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Titãs - SESC Belenzinho/SP (14.03.12)

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É possível perceber uma leve mudança no rock nacional em 2012… não se trata de bandas que arrebatem o público imediatamente, mas de um resgate de sua melhor fase, que vem influenciando toda uma geração que carregará um legado construído há mais de 30 ou 40 anos.

Pensar na carreira dos Titãs atualmente é ser, de alguma forma, um pouco saudosista. Afinal, desfalcado de praticamente metade de sua formação original e com lançamentos medianos nos últimos anos, um dos maiores expoentes do rock brazuca acabou perdendo força frente a uma geração afoita por novidades.

Mas chegou a hora de voltar dos Titãs voltarem ao trono e provarem porque são considerados uma referência imediata quando a palavra é rock. Aproveitando toda maturidade que o tempo lhe deu e a certeza de que não desaprendeu a fazer o que mais sabe, os titânicos Paulo Miklos (voz/guitarra), Branco Mello (voz/baixo), Tony Belotto (guitarra), Sergio Britto (voz/teclados) e o recém-integrado Mário Fabre (bateria) iniciaram 2012 com uma turnê que por si só já é histórica, trazendo aos palcos a execução na íntegra de Cabeça Dinossauro, álbum de 1986 e um dos mais importantes da história do gênero no país.

Com ingressos para seus seis shows em São Paulo, no SESC Belenzinho, esgotados em poucas horas, a expectativa era a melhor possível, pois além de todas as músicas do seminal álbum, faixas que há tempos não eram executadas sairiam da gaveta, caso de Eu sou a verdadeira Mary Poppins e Será que é disso que eu necessito?, ou seja, estava ali a combinação perfeita para banda e público mostrarem seu real valor.

E foi pontualmente às 21h30, diante de um público eufórico e em um palco menor que sua grandeza, que os Titãs tiraram da gaveta uma energia que há tempos parecia ter sido esquecida. Desde a trinca inicial com Cabeça Dinossauro / AA UU / Igreja, acompanhada em plenos pulmões pelo público, novos e velhos fãs mataram a saudade do poderio da banda, que mesmo desfalcada destila um peso assustador de suas guitarras. A vitalidade de Tony e Mário Fabre – que faz jus ao cargo ocupado – aliada ao carisma de Paulo, Sergio e Branco Mello, só poderia resultar em uma catarse.

Em versões bem mais pesadas e rápidas que aquelas encontradas no álbum, vieram clássicos como Polícia, Estado Violência, a Face do Destruidor, Porrada e Tô Cansado. Letras engajadas que traziam em qualquer presente uma ponta de satisfação por perceber que o rock brasileiro estava vivo e alheio às influências momentâneas.

Além de ser um dos álbuns mais pesados dos Titãs, Cabeça Dinossauro pode ser considerado um verdadeiro soco no estômago da sociedade por suas letras, agora imagine isso em 1986.... Com temas polêmicos, riffs certeiros e uma avalanche de clássicos que marcaram a vida de qualquer fã, ver a execução do disco era como reviver um motivo para lutar por algo.

Em sua reta final, a sequência radiofônica com Bichos Escrotos, Família e Homem Primata justificou bem o sucesso comercial da banda, que soube evoluir com seus desfalques, revezando seus vocais e não perdendo a qualidade instrumental. Dívidas e O que encerraram a primeira parte do show, que se era épico até o momento, ganharia ainda mais importância a seguir.

Ciente de que a noite era puramente rock and roll, o Titãs não tardou a retornar para trazer ao público faixas que há tempos não eram executadas ao vivo. A verdadeira Mary Poppins, Amor por dinheiro e Nem sempre se pode ser Deus, em uma época onde a ironia e a polêmica praticamente abandonaram o rock, chocariam o ouvinte mais desavisado.

O cover de Raul Seixas, com Aluga-se, veio em boa hora, afinal, o rock sempre foi atitude e os Titãs sabiam o poder dessa composição. Diversão, a incrível Vossa Excelência e a clássica Televisão colocavam o show em sua reta final sem deixar o público perder o ar, que foi prontamente recuperado com A melhor banda de todos os tempos da última semana, faixa que se não tem o peso de outrora, compensa como uma das melhores composições da banda.

O Pulso colocaria o público novamente nos eixos e, antes de dar números finais à apresentação, os Titãs incluíram Fala Renata, provando que o peso da banda realmente está de volta. O fim com Será que é disso que eu necessito? e Lugar nenhum consolidaram de vez aquela sensação que qualquer fã espera de uma banda: dedicação, personalidade e performance. Ovacionados pelo público, os músicos deixaram o palco pela segunda vez, ciente de que o retorno se daria com outro clássico, Flores, encerrando uma noite bastante especial.

Ao fim do show, compreender a importância dos Titãs no rock é desnecessário, ver uma banda com 30 anos apresentar tamanha vitalidade faz sentirmos vergonha de por quê o deixamos de lado por quase uma década. Não é necessário ser revoltado ou engajado todo o tempo, mas de vez em quando não custa lembrar da representatividade que alguns nomes da música nacional tem na vida de cada um e na sociedade de forma geral. O sentimento é de que existe algo diferente… julgando pela performance e pela inédita Fala Renata e a vitalidade de seus integrantes, o rock está de volta.

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