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Summer Soul Festival - Arena Anhembi/SP (24.01.12)

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Em sua primeira edição, o Summer Soul Festival proporcionou aos brasileiros uma das últimas oportunidades de ver Amy Winehouse ao vivo, além de apresentar nomes como Janelle Monáe e Mayer Hawthorne. Um projeto ousado que obteve destaque no vasto calendário brasileiro e atravessou o ano gerando expectativa e especulações para sua segunda edição.

Passado um ano, o festival realizado na Arena Skol celebrou com classe o atual momento da soul music, trazendo ao Brasil nomes emergentes e consagrados da música contemporânea como o cantor e compositor Bruno Mars e a banda inglesa Florence and the Machine, além da ótima inclusão do brasileiro Seu Jorge e cantoras emergentes como Rox e Dionne Bromfield, afilhada de Amy Winehouse.

Contando com ótimo público e sem a presença da chuva que vem assolando a cidade nas últimas semanas, o Summer Soul Festival se consolidou nessa terça-feira (24), véspera do aniversário da cidade, como um dos mais bem-sucedidos festivais brasileiros, aproximando vertentes de um gênero que vem conquistando o mundo.

Edição 2012 do festival trouxe Bruno Mars, Florence and the Machine e outros - Créditos: Midiorama
Festival trouxe Bruno Mars, Florence and the Machine e outros grandes nomes - Créditos: Midiorama

Logo no início da noite a afilhada de Amy Winehouse, Dionne Bromfield, de apenas 15 anos, abriu o festival trazendo a um diminuto público um repertório baseado em seu segundo álbum, Good for the Soul (2011), um pop baseado na cena sessentista da soul music.

Em pouco mais de 40 minutos a jovem cantora trouxe alguns covers como a versão de Fuck You, de Cee-Lo Green (com o título substituído por Forget You) e a ótima interpretação de Ain't No Mountain High Enough, presente em seu primeiro álbum, Introducing Dionne Bromfield (2009), e que ficou imortalizada na voz de Marvin Gaye e Tammi Terrell.

Sem atrasos, foi a vez da cantora Rox subir ao palco do festival para apresentar seu soul bastante influenciado pela R&B, o que a aproxima musicalmente de nomes como a própria Janelle Monáe, que havia feito história no festival um ano antes. Com um único álbum na bagagem, a cantora inglesa mostrou porque vem sendo considerada uma das grandes revelações do soul inglês.

Conversando bastante e esbanjando vontade, Rox obteve ótimo feedback do público que já começava a tomar grande parte da Arena Anhembi, principalmente durante a execução de My Baby Left Me, sua faixa mais conhecida por aqui. Sem medo de ousar e fazendo jus ao título do festival, Rox soube flertar com gêneros distantes da soul music, o que fez com que sua apresentação ganhasse bastante a atenção do público.

Primeira grande atração da noite, a aclamada Florence and the Machine trouxe ao Brasil o show que transformou o grupo um dos mais aclamados da atualidade, principalmente devido às excelentes performances da vocalista Florence Welch, que comprovou ao vivo toda expectativa criada em torno de seu nome, que conquistou a cena alternativa e ganhou de vez o primeiro escalão da música com o lançamento do álbum Ceremonials (2011).

Com uma banda coesa e tão exótica quanto seu visual, Florence iniciou sua apresentação com a sequência Only If for a Night e What the Water Gave Me, ambas de seu segundo álbum, mostrando porque tem uma das apresentações mais elogiadas e curiosas da atualidade. Da mesma forma com que parece transformar o imenso palco do festival em uma pequena sala enquanto corre de um lado para o outro com seu belo vestido, Florence também parece se impressionar com o público de forma quase inocente, gerando uma cumplicidade que transforma seu show em uma verdadeira troca de energia.

Cosmic Love, um dos maiores hits de seu primeiro álbum, Lungs (2010), ganhou definitvamente o público do festival, que a essa altura ocupava todo espaço da Arena Anhembi. You've Got the Love foi outra que mostrou que a complexa música da inglesa funciona tão bem para arenas quanto para espaços fechados.

Visivelmente emocionada com toda recepção, Florence aproveitou para homenagear uma de suas maiores influências, a lenda do Blues Etta James, que há pouco perdeu sua batalha contra a leucemia. À capela a vocalista interpretou o clássico Something's Got A Hold On Me, música que, ainda que tenha passado despercebida da grande parte do público, foi bastante respeitada, evidenciando ainda mais o talento da cantora inglesa.

Uma das maiores particularidades da apresentação do Florence and the Machine é a forma como sua música soa minimalista e intimista para aos poucos ganhar uma intensidade que parece não caber na performance da banda. Essa dramaticidade ganha ares de uma verdadeira cerimônia religiosa, o que explica bem o título de seu segundo álbum, principalmente pelo fundo do palco, trazendo algo similar a um vitral de igreja.

Mesclando bem seu repertório, Florence conversava bastante com o público à medida que cada música era executada, vieram ainda Never Let Me Go, Between Two Lungs e Shake It Out, todas muito bem recebidas. Mas o grande momento do show veio com Dog Days Are Over, música que definiu o rumo da banda desde seu lançamento, com palmas, interação e uma verdadeira catarse.

