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Roger Waters - The Wall Live - Morumbi/SP (01 e 03.04.12)

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Não é novidade que a turnê do álbum The Wall Live, do Pink Floyd, seria uma das turnês mais aguardadas do ano. Com uma expectativa que lhe rendeu quase uma dezena de shows na Argentina, e 4 no Brasil, a vinda de Roger Waters com o álbum mais emblemático de sua banda cobriria um buraco na história dos brasileiros, que nunca tiveram a oportunidade de ver o Pink Floyd ao vivo e sempre sonhou com uma produção digna dos grandes palcos europeus.

A possibilidade de assistir o espetáculo The Wall Live de um setor mais próximo e de uma arquibancada foi o tipo de experiência que qualquer fã do Pink Floyd gostaria de ter. Conferir detalhes e a complexidade da enorme produção era o desafio para qualquer um que ousasse narrar os acontecimentos do show de Roger Waters. O Passagem de Som conferiu as duas apresentações do ex-baixista do Pink Floyd e é possível afirmar que essa tenha sido a maior produção pelo qual os palcos da América do Sul puderam presenciar em sua história.

Por si só, o álbum The Wall já é algo profundo demais para os seus fãs, uma fábula que está enraizada dentro de qualquer um que compreenda o razão de cada uma das composições da dupla Waters e Gilmour. Desde a introdução de In The Flesh até o libertador final em Outside the Wall, a produção do espetáculo rompe de vez com a concepção de um show de rock, se tornando praticamente um musical; e o baixista Roger Waters fez questão de dar tudo o que público sonhava ver. Por uma noite o público brasileiro esteve dos dois lados do muro.

Narrar tudo o que acontece no espetáculo The Wall Live é descrever sequências de animações gigantescas aliadas à interpretações tão fieis ao áudio original, que é praticamente impossível ignorar o fato de estar completamente entregue à obra, e em palavras fica difícil descrever a perfeição de cada sequência executada. Muito mais vibrante que sua audição em CD, a capacidade de transportar faixas mais intimistas como Mother e Hey You para um telão de mais de 60 metros é o trunfo de Roger Waters, que veste muito bem o seu papel de líder de um projeto tão ousado.

O uso de samples do álbum durante a apresentação é algo que ocorre de uma forma discreta, somente perceptível a quem está mais distante do palco, principalmente pela falta de estrutura no Brasil para a execução de um projeto desse tamanho. Em momentos como Another Brick in the Wall ou Bring the Boys Back Home, é possível perceber que a perfeição dos vocais exceda a capacidade de uma apresentação ao vivo, mas por tamanho impacto que o palco causa no público, acaba ficando em segundo plano. Se no primeiro show (muito mais próximo do palco), o surround literalmente assusta a plateia, permanecendo mais distante o efeito acaba se dissipando um pouco, principalmente devido à acústica, que é bastante prejudicada pelo Morumbi. Caso houvesse no país um espaço como a O2 Arena, localizada em Londres, ou um Madson Square Garden, nos Estados Unidos, The Wall Live causaria um impacto ainda maior.

A sequência quase ininterrupta do álbum, rompida para a dedicatória ao brasileiro Jean Charles, morto pela polícia de Londres há alguns anos, impede que o público se distancie ou disperse, mesmo faixas mais lentas como Vera e Don't Leave Me Now mantém o show em um transe quase hipnótico, como se cada segundo antecipasse um grande acontecimento, algo que realmente aconteceu em suas quase duas horas de apresentação.

Um dos maiores destaques das apresentações é a forma como um álbum tão antigo consegue soar atual. O uso de referências contemporâneas faz com que a fábula de Roger Waters se transforme em uma crítica social com nomes muito bem direcionados e abuse da interatividade do público, como quando Mother e Nobody Home são executadas.

A queda do muro ao seu final liberta o público tanto quanto àqueles que já estavam adaptados ao seu filme, produzido por Alan Parker e com a participação de Bob Geldof, que parece fazer ainda mais sentido ao vivo. As animações e a produção impecável realizaram a proeza de levar mais de 70 mil pessoas para muito próximo da realidade contada em The Wall, e justamente por isso a vida de muita gente mudou após assistir a um show como esse.

A música passa por aqui.

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