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Lollapalooza - Arctic Monkeys, Foster the People... - Jockey Club/SP (08.04.12)

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Diferente do primeiro dia, quando os ingressos estavam esgotados e a capacidade do Jockey Club em seu limite, o segundo, e último, dia de festival trazia em seu line up atrações que praticamente definiram os últimos anos da música alternativa, além do Jane’s Addiction e o Arctic Monkeys, responsável pelo encerramento do evento.

Desde o início da tarde a chuva já começava a dar o ar de sua graça em um domingo que começou quente em São Paulo. Com atrações interessantes no circuito nacional como a cantora Blubell e a veterana Plebe Rude, logo o público começou a chegar, mas foi com a primeira grande apresentação do dia 8, o Gogol Bordello, que a temperatura do Jockey subiu de verdade.

Com 60 mil pessoas e um bom público desde seu início, o Lollapalooza ganhou um clima muito similar a sua edição original, em Chicago, com um céu parcialmente nublado entre arranha-céus e uma facilidade muito maior para se transitar.

Se apresentando no palco Butantã, a banda liderada pelo extravagante Eugene Hütz trouxe ao Brasil uma das apresentações mais intensas do festival, o que não é novidade devido ao histórico da banda no país. Desde seu início, com Ultimate, faixa do seu melhor álbum, Super Taranta! (2007), ficava claro que a posição da banda logo no início da tarde havia sido muito bem escolhida para atrair o público, que já se encontrava no local em peso, em uma hora foi possível ver o “Gipsy Punk” do Gogol Bordello, literalmente, contagiar o público.

Na sequência, a world music do Thievery Corporation acabou destoando da empolgação provocada pelo Eugene e sua banda, passando sem muita empolgação pelo público do festival. Divulgando seu último álbum, Culture of Fear (2001), o duo formado por Rob Garza e Eric Hilton provou ser uma atração ideal para um ambiente mais intimista; enquanto isso o duo brasileiro, Killer on the Dancefloor, animava a tenda Perry.

Com um público afoito por um grande show, cabia aos ingleses do Friendly Fires colocar o festival novamente em seu melhor momento. Foi quando a combinação de elementos fundamentais para um grande show ocorreu novamente. Em uma das melhores performances de todo evento, a banda de Hertfordshire fez um show que surpreenderia qualquer um que estivesse passando por perto do Palco Butantã.

Representado pelo vocalista Ed Macfarlane, o Friendly Fires mostrou que não seria necessário fazer o público esperar pelo hit Paris para garantir um grande show. Divulgando seu mais recente álbum, o elogiado Pala (2011), músicas como Blue Cassette, True Love, Hawaiian Air e a própria faixa-título do álbum foram muito bem recebidas, mas foi com os hits de seu álbum de estreia que os melhores momentos aconteceram. Sempre interagindo e dançando de uma forma quase descontrolada, Macfarlane foi o grande showman da apresentação, que teve seu ápice na própria Paris e o encerramento com Kiss of Life.

Durante esse período estávamos diante de uma sequência muito elogiada do festival, afinal, o público havia sido obrigado a se dividir para acompanhar o Black Drawing Chalks, que também realizava um grande show no Palco Alternativo. Com o encerramento de ambas a bandas, o festival entrava novamente em uma incógnita, afinal com o Pretty Lights realizando uma discotecagem praticamente descartável e cheia de remixes baseados em música pop, o único palco em atividade contava com a apresentação da Manchester Orchestra, desconhecida do grande público e que foi escalada por último no evento.

Com um set de pouco mais de dez músicas diante de um público disperso, a banda da Georgia trouxe um mix de seus três álbuns, todos sem distribuição no Brasil. Com guitarras que muito se assemelham aos trabalhos do Pavement, não demorou para conquistar aqueles que se posicionaram mais próximo ao palco. Como não haviam filas, o festival viveu seu momento mais tranquilo, porém, com um verdadeiro temporal se armando. No fim das contas, a apresentação da Manchester Orchestra serviu para apresentar sua música a um grande público, tarefa muito bem executada.

Nuvens negras cobriam o Jockey enquanto o MGMT se preparava para subir ao palco Butantã. Com raios e nuvens que tranformaram a tarde em noite, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser poderiam ter realizado um dos grandes shows do festival caso ousassem um pouco, mas infelizmente não foi o que ocorreu.

