All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Mark Farner - Via Marquês/SP (10.03.12)

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Existem artistas no mundo do rock que possuem o dom de fazer algo ainda maior do que a própria história em formato de música. Que tem a capacidade de transmitir uma mensagem que atravesse décadas de uma forma quase atemporal, fazendo com que diversas gerações tenham a oportunidade de compartilhar o mesmo sentimento que brilhou anos antes. Esse tipo de artista é raro, cabível somente à lendas como o veterano Mark Farner, ex-integrante do Grand Funk Railroad.

Pela primeira vez no Brasil, o guitarrista Mark Farner trouxe ao público brasileiro a sequência da The Loco-Motion Tour, turnê que compreende praticamente todos os sucessos de sua carreira ao lado de novos integantes. O início da turnê pelo país aconteceu em São Paulo, com um show realizado no novíssimo Via Marquês, no último sábado (10).

Se apresentando a maior parte do tempo como um trio, esporadicamente com a presença do vocalista/tecladista Karl Propst, a vitalidade de Lawrence Buckner (baixo), The H. Bomb Crawford (bateria) provou desde o início ao empolgado público, formado em sua maioria por senhores que acompanharam a banda em seu auge, como o tempo não foi suficiente para prejudicar o ímpeto de Mark, que ainda parece viver no palco a mesma intensidade de quatro décadas atrás, além de jogar sobre o público praticamente todos os clássicos de sua ex-banda.

Com início às 22h, a apropriada Are You Ready, faixa do álbum Survival (1971), via-se o tamanho da devoção pelo músico em terras brasileiras. A sequência com outros dois clássicos do Grand Funk foi o suficiente para ter a plateia com uma sintonia digna dos grandes nomes da história. Rock & Roll Soul, clássico do álbum Phoenix (1972) e Footstompin' Music, faixa do quinto álbum da banda, E Pluribus Funk (1971) – o famoso disco da moeda – arrebataram de vez o bom público, que tinha cada clássico na ponta da língua.

Conversando pouco, mas interagindo bastante, inclusive com ótimo entrosamento com seus parceiros de banda durante cada execução, Mark Farner parecia ter a noção exata de que sua apresentação corrigia um erro do passado, compensando tanto tempo de espera do público brasileiro. Mantendo o ímpeto do show em uma proporção quase surreal, outro clássico, We're An American Band, do álbum homônimo de 1973.

Claro que o carisma do guitarrista significava o ponto mais alto do show, mas a capacidade técnica de seu trio de apoio foram cruciais para que o sucesso da apresentação ultrapassasse a barreira da nostalgia. Donos de técnica apurada, Lawrence e Bob Crawford não fizeram feio frente às lendas que substituiam, afinal, tocar com a sombra de Don Brewer e Mel Schacher não deve ser uma das tarefas mais fáceis para um músico.

Durante a fase intermediária da apresentação, faixas como Mr. Limousine Driver e Paranoid (ambas do álbum Grand Funk, de 1969), eram a prova de que Mark Farner não pouparia nenhum dos álbuns clássicos de sua ex-banda. A forma como o guitarrista se orgulha de seus trabalhos e a fidelidade com que conduzia suas músicas surpreenderia o mais antigo fã, que presenciou uma verdadeira catarse a seguir.

Acompanhado de perto durante a bela Mean Mistreater e Sin's a Good Man's Brother (ambas de Closer to Home, 1970), além de Shinin' On (do disco homônimo de 1973), Mark deixou a cereja do bolo para o final, que teve Bad Time, faixa mais “atual” do show, publicada no álbum All the Girls in the World Beware!!!, lançado em 1974; o eterno hit The Loco-Motion, provavelmente seu maior sucesso comercial no Brasil, lançado no álbum Shinin' On (1973), e Some Kind of Wonderful, música do Soul Brothers e gravada na década de 60, mas que praticamente ganhou novo dono na voz de Mark Farner.

A essa altura não havia mais dúvidas de que se tratava de um momento histórico, mas com tantos clássicos na manga, não restava dúvida de que o encerramente seria com Heartbraker, faixa do primeiro álbum do Grand Funk e que cresce ainda mais ao vivo, um encerramento digno de um verdadeiro sobrevivente da história do rock, comovendo novos e velhos fãs.

A pausa para o bis foi curta, um tímido solo de bateria de Bomb Crawford antecipou o retorno para o cover do Animals, de Inside Looking Out, faixa que está no segundo álbum do Grand Funk. Para a despedida, a épica I’m your Captain, faixa do álbum Closer to Home (1972). Ver Mark Farner se despedir pela última vez enquanto o público entoava o refrão final da música provavelmente será a imagem que muitos dos presentes guardarão pelo resto de suas vidas.

A casa cheia, um setlist formado por faixas de seus principais álbuns, o público fanático e a dedicação de Mark e seus músicos foram ingredientes primordiais para um grande show. Mesmo em seus discursos “paz e amor”, o carisma do guitarrista do Grand Funk mostra uma sinceridade que comove e não soa nostálgica, como se sua mensagem fosse puramente atemporal.

Se em âmbito global seu nome não tem o glamour de Robert Plant ou Paul McCartney, Mark Farner tem na história do rock um legado tão grande quanto qualquer um desses nomes. Um legado que é carregado com orgulho e, ainda que tenha feito os brasileiros esperarem por quatro décadas para conferir, valeu a pena por cada segundo.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais