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SWU (14.nov): Faith No More, Alice in Chains, Megadeth, Ash - Paulínia/SP (14.11.11)

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Um dos dias mais aguardados do SWU 2011, o dia 14 de novembro trouxe para o Brasil um line up que tinha como foco o rock mais pesado e que teve seu auge na década de 90, caso de bandas como Stone Temple Pilots, Alice in Chains e Faith No More.

Diferente da noite anterior, o público do SWU começou a chegar logo cedo ao Parque Brasil 500, mesmo com a chuva que não parou de cair durante boa parte do festival, para prestigiar a apresentação do Raimundos, um dos maiores acertos da organização do evento.

No palco New Stage, assim como no dia anterior, apresentações coesas e empolgantes fizeram com que o espaço estivesse sempre lotado. Entre os destaques estiveram os irlandeses do Ash, que justificaram em pouco menos de uma hora porque era uma das bandas mais aguardadas, e o japonês Miyavi, que contou com um público empolgado com sua enloquecida performance.

Já nos shows do palco principal, durante a tarde ainda houveram shows de bandas como o Loaded (de Duff McKagan), Black Rebel Motorcycle Club e 311, que cumpriram bem o seu papel, mas com apresentações regulares. Ainda em sua reta inicial, o maior destaque foi com a apresentação do Down, banda do ex-vocalista do Pantera, Phil Anselmo, que levantou pra valer o público imenso que se aglomerou para vê-lo.

O festival esquentou pra valer a partir do show dos americanos do Sonic Youth, saiba mais sobre os principais headliners do último dia do SWU.

Sonic Youth
Muito antes do festival a apresentação do Sonic Youth já era considerada especial. Boatos de que essa seria a última aparição da banda fizeram com que milhares de pessoas se deslocassem para o festival para ver esse possível fim da banda de Kim Gordon e Thurston Moore.

Mais barulhento do que nunca e abusando das distorções, o Sonic Youth subiu ao palco com Brave Men Run e Death Valley '69, quando a noite já começava a ganhar espaço e o telão do fundo do palco já estampava a capa do clássico álbum Washing Machine (1995).

Sempre introspectivo, o Sonic Youth realizou um show para ser contemplado, longe da necessidade de precisar interagir com seu público. No setlist não faltaram clássicos de sua carreira como Schizophrenia ou Sugar Cane, mas o curto tempo disponível para a banda acabou comprometendo o resultado final. É realmente uma pena que em todas as suas turnês pelo país o Sonic Youth não tenha realizado um show exclusivo, somente para seus fãs. O final apoteótico com Teenage Riot pode ter encerrado a trajetória da banda, mas se aquele foi o canto do cisne para a banda, a cena entre seus integrantes cruzando as guitarras será uma das cenas que seu público levará para o restante de suas vidas.


Primus

Formado por Les Claypool, Larry Lalonde e Tim "Herb" Alexander, o Primus é um caso raro na história do rock, com músicos extremamente técnicos, a banda sempre criou um tipo de música quase incompreensível, mas que funciona em virtude de toda técnica aplicada.

Para o show do SWU, a banda se apresentou trazendo um apanhado de músicas que pouco contemplou seu último lançamento, Green Naugahyde (2011). Utilizando projecões abstratas e dois imensos astronautas infláveis ao lado do palco, a banda conseguiu prender a atenção do público com longos solos, ainda que nenhuma de suas músicas viesse a empolgar tanto.

Em sua primeira passagem pelo país, o Primus realizou o que se esperava e os mais fãs saíram satisfeitos com músicas como Harold of the Rocks, do álbum Frizzle Fry (1990), Jerry Was A Race Car Driver, do álbum Sailing the Seas of Cheese (1991) e Duchess and the proverbial mind spread, do clássico Brown Album (1997). É provável que o som da banda acabasse funcionando melhor no palco secundário do evento, mas tocar no palco principal foi crucial para que a música do grupo, nada comercial, chegasse a um público maior.


