais altos à medida que seu quarteto de cordas proporcionava maior intensidade aos arranjos originais.

Com sinais cada vez evidentes de seu problema com a voz, Ian soube conduzir com maestria seu maior clássico, The Killing Moon, do épico Ocean Rain (1984). Mas antes de encerrar a primeira parte do show, com The Game e Nothing Lasts Forever, faixa que pode ser considerada como o último sucesso comercial do Echo, retirada do álbum Evergreen (1997), um esforço ainda maior fez com que Ian precisasse refazer a música por três vezes até conseguir se doar de vez e deixar o palco vez coberto de aplausos.

Foi aí que um equívoco surpreendeu parte do público e a produção, com uma surpreendente invasão de palco para retirada de setlist e as paletas restantes, com isso o retorno de Ian acabou sendo retardado. Problemas resolvidos e o vocalista executou quase à capela a faixa Somewhere, para depois conversar e executar nada menos que o famoso cover de Walk on the Wild Side de Lou Reed.

Após novamente deixar o palco e os seguranças presenciarem outra invasão, Ian retornou surpreendentemente para executar Lips Like Sugar, com uma participação bem mais efusiva do público, um fim digno de um show de rock.

De rara beleza, só não é possível cobrir completamente de elogios o ousado projeto de Ian McCullock porque, infelizmente, sua voz não tem mais força suficiente para dois dias de show. Os nítidos esforços desde a metade do segundo show só reforçam a ideia de que a carreira do vocalista está seriamente ameaçada caso os exageros não sejam evitados. Com pouco mais de 50 anos e uma idolatria digna de um dos maiores nomes da música, Ian precisa realmente pensar em seu futuro, o público do Echo & the Bunnymen merece isso.

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