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Lollapalooza - Foo Fighters, Joan Jett... - Jockey Club/SP (07.04.12)

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Idealizado por Perry Farrell e realizado há mais de vinte anos, chegou a vez do público brasileiro conferir a primeira edição do festival Lollapalooza no Brasil. Depois de acontecer em 2011, no Chile, o vocalista do Jane’s Addiction cumpriu sua promessa de trazer o evento pela primeira vez ao Brasil, sendo realizado nos dias 7 e 8 de abril no Jockey Club em São Paulo e tendo como principais atrações os americanos do Foo Fighters e os ingleses do Arctic Monkeys.

Com 75 mil ingressos esgotados e uma expectativa poucas vezes vista em shows no Brasil, a primeira vinda do Foo Fighters a São Paulo foi a plataforma para o primeiro dia do evento, que contaria, ainda, com nomes como Joan Jett, TV on the Radio, Band of Horses e muitos outros. Pela elite nacional, Wander Wildner, Marcelo Nova e O Rappa eram as grandes apostas.

Primeiro grande show do dia, Marcelo Nova fez o que mais sabe, rock and roll. Fazendo-se valer de seus clássicos, levantou o público durante sua apresentação no Palco Cidade Jardim, mostrando que a experiência com um palco tão grande era o segredo para uma grande apresentação, principalmente com músicas como Eu não matei Joana D’Arc e a antológica Pastor João e a Igreja Invisível, que soa ainda mais atual na última década.

Primeira banda internacional considerada “grande”, o Cage the Elephant se apresentou pela primeira vez no país graças a uma exigência de Dave Grohl, que já tocou com a banda em algumas oportunidades. O som mais pesado e a performance quase insana do vocalista Matt Shultz agradou rapidamente o público, principalmente por In One Ear, um dos hits da banda, surgir logo no início da apresentação.

Com influência de Nirvana e toda cena grunge de Seattle, nem a falta de maturidade do grupo atrapalhou o desenrolar da apresentação, que acabou sendo muito bem recebida pelo público. Julgando pela empolgação da banda durante Shake Me Down, single de seu último trabalho, Thank You, Happy Birthday, o Cage the Elephant tem uma longa estrada pela frente, principalmente por encarar logo cedo grandes multidões.

Paixão de Perry Farrell, O Rappa subiu ao palco com um ótimo público no Jockey Club, que começava a revelar as primeiras falhas de estrutura do evento. À medida que as filas cresciam cada vez mais e a espera para comprar fichas nos caixas começava a ultrapassar mais de uma hora, o animado início do show começou a cair em um problema que, infelizmente, a banda insiste em trazer para o palco: o excesso de jams.

Com um calor que beirava 30º, os momentos ociosos entre uma música e outra acabaram cansando o público, comprometendo a apresentação d’O Rappa, que trouxe no repertório as ótimas Reza Vela, de O Silêncio Q Precede o Esporro (2003), e Meu Mundo é o Barro, do ótimo 7 Vezes (2008). Um dispensável cover de Killing in the Name, do Rage Against the Machine, voltou a animar o público, mas para alguém com tanta história e um período confortável de show, faltou mais criatividade no repertório.

Banheiros cheios, filas que praticamente atravessavam o gramado do Jockey e era a vez da Band of Horses, que já havia realizado um show acústico na abertura do festival, fazer sua apresentação. Formada em Seattle, a banda liderada pelo vocalista Ben Bridwell ganhou notoriedade no cenário alternativo e sua apresentação serviu mais para apresentar a banda ao público brasileiro do que, necessariamente, empolgar. De seus três álbuns saíram faixas como a ótima Laredo, de Infinite Arms (2010), uma daquelas músicas perfeitas para um fim de tarde. Não era difícil ver boa parte do público fazendo air guitar a cada faixa executada e se entregando cada vez mais à banda.

A concorrência com a Band of Horses não era fácil, logo ao lado do Palco Butantã, na tenda Perry, havia a caótica discotecagem de Perryetty v/s Chris Cox, ou seja, o dono do festival atuando com seu lado DJ.

Com tenda cheia e completamente enlouquecido, Perry Farrell não escondeu a satisfação de realizar o festival no país, interagindo com o público nos mesmos moldes que costuma fazer com sua banda. Foi o tipo de discotecagem onde não se pode levar em consideração o gênero que era tocado, mas a brincadeira como um todo. De Lady Gaga até Etta James, o vocalista fez de tudo, cantou, dançou, mergulhou no público... enfim, fez uma verdadeira festa, abrindo caminho para a performática Peaches na sequência. Enquanto isso, a banda carioca Tipo Uísque fazia seu debut no festival com um público moderno e empolgado com a levada dançante do grupo que, embora ainda seja desconecido do grande público, pode muito bem seguir os passos de nomes como o CSS.