Com parte do público tentando se acomodar nas tendas do festival e vendo o rapper inglês Tinie Tempah iniciar sua apresentação, o MGMT apostou em raros momentos onde sua psicodelia realmente funcionou.

Se com Of Moons, Birds & Monsters e Weekend Wars, faixas de seu primeiro álbum, Oracular Spectacular (2007), o público se empolgou, a sequência com It's Working já dava sinal que o show do grupo não seria muito diferente do cansativo set realizado na última edição do TIM Festival. Somente com Electric Feel a empolgação voltou, mas as longas jornadas instrumentais do grupo só surtiam algum efeito quando algum raio mais assustador passava pelo Jockey.

Assim como a chuva que castigava o Lollapalooza, a apresentação do MGMT não passou de uma ameaça e não demorou para que o público dispersasse, retornando somente para acompanhar músicas como Time to Pretend e Kids, ambas do primeiro álbum do grupo. O lado triste dessa apresentação é ver uma banda com tanto potencial, disposta a experimentar e criar melodias marcantes, se perde no uso de sintetizadores. Com um pouco mais de ousadia e livrando-se dessa aura “progressiva”, é possível que volte aos seus dias de glória, distante em Congratulations (2010). Com um novo álbum no forno, é torcer para que Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser voltem a fazer música de verdade, afinal, soar como um genérico do Yes em pleno século XXI é jogar no ralo um respaldo que poucas bandas conseguem em um cenário tão dinâmico.

Após a frustrante apresentação do MGMT e a festa provocada por Tinie Tempah, que reuniu um público muito maior graças à ameaça de chuva forte, era a vez de uma das grandes apresentações da noite, com os americanos do Foster the People, no palco Cidade Jardim.

A banda da California não era, mas bem que poderia ter sido o headliner da segunda noite do Lollapalooza, tamanha comoção que seu disco de estreia causou no festival. Com um impressionante público, que se manteve eufórico desde o início, a trinca inicial com Houdini, Miss You e Life on the Nickel, todas retiradas de Torches, lançado em 2011, mostraram o vocalista Mark Foster extremamente à vontade diante de um público de aproximadamente 50 mil pessoas, levando o som do grupo a um patamar digno de uma grande banda.

Sempre acompanhado em plenos pulmões e usando bem a extensão do imenso palco, todos os integrantes do Foster the People mostraram uma maturidade que não está estampada em seus jovens rostos. A bem sucedida apresentação do grupo foi, sem dúvida, um dos maiores acertos de todo evento, que fluiu sem problemas durante todo o dia.

Passeando por todas as faixas de seu único álbum, Waste, Call it What You Want e Don't Stop empolgaram o público em todo decorrer da apresentação, que culminou com Helena Beat e o sucesso Pumped Up Kicks, em um dos momentos mais emocionantes de todo Lollapalooza.

O sucesso da apresentação do Foster the People pode muito bem ser medido por um fator determinante na realização do segundo dia do festival, que foi a presença do DJ e produtor Skrillex na tenda Perry.

Responsável pela ascensão do dubstep no último ano, a apresentação do DJ com maior apelo da mídia mundial era vista como um dos grandes momentos do Lollapalooza. Skrillex não é um DJ normal, como poucos, ele parece sintetizar o verdadeiro caos da música, como se o dub encontrasse a vertente mais pesada do heavy metal e o raggamuffin se transformasse em uma versão hardcore do Prodigy. Tudo é gigante e verdadeiramente autêntico, não há espaço para remixes.

Não fossem os momentos em que seu som mantinha um ritmo muito lento, e não foram poucos, Skrillex teria feito o melhor set do festival, mas é notável que uma aura causada pelo hype do produtor faça com que grande parte do público cubra de elogios momentos de puro tédio. Durante pouco mais de uma hora, o produtor americano fez a tenda Perry ter sua maior lotação no dia 8, justificando sua fama e escrevendo sua história no festival, porém longe de fazer valer toda euforia criada a sua volta.

Era a hora do Jane’s Addiction, banda do dono do festival e seu show performático. Após longas introduções ao som de Shine On you Crazy Diamond e Welcome to the Machine do Pink Floyd (!!!), Perry Farrell e Dave Navarro, a alma da banda, tomaram suas posições para uma sequência de tirar o fôlego. Underground (faixa de seu último álbum, The Great Escape Artist, 2011) e os clássicos Mountain Song, Just Because (do álbum Strays, que não teve nenhuma música tocada em 2009) e o hit Been Caught Stealin, do famoso Ritual de lo Habitual (1990), já mostravam que a apresentação teria ainda mais ingredientes que a primeira vinda da banda ao país.

