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Blue Oyster Cult - HSBC Brasil/SP (24.02.12)

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Com mais de quatro décadas de história e uma verdadeira avalanche de clássicos, presenciar um show do Blue Oyster Cult era praticamente um sonho distante para a maioria de seus fãs brasileiros, mas que foi plenamente realizado na noite de 24 de fevereiro no palco do HSBC Brasil, em São Paulo.

Pela primeira vez no país, a banda liderada pelos guitarristas Eric Bloom e Buck Dharma (únicos integrantes da formação original) conta hoje com Richie Castellano (teclado, guitarra e vocal), Jules Radino (bateria) e o lendário Rudy Sarzo (baixo), que acumula passagem pelas bandas de Ozzy, Dio e Quiet Riot, um tiro certeiro do grupo para manter sua música com tamanha vitalidade.

Com um público menor do que esperado, mas bastante fiel, o Blue Oyster Cult subiu ao palco para mostrar porque é um dos nomes mais sagrados da história do rock. Nascida ao lado de nomes como Deep Purple e Black Sabbath, a banda trouxe clássicos de seus principais dos álbuns e saciou a espera de um público que esperou décadas pelo show.

Sem muito atraso e nenhum aparato visual, a banda fez o que mais sabe, rock and roll. Baseando seu repertório nos clássicos álbuns da década de 70, o Blue Oyster Cult trouxe logo de cara a pesada The Red & The Black, faixa do clássico Tyranny and Mutation (1973), mostrando que o tempo não afetou em nada a sua força ao vivo. A sequência com a longa e trabalhada Golden Age Of Leather, do álbum Spectres (1977) e o hit Burning For You, provavelmente um dos maiores sucessos comerciais do grupo, presente no álbum Fire of Unknown Origin (1981), foram a deixa para que o público tivesse certeza de que os anos de espera valeriam a pena.

Com solos muito bem executados e uma performance de grande intensidade, o Blue Oyster Cult esbanja vitalidade e divide bem a competência de seus músicos, principalmente na imagem de Rudy Sarzo, que deu sangue “novo” à banda desde sua entrada, em 2008.

Um pequeno problema técnico acabou dando uma curta pausa no show, mas logo foi retomado com a virtuosa e rápida Buck’s Boogie, faixa incluída no relançamento do álbum Tyranny and Mutation, em 2001. Foi a partir daí que viu-se como uma grande banda de rock deve-se comportar no palco. Ainda que os solos fossem bem mais extensos que os originais, o Blue Oyster Cult parece chegar no limite da satisfação ao invés de caminhar para o exagero e transformar o show em um desfile técnico de seus integrantes.

A apresentação seguiu com Shooting Shark, faixa que surgiu em uma compilação da banda lançada no meio da década de 90 chamada Workshop of the Telescopes e recebeu grande atenção do público, preparando a sequência de clássicos que viriam a seguir. A catarse começou com a clássica Cities on Flame With Rock & Roll, com Eric e Buck sendo acompanhados à plenos pulmões pelo público, assim como na incrível Then Came The Last Days Of May, provavelmente a maior surpresa da noite. Retiradas do álbum de estreia do Blue Oyster Cult, lançado no início da década de 70, têm-se a ideia de como a banda obteve respaldo do público brasileiro ao longo das quatro última das décadas.

ME 262, do álbum Secret Treaties (1974), colocou o show em sua reta final com o melhor clima possível, nítido que a banda conduzia público e música em uma mesma sintonia, respeitando sua história e dando exatamente o que todos esperavam. A épica Godzilla, também do álbum Spectres (1977), foi um dos pontos mais altos do show. Pesada e com toda banda realizando seu vocal, a faixa incluiu os solos de Jules Radino e Rudy Sarzo, que soube atravessar toda sua carreira com trechos de diversos clássicos de suas bandas. De Crazy Train (Ozzy), passando pela versão do Quiet Riot para Cum On Feel The Noize, até Holy Diver de Dio, Rudy Sarzo mostrou porque é um dos mais emblemáticos baixistas da história.

Se alguém mais desavisado esperava que a apresentação do Blue Oyster Cult se basearia somente em uma longa espera por Don’t Fear the Reaper, do álbum Agents of Fortune (1976), a catarse promovida até aquele momento provava a importância da banda, que executou seu maior clássico no país na sequência. Com um sentimento de nostalgia e satisfação, o público acompanhou a banda como um verdadeiro backing vocal, em um daqueles momentos que o mais velho fã percebeu que clássicos não envelhecem. Um encerramento digno de um dos nomes mais importantes do rock.

O bis ainda trouxe Perfect Water, que também está presente na coletânea Workshop of the Telescopes e a pesada e clássica Hot Rails To Hell, outra do Tyranny and Mutation (1973), encerrando de vez a primeira (e esperamos não ser a única) apresentação do Blue Oyster Cult no Brasil.

Sempre bem acompanhado do público, a banda soube conduzir o show como um grande nome do rock deveria fazer. Mesmo merecendo mais público e um set maior, é impossível não considerar a ótima qualidade da apresentação, que fez valer os anos de espera de um público que nunca deixou de admirar o trabalho do Blue Oyster Cult.

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