Megadeth

Provavelmente a banda mais “deslocada” do festival, o Megadeth retornou ao Brasil após antológicas apresentações durante as comemorações do clássico Rust in Peace (1990). Com apenas uma hora de setlist e um novo álbum na bagagem, o ótimo TH1RT3EN (2011), a missão dos americanos não seria fácil, teria que conquistar o público e divulgar seu novo disco.

Sem a presença de nenhum telão ao fundo do palco e com sua tradicional bandeira, o Megadeth provocou um verdadeiro tornado na pista, com grande parte do público tentando sair enquanto uma verdadeira legião de headbangers se posicionava para vê-los.

Sem muitos rodeios, Dave Mustaine iniciou seu show com uma das músicas mais acessíveis da banda, Trust, do álbum Cryptic Writings (1997). A sequência com Wake Up Dead, Hangar 18 e A Tout Le Monde foi também a primeira vez no dia em que uma banda realmente jogou com toda empolgação do público.

Aproveitando toda empolgação do público, Dave aproveitou para trazer faixas de seus últimos e bons lançamentos, Whose Life (Is It Anyways?), Headcrusher e Public Enemy Nº 1, todas com boa recepção do público, mostrando que após quase três décadas de estrada o grupo continua lançando bons álbuns.

A sequência final veio com outra avalanche de clássicos do grupo e foi um dos pontos mais altos do festival, com rodas abrindo por toda pista e um público cantando em plenos pulmões músicas como Sweating Bullets, Symphony Of Destruction e Peace Sells, contando com a participação de Vic Rattlehead, mascote da banda, andando sobre o palco e fechando de forma intensa a primeira parte do curto show. Para o bis, Mustaine agradeceu muito e encerrou uma das melhores apresentações do festival com a rápida e pesada Holy Wars.


Stone Temple Pilots

Um dos expoente do movimento grunge, o Stone Temple Pilots passou por momentos difíceis na carreira, teve seu vocalista, Scott Weiland, internado em uma clínica de reabilitação e voltou à ativa com um ótimo álbum, inclusive passando pelo Brasil em 2010.

Com uma produção digna de um grande headliner, a banda de San Diego realizou um show tecnicamente perfeito e recheado de clássicos, porém, não empolgou o público, que a partir desse momento começou a lutar contra uma chuva mais forte, que permaneceria até praticamente o fim do festival.

Abrindo com Crackerman e visivelmente empolgada no palco, o Stone Temple Pilots vive um paradoxo em seus shows no país. Ao mesmo tempo em que parece gozar de um prestígio imenso por aqui, as performances quase insanas de Scott Weiland são vistas com um ar de contemplação, longe da empolgação que a banda merecia, talvez até em virtude da própria chuva.

Músicas como Vasoline e Big Empty empolgaram o público, mas foi com Plush que o Stone Temple Pilots viu o público do SWU completamente entregue ao show. Com uma boa sequência de hits, incluindo Big Bang Baby e Sex Type Thing, deixou o palco com uma ótima impressão. O bis veio com Dead & Bloated, do álbum Core, 1992; e Trippin' on a Hole in a Paper Heart, do mediano Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop (1997), o que causou aquela sensação de que, sem chuva, o show teria sido ainda melhor.


Alice in Chains

A chuva era torrencial e o cenário cada vez mais caótico na noite so SWU. Os banheiros químicos já estavam em seu limite e o chão de grande parte da área transitável tomado pela lama, mas nada disso foi suficiente para que o Alice in Chains deixasse de fazer uma das apresentações mais irrepreensíveis de todo festival.

Com um set list que trouxe praticamente todos os clássicos da banda e uma produção de encher os olhos, Jerry Cantrell e sua banda mostraram que toda espera valeu a pena.

William DuVall, que substitui o lendário Layne Staley, não sentiu a responsabilidade de estar preenchendo uma lacuna tão significativa da banda. Logo com Them Bones, na abertura, fez com que a sua presença fosse justificada.

Realizando o mais longo show do festival, o Alice in Chains parecia não se importar com a forte chuva que caía em Paulínia e mesclava bem o seu repertório, trazendo músicas de seu último álbum, Black Gives Way to Blue (2010) como Acid Bubbles e Last of my Kind.