Sem medo de exagerar nas performances, Perry Farrell não faz um show fácil, pesado e técnico, aliado à chuva e o frio que castigavam o Jockey, não demorou para que aqueles que não conheciam a banda começassem a debandar para o Palco Cidade Jardim a espera do Arctic Monkeys.

As longas Ain't No Right, Ted, Just Admit It... e Twisted Tales foram o estopim para que somente os fãs da banda louvassem Perry Farrell, Stephen Perkins, Dave Navarro e Chris Chaney em um show ainda melhor do que o realizado na edição 2009 do festival Maquinaria. Outro dos momentos mais impactantes do festival se deu com uma versão intimista de Jane’s Says, um dos maiores clássicos da banda. Sempre dialogando muito, vieram faixas como Three Days e a pesada Stop!, ambas de Ritual de lo Habitual (1990), que dava números finais à apresentação.

Com apenas quatro álbuns lançados, Farrell encontrou tempo para um curto e eficiente bis, com uma das mais belas músicas do Jane’s Addiction, Ocean Size, em um daqueles momentos que somente uma praia servindo de background para o show deixaria o momento ainda mais perfeito. Um fim digno e exótico da banda que praticamente definiu o que é o Lollapalooza.

Com total respeito ao horário, era a vez da última atração da primeira edição do evento no Brasil, os britânicos do Arctic Monkeys, que esbanjaram vontade com um rock cru, um som muito bem distribuído e sequências cheias de peso e pouca conversa.

Com quatro álbuns lançados, a banda de Alex Turner construiu uma quantidade segura de hits para elaborar um setlist empolgante para o público, mas não foi o que aconteceu. Talvez pela preocupação em divulgar seu novo, e bom, álbum, Suck It and See (2011), demorou para que o show embalasse. Sempre acompanhados pelo público, que clamava por hits, vieram Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair e The Hellcat Spangled Shalalala de Suck It and See (2011), além de Teddy Picker, de Favourite Worst Nightmare (2007) e Crying Lightning, do irregular Humbug (2009).

O show só afastou o frio que assolava o Jockey quando Brianstorm, de Favourite Worst Nightmare (2007), foi executada. Aí sim teve-se a certeza de que o cansado público estava diante de um verdadeiro headliner.

Daí pra frente o show andou muito melhor, mas a falta de performance que a banda de Sheffield desempenha compromete boa parte do espetáculo. Um pouco mais de ousadia e movimentação e a empolgação poderia resultar em uma euforia como fez o Foo Fighters um dia antes.

Seguindo o show, The View From the Afternoon e I Bet You Look Good on the Dancefloor, ambas do disco de estreia, não fizeram feio e mostraram porque Whatever People Say I Am, That's What I'm Not é um dos álbuns mais importantes da cena inglesa na última década.

Alternando músicas de seus quatro álbuns, não demorou para o show entrar em sua reta final. Do novo álbum ainda viriam Brick by Brick e sua faixa-título, mas poucas novidades deixaram o público eufórico até um repentino sumiço após R U Mine, menos de uma hora após o início do show.

Para o bis, finalmente a sequência tão aguardada, When the Sun Goes Down, de seu álbum de estreia, e Fluorescent Adolescent, a verdadeira apoteóse do show, que se encerrou com 505, essas duas últimas de Favourite Worst Nightmare (2007). Era o fim do Lollapalooza.

O Arctic Monkeys realizou um grande show e lidou bem com a responsabilidade de encerrar o evento, mas ainda falta um pouco de carisma à banda de Alex Turner, foi uma apresentação muito melhor que em sua primeira passagem pelo país, mas ainda distante daquelas bandas do primeiro escalão do rock.

O saldo da primeira edição do Lollapalooza não poderia ter sido melhor. Shows pontuais, bandas apresentando seu trabalho pela primeira vez no país, interação e facilidade de locomoção. Houveram problemas estruturais e, lamentavalmente, a apresentação do Racionais MC’s foi atrasada a ponto de ver o Jockey esvaziar antes de se encerrar, mas nada que comprometa uma segunda edição, algo que todos os brasileiros devem cruzar os dedos para que aconteça em 2013, afinal, um festival desse porte sempre carrega magia diferente.

A música passa por aqui.

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