Antes do encerramento do show ainda haveria tempo para a ótima sequência Rabbit Heart, Spectrum e No Light, No Light, que mediram bem o tamanho da popularidade do grupo no país, sendo cantadas por boa parte do público, que via Florence se despedir timidamente enquanto as luzes se apagavam.

Ao fim do show, a conclusão é de que se torna impossível não se surpreender com as interpretações da vocalista Florence Welch ou com a performance de seu grupo, tamanha a intensidade com que cada música é executada. Não é exagero considerar que sejam hoje um dos mais interessantes nomes da música contemporânea, principalmente depois de presenciar uma de suas apresentações.

Rox, Dionne Bromfield e Seu Jorge completaram o line up - Créditos: Midiorama
Rox, Dionne Bromfield e Seu Jorge completaram o line up do festival - Créditos: Midiorama

A sequência do festival, que foi presenciado por uma enormidade de celebridades em sua área VIP, veio com uma interessante escolha da produção, com o samba-rock cheio de influências de Seu Jorge. Se em um primeiro momento nenhum dos presentes se lembrasse do nome do artista carioca para um evento de soul music, ao vivo todos tiveram certeza de que a sua presença foi crucial para o andamento do festival, principalmente depois do explosivo show da banda inglesa Florence and the Machine.

Com um clima de big band e um set que trazia seus maiores sucessos, Seu Jorge não precisou de mais do que 5 minutos para fazer do lugar uma verdadeira pista de dança.

Dando início com Dia de Comemorar, Seu Jorge jogou simples em sua apresentação. Cantou, dançou, interagiu menos do que de costume e, exatamente por acertar nesses elementos, espantou o cansaço do público com muito samba-rock, soul e um groove que impedia qualquer um de ficar parado.

Mina do Condomínio, Pessoal Particular, A Doida Vazou e Vizinha foram algumas das músicas que iam sendo executadas sem pausas e com espaço para vários improvisos de uma banda extremamente competente e entrosada.

O único senão do show foi justamente por tentar sair desse caminho em uma jam onde flertava com o dub, longa, ela acabou fazendo com que o público dispersasse por alguns instantes. Mangueira foi a música responsável por trazer de volta o show ao ótimo caminho que vinha mantendo, com uma verdadeira aula de ritmos brasileiros.

Já em sua reta final, com pouco mais de uma hora de apresentação, Seu Jorge ainda abriria espaço para seus dois maiores sucessos, Carolina e Burguesinha, dando números finais a uma acertada opção da organização, deixando o caminho livre para que Bruno Mars encerrasse o festival com o público mantendo-se visivelmente empolgado.

O relógio já passava de meia-noite quando Bruno Mars surgia no palco de forma apoteótica para encerrar a segunda edição do Summer Soul Festival.

Acompanhado de uma banda de encher os olhos, a música do cantor americano ganha ainda mais peso ao vivo, mas logo aos primeiros acordes de The Other Side a festa estava pronta e ele seria o personagem principal.

Ciente de seu papel na música contemporânea, Bruno Mars faz o que um ícone pop deve fazer, repete seus gestos e interage com o público enquanto lhe dá todo tempo para manifestar sua devoção. A primeira trinca do show se deu com Top Of The World e o hit Money/Billionare, levando fãs ao delírio enquanto dançava com sua guitarra.

Com influências que vão do rock ao funk, Bruno Mars sabe como poucos caminhar em várias direções sem abandonar o soul que o consagrou, justamente por isso seu show se torna uma experiência bastante curiosa. Para grande parte do público a imagem do ídolo está lá, explorando cada parte de seu visual e coreografando cada música (o que torna o show cansativo na maior parte do tempo), mas musicalmente tudo impressiona pelo alto nível, principalmente do próprio Bruno Mars.

Lazy Song, seu último single, ganhou uma versão mais agitada que a original enquanto o público fazia sua parte, acompanhando em plenos pulmões cada estrofe da música.

Um inusitado medley com trechos de Michael Jackson, White Stripes e Nirvana só não foi a situação mais estranha da apresentação porque Bruno viu o público cantar Michel Teló por diversas vezes enquanto se esforçava para entender a letra e se posicionava a frente de seu microfone retribuindo o gesto.

Assim como ocorreu com o show de Seu Jorge, Bruno Mars não deixa a empolgação do público cair, a cada faixa executada ele parece ter a oportunidade de exibir uma nova qualidade, seja na dança ou no vocal, nem o exagero nas coreografias ofusca o andamento das músicas. Liquor Store Blues e Nothing On You recuperariam o fôlego do público para uma reta final recheada de hits.

Grenade e Just The Way You Are, mais pesadas do que a versão original, fizeram jus à responsabilidade de encabeçar um festival com grandes nomes, sendo o ponto mais alto de toda maratona de shows do Summer Soul, que se encerrou com a balada Talking to the Moon, coroando definitivamente Bruno Mars no Brasil.

Ao final de mais de seis horas de música, o Summer Soul Festival encerra sua participação em 2012 com a mesma eficiência da primeira edição. Horários respeitados por todos os artistas, bom público, escolha certeira de line up e, principalmente, o soul explorado em todas as suas vertentes. Agora é hora do público começar a especular quais os nomes para 2013, afinal, uma coisa é certa, o Summer Soul Festival se consolidou definitvamente como um dos principais festivais realizados no Brasil.

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