Não faltaram clássicos como Angry Chair, Nutshell, Rooster, Would? e Down in a Hole, músicas que, aliadas ao ótimo desempenho de Cantrell, tornaram a apresentação do Alice in Chains uma das mais elogiadas do festival e histórica para fãs da banda.


Faith No More

Após uma maratona de mais de dez horas, uma chuva torrencial e um show épico do Alice in Chains, cabia ao Faith No more a responsabilidade de encerrar o festival SWU 2011.

Com um palco repleto de flores, similar a um terreiro de umbanda, a banda subiu ao palco exatamente nesse clima de “pai de santo” para fazer com que todo frio fosse embora de vez e a banda realizasse o melhor show dessa edição do SWU.

Logo na abertura, sempre irônico, Mike Patton incorporou Tom Jones (sim, Tom Jones, no auge de sua incrível voz) para cantar Woodpecker From Mars. Só depois que o verdadeiro peso da banda foi revelado, com a sequência From Out of Nowhere, Last Cup of Sorrow e Caffeine a banda já tinha o público na mão diante de uma performance insana e tecnicamente perfeita. Primeira surpresa da noite, a execução de Evidence, cantada em português, deixava claro que a banda não tocaria o álbum King for a Day… Once a Lifetime na íntegra, como havia circulado pela midia, mas diante do setlist elaborado, provavelmente ninguém sentiu falta.

Músicas mais acessíveis da banda foram incluídas no set list, como Epic, Midlife Crisis, Ashes to Ashes e a balada Easy. Mas o que fez a festa do já cansado público foram os momentos de maior insanidade da banda, como quando Mike Patton roubou a câmera do cinegrafista e quase arrebentou com a transmissão do show durante The Gentle Art of Making Enemies.

Cuckoo for Caca, Surprise! You’re Dead! e King for a Day mostraram que poucas bandas no mundo conseguem transformar um palco de proporções gigantescas em um quintal de casa como o Faith No More. O show teria o fim de sua primeira parte com Just A Man, cantada com um coral de crianças de Heliópolis.

Para o bis ficou claro que a banda estava encontrando dificuldades com seu equipamento. Uma longa pausa denunciou o problema e só após quase cinco minutos o Faith No More retornou para a execução de mais clássicos. Aliás, a primeira música do bis acabou sendo “inédita”, se é um novo lançamento ninguém sabe, mas funcionou ao vivo e mostrou a competência técnica da banda. Depois veio Digging the Grave, estranhamente mais leve que a original. Naquele instante ficou nítido de que haviam problemas no equipamento e após Mike Patton demonstrar certa tensão, a banda fez a clássica interpretação de This Guy's in Love with You, de Burt Bacharach, deixando o palco pela última vez.

Quem já acompanhou apresentações do Faith No More sabe que ainda havia pelo menos mais duas músicas a serem executadas, a movimentação de roadies gerou expectativa no público, mas após alguns minutos uma queima de fogos denunciava o fim do show e do festival.

Embora tenha tido problemas com seu equipamento, o Faith No More encerrou com chave de ouro o SWU 2011. Vale ressaltar que toda mescla de estilos funcionou muito bem e, mesmo que não tenha agradado a todos, teve um saldo bastante positivo.

Um dos problemas mais graves do festival acabou sendo o estacionamento. Infelizmente, parcela considerável do público teve problemas para sair de um atoleiro enquanto a organização do festival apenas lamentou o ocorrido. Assim como a presença de tanta lama dentro do espaço destinado ao festival.

Não há como prever a ação do tempo, embora Eduardo Fischer já tenha confirmado a mudança na data do festival do ano que vem, mas algumas precauções deveriam ter sido tomadas para evitar tantos transtornos.

Por fim, houveram melhoras consideráveis em relação à edição realizada em Itu, mas ainda há muito o que melhorar e essa cobrança  de público é benéfica para a organização, que tem tudo para transformar o SWU no maior festival do país.

A música passa por aqui.

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