All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Joe Cocker - Via Funchal/SP (29.03.12)

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Ao longo das últimas décadas, poucos nomes na história conseguiram atravessar seis décadas de vida com uma voz tão potente quanto a de Joe Cocker. Próximo de seus 68 anos e com a vitalidade de um aspirante à ídolo, o cantor inglês segue sua carreira acumulando turnês e lançamentos (alguns questionáveis), mas sempre mantendo íntegra a sua entrega em cima do palco, que foi conferida pelo público paulista no último dia 29 de março em um Via Funchal com grande público.

Com casa cheia e um álbum servindo de mote para a apresentação, o bom Hard Knocks (2010), Joe Cocker subiu pontualmente ao palco do Via Funchal para mostrar por que é um dos maiores intérpretes da música mundial. Com um de seus primeiros sucessos, Hitchcock Railway, presente em seu segundo álbum, Joe Cocker!, de 1969,  a apresentação foi aberta ao lado de uma competente banda e uma jovem dupla de backing vocals, que se esforçou muito para manter o legado de Cocker intacto.

O cover da banda de Jim Capaldi, o Traffic, com Feelin' Alright", foi o primeiro sinal de que a música de Cocker ganha uma personalidade nova com sua voz, praticamente ignorando o passado com seu compositor. Não é a toa que covers de Beatles, Ray Charles (um dos seus maiores ídolos) e Billy Preston trouxeram os pontos mais altos da apresentação.

A trinca inicial, sem pausas, se deu com a intensa The Letter, cover do The Box Tops e outra daquelas faixas que parecem ter sido criadas para serem interpretadas por Joe Cocker. Sempre com boa recepção, o vocalista não ousa em seu setlist, assim como em sua performance, mas justifica cada gota de suor derramada na busca de uma nota mais alta e a preocupação com a recepção acalorada do público, que retribuía cada esforço seu.

Unforgiven, de Hard Knocks (2010), teve boa recepção, assim como a faixa título, executada posteriormente. Se não há a possibilidade de se tornar um clássico de sua carreira, o último álbum de Cocker ao menos mostra como o que é visto em estúdio é levado ao palco com uma performance empolgante de sua banda, principalmente da baixista Onieda James-Rebeccu, que parece ter saído de algum video do Funkadelic, tamanho groove que carrega em seu baixo.

A fase mais morna do show ainda teve When The Night Comes, faixa do razoável One Night of Sin, lançado no fim da década de 80. Up Where We Belong, música que ficou conhecida por integrar a trilha do filme A Força do Destino, de 1982, foi responsável por colocar o show de volta ao eixo, que entrou em sua fase mais romântica. É quando a voz de Cocker proporciona um momento inesquecível a uma enormidade de casais. You Are So Beautiful, de Billy Preston, é o tipo de música que somente alguém que exala um feeling quase anormal, poderia provocar.

A execução de Come Together, do álbum Abbey Road dos Beatles, serviu como plataforma para trazer o público novamente para perto do vocalista após Hard Knocks. É quando a apresentação entra em seu melhor momento com a sexy You Can Leave Your Hat On, música de Randy Newman e que surgiu pela primeira vez com Cocker para a trilha sonora de 9 ½ semanas de amor seguida de Unchain My Heart, de Ray Charles. Ambas só não podem ser consideradas a parte de maior empolgação do público por anteceredem a música que praticamente define a carreira de Joe Cocker, o cover de With Little Help from My Friends, dos Beatles.

Por mais clichê que seja ou por mais previsível e aguardado que tenha se tornado, é impossível não se emocionar com a performance de Cocker, em um daqueles momentos que qualquer fã poderá carregar para o resto da vida. Nada mais justo que algo tão importante dê números finais à primeira parte do show, com o vocalista e sua banda ovacionados pelo público.

Para seu longo bis, Joe Cocker ainda resgatou faixas menos conhecidas do grande público, como sua ótima interpretação para Cry Me A River, de Ella Fitzgerald. Shelter me, do álbum Cocker (1986) e High Time We Went, do álbum Joe Cocker (1972), foram outras músicas que marcariam o encerramento da apresentação, que ainda contaria com um último cover, o de Long as I Can See the Light, famosa na voz de John Fogerty e seu Creedence Clearwater Revival.

Joe Cocker provou em São Paulo que a idade não é a maior inimiga de um músico. Mesmo com tantos excessos na carreira e um ritmo intenso de turnês, o cantor inglês mostrou que seu trabalho é um verdadeiro misto de feeling e entrega, justificando cada gota de suor por uma busca incessante da satisfação de seu público, afinal, ser considerado um dos maiores intérpretes da história da música não é um fardo para quem sempre olhou para frente do palco.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais