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Billy Cobham - SESC Pinheiros/SP (29.01.12)

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Um dos maiores nomes da história da bateria, Billy Cobham pode ser considerado um dos músicos mais sortudos e competentes da história. Emprestou seu talento para nomes como Miles Davis, Mahavishnu Orchestra e Stanley Clarke, realizou gravações com outros grandes nomes da música e é dono de uma vasta e fascinante carreira solo, onde tem a liberdade de explorar ainda mais a sua técnica.

Encerrando as comemorações referentes à exposição “Queremos Miles”, que permaneceu durante alguns meses em São Paulo, Billy Cobham trouxe para o palco do Teatro Paulo Autran, no SESC Pinheiros, toda sua versatilidade e repertório em uma apresentação de impressionar o mais antigo fã, uma verdadeira aula de técnica e humildade de um dos maiores bateristas da história.

Com ingressos esgotados para as duas noites de show (assistimos a segunda), Billy Cobham subiu ao palco acompanhado do jovem guitarrista Jean Marie-Ecay, o tecladista Christophe Cravero, o descolado baixista Michael Mondesir e o incrível Marcos Lobo, um perscussionista que faz de seus inusitados instrumentos uma verdadeira atração à parte.

Com um repertório baseado em sua carreira solo e um tributo ao trompetista Miles Davis, Billy Cobham soube fazer com que uma apresentação técnica e cheia de improvisos fosse divertida o suficiente para cativar os menos adeptos do gênero. Abrindo o show sem muita cerimônia, Mirage, faixa presente no álbum Focused (1998) e regravada em Palindrome (2010), a experiência de Cobham mostra o quão importante é estar acompanhado de bons músicos. Caminhando com um groove encontrado somente em um gênero como o fusion, o baterista aparece em segundo plano a maior parte do tempo, sempre dando espaço para seus músicos.

O tributo a Miles não demorou a acontecer, quando 81, música que contou com Cobham durante as gravações de Miles Live in Japan 81, foi executada. Sem o trompete entre seus instrumentos, a sensação que a apresentação trazia é de que a música de Miles Davis parece ter sido feita para se adaptar com os mais diversos instrumentos e não só com seu trompete, uma demonstração única de como a música pode ser universal.

Obliquely Speaking e Torpedo Flow, ambas presentes em Palindrome (2010), mostraram como Cobham sabe se recriar a ponto de gerar um repertório agradável para suas longas composições. Do mesmo álbum ainda surgiram as ótimas Two for Juan e Cancun Market, músicas que mostram como é impossível atribuir um único gênero musical ao baterista.

Com quase duas horas de apresentação, o tributo a Miles ganhou força durante a execuçao de faixas como Iris e ESP, ambas presentes no álbum de mesmo nome – lançado em 1965 – com a formação que praticamente consagrou o trompetista na história da música. Para se ter uma dimensão do quinteto, a formação do álbum trazia, além de Miles, Ron Carter (que também se apresentou nas comemorações da exposição), o saxofonista Wayne Shorter (que é, inclusive, o autor de ESP) e o pianista Herbie Hancock.

Entre conversas descontraídas com o público e espaço para solos de todos os seus músicos, Billy Cobham rompeu com o “protocolo” e promoveu uma interação com o público poucas vezes vista em um show de jazz durante a exeução de ESP. Com palmas, performances ousadas e visivelmente satisfeito, a lenda da bateria deixou o palco pela primeira vez. Para o bis solitário, Cat in the Hat, do álbum Fruit from the Loom (2008), outra faixa que impressiona pela forma como explora elementos distantes do jazz e traz para dentro da música o mais distante expectador do show, um grande encerramento para um grande show.

O saldo da exposição Queremos Miles, assim como seus shows, é de que Miles Davis era um músico de talento inenarrável, afinal, sua música rompeu todas as barreiras e vertentes do jazz. Tudo isso esteve claro durante as apresentações de Ron Carter e Billy Cobham, dois fascinantes instrumentistas que sabem bem a importância de chegar ao limite do que se faz.

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