Era a vez da exótica Peaches trazer um show que mais parece uma mistura de Goldfrapp com Cher, mas que funciona de forma impressionante. A cantora soube como poucos atravessar a maré do electroclash do início da última década fazendo uma música que mescla rock, funk (sim, o carioca), hip hop, electro e house. Essa salada toda funciona ao vivo e nem o problema com o roadie impediu a cantora de realizar um grande show e manter a tenda cheia, até por estar competindo com nada menos que o TV on the Radio, no palco Cidade Jardim.

Uma das bandas mais cultuadas da cena alternativa, o TV on the Radio é considerado um dos mais emblemáticos nomes da última década por trazer referências de PIL e The Fall, além de toda uma cena experimental que vai de David Bowie até Peter Gabriel. Liderado pelo vocalista Tunde Adebimpe, infelizmente o show não funcionou.

Mesmo com público ganho, a vibração do show do TV on the Radio serviu para mostrar que algumas bandas funcionam melhor em lugares menores ou simplesmente em CD. Com excessão do hit Wolf Like Me, faixa já carimbada nos clubs brasileiros, nem o cover de Waiting Room, do Fugazi, levantou o público.

No auge da noite, era a vez de uma das mais importantes cantoras da história, subir ao palco. Ao lado do Blackhearts, Joan Jett veio apoiada por um background histórico que, conforme Marcelo Nova falou ao Passagem de Som, a colocaria como uma headliner completa.

Queimando dois clássicos logo de cara e esbanjando boa forma, Joan Jett levantou o público com com Bad Reputation e Cherry Bomb, mas foi só, infelizmente. Não por culpa da cantora, que realizou um dos melhores shows do evento, mas pela pressa do público em se posicionar frente ao palco para ver o Foo Fighters.

Se naquele momento o público frente ao palco Butantã não atingia sequer 20% do total, para a cantora a empolgação era a mesma. Com faixas como You Drive Me Wild, Love Is Pain, Fake Friends e o hino I Love Rock 'n' Roll, Joan Jett traduziu a história do rock em uma apresentação sem longos diálogos e sendo aclamada a cada execução.

O bis com AC/DC, cover do lendário Sweet, um dos maiores nomes da história do glam rock, coroou a apresentação de Joan Jett, que, infelizmente, só conseguiu receber os verdadeiros aplausos mais tarde, quando subiu ao palco com o Foo Fighters.

Embora a melancólica cena de abandono com um dos nomes mais significativos do rock tenha perpetuado por alguns minutos, era a vez do Foo Fighters escrever de vez sua história nos palcos brasileiros.

Sem rodeios e pontual, a banda de Dave Grohl fez a alegria de 90% do público do festival, que nitidamente fez com que quaisquer atrações anteriores fossem apenas a entrada para o prato principal.

Ignorando os problemas de voz que vem lhe perseguindo nessa turnê, Grohl gritou, cantou, interagiu como um verdadeiro rockstar, às vezes ultrapassando a barreira do natural e perdendo uma quantidade razoável de tempo com solos, covers e algumas conversas com o público.

Para fãs ou não, a apresentação do Foo Fighters beira a perfeicão, os clássicos do grupo são muito bem agrupados e isso mantém a empolgação do público a beira de uma verdadeira catarse. Desde a sequência inicial com a poderosa All My Life e Times Like These, ambas do álbum de One by One (2002), passando por momentos com My Hero – de The Colour and the Shape (1997) – e Learn to Fly, do bom There Is Nothing Left to Lose (1999), ficou claro que o set do show daria ênfase em praticamente todos os clássicos do grupo, que vive hoje sua melhor fase.

A pop Big Me, as ótimas Generator e a pesada Monkey Wrench, um dos primeiros clássicos do grupo, foram outros pontos altos do show, que ainda teve Best of You no fim de sua primeira parte. Os covers de Led Zeppelin e Pink Floyd foram bem recebidos, mas só quando Joan Jett subiu novamente ao palco para cantar Bad Reputation e I Love Rock 'n' Roll com a banda foi que a justiça do show anterior foi feita.

Ao seu final, o Foo Fighters ainda se deu ao direto de executar Everlong, provavelmente seu maior hit, e coroou de vez a primeira noite do Lollapalooza, que ainda teve o DJ Calvin Harris colocando uma tenda completamente cheia pra dançar com um dos sets mais celebrados do dia, infelizmente tendo que rivalizar com o maior nome do evento.

Sobraram reclamações pelas filas e os valores cobrados no evento, mas é impossível dizer que alguém tenha saído insatisfeito da primeira noite do festival.

A música passa por aqui.

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