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Dimmu Borgir - Carioca Club/SP (06.03.12)

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esponsável por conduzir um gênero extremamente underground a um patamar poucas vezes imaginado, os noruegueses do Dimmu Borgir se definiram na última década como um dos maiores fenômenos do black metal sinfônico. Com gravações de extrema qualidade e um som bem mais acessível que grande parte das bandas do gênero, a banda liderada pelo vocalista Samuel Shagrath ganhou a possibilidade de se apresentar ao lado das maiores orquestras da Europa, ser headliner de diversos festivais e ganhar o respaldo de parte de uma mídia que praticamente ignorou o gênero durante toda sua história.

Já para os brasileiros foram oito longos anos de espera desde a primeira apresentação da banda no país, quando realizou um antológico show no Credicard Hall, outro acontecimento inimaginável para uma banda de black metal.

Durante esse período muita coisa mudou no Dimmu Borgir, se Death Cult Armageddon (2003) catapultou a carreira dos noruegueses após uma sequência de ótimos trabalhos, os anos seguintes trouxeram o irregular In Sorte Diaboli (2007), álbum que marcou a saída de dois dos principais integrantes da banda – o tecladista Surtis e o baixista Vortex – e um novo renascimento na cena com o lançamento do bom Abrahadabra (2010), álbum que, ainda que não alcance o patamar de seus melhores trabalhos, ao menos coloca o Dimmu novamente nos eixos, ganhando a atenção da mídia europeia.

Em show único pelo país, a empresa responsável pela vinda da banda – a Free Pass Entretenimento – acertou em optar pelo Carioca Club ao invés de alguma outra casa de grande porte da cidade. O fácil acesso e o horário, além da expectativa por uma nova turnê da banda pelo país resultou em casa cheia e uma empolgação digna de um grande nome do rock. Nem o fato de ser realizado em uma terça-feira augentou o público, que uma hora antes do início do show já marcava presença.

Pontualmente às 21h a banda começava a tomar seu lugar no palco com seu visual marcante e os primeiros acordes de Mourning Palace, velha conhecida do público. Com uma produção poucas vezes vista em shows no Carioca Club, destacandoo jogo de luzes e uma performance intensa desde seu início, o Dimmu Borgir ganhou o público rapidamente. A sequência de faixas retiradas de um de seus principais álbuns, Enthroned Darkness Triumphant (1997 e relançado em 2002), foi crucial para que a banda transformasse a primeira parte do show em algo memorável, executando cada faixa com grande participação do público e mostrando que sua música já se fixou de vez em uma cena que vai muito além do black metal.

Sem dúvida um dos maiores diferenciais do Dimmu Borgir, os teclados usados como fio condutor das músicas e a articulação vocal de Shagrath fazem com que outro fenômeno aconteça em seus shows, que é o fato de seu frontman literalmente jogar com o público. A primeira parte do show, com a execução de um álbum clássico da carreira, surpreenderia até o mais desavisado fã, tamanha força que as músicas dos noruegueses ganha ao vivo. In Death's Embrace, The Night Masquerade, Tormentor of Christian Souls, Master of Disharmony e A Succubus in Rapture foram algum dos destaques da primeira parte do show, dividido em dois sets.

Após alguns minutos fora do palco e um curto (e eficiente) solo de bateria, a banda retomou seu set com uma de suas músicas mais pesadas, Vredesbyrd, presente no álbum Death Cult Armageddon (2003), a longa Kings of the Carnival Creation (de Puritanical Euphoric Misanthropia) serviu de aperitivo para outro momento memorável da noite, a faixa título Dimmu Borgir, que para os fãs da banda serve como hino da mesma forma que Iron Maiden se tornou na carreira da banda de Bruce Dickinson.

De seu último lançamento, apenas Ritualist e Gateways, ambas bem recebidas, estiveram no set do show, que encerraria sua primeira parte com outro clássico, Puritania, também do álbum Puritanical Euphoric Misanthropia (2001) e que ficou famosa ao se tornar a abertura do mais tradicional programa de heavy metal do país, o Backstage.

Para o bis, The Serpentine Offering, melhor faixa do irregular In Sorte Diaboli (2007), e seu maior clássico, Progenies of the Great Apocalypse, faixa extraída do clássico Death Cult Armageddon (2003). Um encerramento digno de uma grande banda com a participação de um grande público.

Com uma apresentação consistente e um repertório extremamente certeiro, o Dimmu Borgir mostrou que vive novamente um ótimo momento na carreira. A visível empolgação com o público provou que a popularidade do grupo em terras tupiniquins surpreendeu até seus integrantes, que prometeram voltar e apagar o hiato de oito anos sem shows no país. Se em 2003 os noruegueses haviam conseguido um espaço na cena impensável para um gênero como o black metal, a consolidação de sua música após uma década, desde seu maior sucesso comercial, é a prova de que a banda ganhou, de vez, o seu lugar no hall dos nomes mais bem-sucedidas do heavy metal.

A música passa por aqui.

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